RH passará por transformações em 4 anos

02 de fevereiro de 2006 às 07:00
Nos próximos quatro anos, o setor de recursos humanos das empresas mudará bastante as diretrizes para gerenciar funcionários. Essa é a previsão de 88% dos responsáveis pela área em 134 companhias brasileiras, de diversos tamanhos e setores, segundo a pesquisa "Delphi RH 2010 - Tendências em Gestão de Pessoas nas Empresas Brasileiras", feita pela FIA (Fundação Instituto de Administração).

Uma das maiores transformações já está em curso e afeta diretamente a vida dos empregados. No que tange à educação corporativa, o estudo aponta como uma das diretrizes o autodesenvolvimento --a proatividade do profissional em busca de aperfeiçoamento em vez de esperar por iniciativas dos empregadores.

"Essa era uma tendência que virou realidade. Pela pesquisa, 52% das companhias já incorporaram programas de autodesenvolvimento profissional", explica o professor de recursos humanos da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) André Luiz Fischer.

O intuito da mudança, segundo Fischer, é aniquilar --ou reduzir-- a visão paternalista, em que a empresa é a provedora de todo o desenvolvimento e a responsável pela carreira do profissional.

"A companhia continua tendo a lealdade do profissional, porém isso tende a se alterar à medida que ela pára de delinear seu plano de carreira", indica Fischer.

Prós e contras

Por um lado, o profissional terá autonomia para conduzir uma trajetória adequada às exigências de mercado e às suas áreas de interesse. Por outro, as mudanças mexem na verba destinada ao aperfeiçoamento de funcionários.

Segundo consultores, companhias que investiam largamente em educação passaram a questionar a forma como isso vinha sendo feito nos últimos anos porque profissionais, depois que terminavam os cursos bancados pela firma, iam para a concorrência.

O professor destaca outro motivo: "A necessidade de redução de custos é constante e faz com que as empresas sejam mais seletivas na concessão de subsídios".

Para o gerente-geral de consultoria da Hewitt Associates, Carlo Hauschild, não ter bases para medir o retorno financeiro proporcionado pelos treinamentos é outra das razões. "Para investir, as empresas selecionarão profissionais de alto potencial e os que superam sempre as metas traçadas."

Algumas firmas têm escolhido a dedo os funcionários aos quais concedem bolsas de estudos. Outras reduziram o valor custeado.

Há, ainda, as que fazem acordos para que o funcionário não migre para a concorrência logo após o término do curso. "Sei de firmas que fazem o empregado assinar uma nota promissória no valor do curso e só a destroem depois do tempo estabelecido pelas partes", diz Andrea Huggard-Caine, sócia-diretora da HuggardCaine.

Recursos próprios

O consultor de tecnologia Anderson Figueiredo da Luz, 25, esbarrou nos critérios da empresa para a concessão de bolsas de estudos em 2004. "A companhia em que trabalho tem uma política que limita o subsídio a quem não ocupe altos cargos. Tentei negociar, mas não consegui", explica.

Por conta própria, procurou uma pós-graduação, que lhe custou cerca de R$ 8.000. "Nas aulas, percebi ser possível aprimorar as atividades da empresa. Marquei uma reunião com meu supervisor e o coordenador do curso para avaliar essas oportunidades, o que me colocou em destaque", diz.

"Além de fazer com que a minha auto-estima aumentasse, consegui uma promoção meses depois", afirma, destacando que passou de analista a consultor. "A pós-graduação está vinculada à mudança de cargo", avalia Luz.

O analista Wilson Martins, 28, também não se arrepende de ter desembolsado R$ 5.000 em oito cursos de informática. "Com isso, espero conseguir um aumento salarial." E finaliza: "De qualquer forma, esse é um investimento que faço para mim".



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