Apesar de considerarem o assunto fundamental, as empresas dificilmente tratam a redução de custos de forma ampla e sob um enfoque adequado. Ao longo das duas últimas décadas, esse assunto tem sido muito discutido, mas quase sempre com uma abordagem restrita. Há uma tendência de se falar muito sobre reengenharia e redefinição de processos. Mais recentemente, o mercado vivenciou uma onda de novas regulamentações. Hoje, o que se percebe é que, uma vez esses pontos já estejam endereçados, observa-se uma retomada da discussão sobre projetos relacionados à melhoria da redução de custo por meio de processos como a implementação de ERPs, centros de serviços compartilhados (CSCs) ou terceirização de determinadas funções. Mas que fatores auxiliam efetivamente na redução efetiva dos custos?
A cultura de redução de custos precisa estar intrínseca à estrutura da empresa, de modo que os programas não sejam abruptos, causando um mal-estar desnecessário. Para isso, é fundamental inserir medidas de gerenciamento diariamente, de maneira a se beneficiar das providências tomadas no sentido de cortar custos no longo prazo. E não apenas como uma solução de emergência.
Os programas de redução de custos precisam ser mais estratégicos, melhor divulgados aos funcionários da empresa, monitorados e mensurados, além de sempre apoiados pelos níveis hierárquicos mais altos. E, acima de tudo, eles precisam incorporar os principais incentivos e motivações. É imprescindível também que haja uma recompensa geral por isso, sem a qual, o fator motivação certamente fica comprometido e emperra o sucesso da operação.
Não basta discutir apenas redução de custos e aplicar programas sem saber de onde se vem e onde se quer chegar com isso. Esse primeiro passo, que, aos olhos de muitos pode parecer elementar, é, na realidade, negligenciado por uma grande parcela de empresas, tanto de grande ou pequeno porte, inclusive em mercados maduros.
Sem mensurações, muitas empresas, mesmo após terem realizado processos de redução, acabam sofrendo com um retorno desses mesmos custos. É por isso que os programas precisam ser devidamente medidos e monitorados.
O maior desafio que vivenciamos nas atividades cotidianas é a descrença das empresas em geral sobre o efetivo ganho que um programa de redução de custos bem coordenado pode gerar. O fato é que, por mais que as empresas já tenham mudado bastante nos últimos anos, sempre há espaço para fazer melhor.
Ricardo Balkins, sócio da área de Consultoria Empresarial da Deloitte