A heróica era do giz, quadro negro e carteira sem estofado parece estar com os dias contados como componentes principais de um cenário onde, até bem pouco tempo atrás, transcorria a vida educacional de três quartos dos brasileiros. Pelo menos no ensino superior. A adoção de tecnologias da comunicação adaptadas para fins pedagógicos tem provocado reações que vão da mais ingênua e entusiasmada adesão a apocalípticas antevisões de sociedades frias ao nível da desumanidade. Desprovida de tais radicalidades, a tendência em centros de ensino superior públicos e privados tem sido a de instrumentalizar o aparato tecnológico como suporte de uma nova era na transmissão de conhecimentos.
As possibilidades são múltiplas e empolgam especialistas. Com a web, é possível montar grupos de discussão e mesas-redondas entre alunos e professores em chats e salas de bate-papo vituais. A teleconferência possibilita, por exemplo, que professores de regiões diferentes do Brasil ministrem aulas de impacto ambiental nos ecossistemas do País, ou que um oceanógrafo possa tecer comentários sobre os resultados de seu último levantamento dos movimentos migratórios dos cetáceos na costa brasileira, enquanto os alunos podem lhe fazer perguntas enquanto lêem, via internet, artigos científicos sobre o assunto. Avançados programas de computação gráfica podem ser instrumentos para a arqueologia e a paleontologia, da reconstituição virtual de um animal pré-histórico cujo fóssil foi encontrado nas proximidades de Pirenópolis a animações que procuram reviver o cotidiano de uma comunidade marajoara que viveu há 10 mil anos.
Segundo a coordenadora do Centro de Educação Aberta e à Distância (Cead) da Universidade Católica de Goiás (UCG), Rose Mary Almas, a instituição difunde um uso mais amplo da tecnologia no processo de aprendizagem há 11 anos. Em 2004, os estudantes dos cursos de Administração de Empresas das unidades da UCG de Goiânia e São Luís de Montes Belos assistiram a uma aula conjunta sobre Agenda 21 e desenvolvimento sustentável por meio de teleconferência. "Durante toda a aula, eles puderam interagir uns com os outros e com os professores", afirma. Os suportes mais utilizados pela Católica são a web, a tele e videoconferências, documentários e filmes.
Em 2004, dos quatro cursos oferecidos pela UCG na área, três foram definidos como semipresenciais. Para 2005, A UCG pretende transformar em semipresenciais os cursos de Inglês Instrumental, Cerimonial de Eventos e outros.
Já a Universidade Federal de Goiás conseguiu autorização do MEC para a criação do curso de licenciatura em Biologia semipresencial. O projeto tem a participação de um pool de universidades públicas. A previsão é de que só a UFG participe do projeto disponibilizando 300 vagas. Segundo a pró-reitora de Extensão e Cultura, Ana Luiza, coordenadora da UFG virtual, o novo curso atende plenamente às determinações do MEC, que não permite que cursos de nível superior sejam totalmente virtuais. "As únicas exceções a essa exigência são os cursos de capacitação e atualização."
Recentemente, foi criado o Centro de Referência em Educação à Distância, ligadas à UFG virtual, com o objetivo de desenvolver projetos de cursos de extensão e outras atividades mediadas por tecnologias da aprendizagem.