Uma força de crescimento e um pilar para a estabilização da América Latina. É a lisonjeira definição do ScotiaBank para o momento vivido pelo Brasil. No entanto, seus analistas ressaltam dificuldades que se apresentam no horizonte econômico do País.
De acordo com o banco, a situação de destaque reflete a implantação de reformas estruturais ortodoxas no Brasil, bem como a eficácia no aproveitamento de condições externas favoráveis em relação a comércio e investimentos, o que redundou na conquista do grau de investimento e em forte apreciação cambial.
Todavia, alguma nebulosidade já pode ser avistada no horizonte brasileiro, representada pela elevação global de taxas de juro e grande incremento da aversão ao risco, decorrência da desaceleração econômica e da forte crise do sistema financeiro dos Estados Unidos.
Fuga global
Deste modo, os analistas entendem que o País sofrerá cada vez mais com o movimento sincronizado global de venda de ativos em países emergentes, destacadamente o mercado acionário.
A forte queda dos papéis nos últimos meses segue em linha com o movimento corretivo já verificado em países como Rússia e China. Outra indicação das adversidades atuais reside no crescimento das margens de crédito soberano.
Definindo claramente um ciclo de enrijecimento monetário, o Brasil soma-se a países como México, África do Sul e Turquia, que pretendem utilizar-se da política monetária para controlar a escalada dos preços de commodities e energia.
Hostilidades
Todavia, para os analistas, o Banco Central brasileiro tem definido a Taxa Selic bem acima do necessário para combater a inflação, como forma de preparar-se para o ambiente externo cada vez mais hostil.
Ainda que o produto brasileiro mantenha-se em expansão, os analistas ressaltam sinais de certa desaceleração e alertam para a perspectiva de deterioração das contas externas diante da velocidade do aumento do déficit em conta corrente.