Se você é daqueles que deixam de comprar um livro, pois se assusta com o preço de cada título, saiba que o valor poderia cair consideravelmente, se o brasileiro lesse mais.
De acordo com o membro da CBL (Câmara Brasileira do Livro), Milton Assumpção, os livros poderiam ficar mais baratos, pois, com aumento do número de leitores, a tiragem também aumentaria. Ou seja, seria uma economia, segundo uma produção em escala.
A tiragem média hoje é de 2 mil a 3 mil exemplares, uma quantia considerada baixa frente à população total do País. Assim, uma mudança significativa no comportamento dos leitores brasileiros poderia aumentar a quantidade para 10 mil a 15 mil unidades.
Grande vilão
O editor acredita que o maior problema na venda do livro é o fato de as pessoas não terem mais tempo para leituras. Além das horas gastas no trabalho, ainda resta a concorrência das mídias eletrônicas, principalmente a internet.
"O preço não tem sido um problema para as vendas das editoras, já que elas têm consciência sobre o caro e barato do leitor e não colocam valores absurdos", explica Assumpção.
Dessa forma, frente à concorrência da vida acelerada e das mídias eletrônicas, a alternativa é conhecer o que o leitor deseja, para conquistá-lo com títulos imperdíveis. Buscar tendências mundiais e se atualizar acompanhando lançamentos são algumas atitudes imprescindíveis para vencer a concorrência.
Bienal
A 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que iniciou suas atividades na última quinta-feira (14) e as encerra no próximo domingo (24), é um evento cujo objetivo é trazer o livro para a vida do brasileiro.
Além dos 350 expositores nacionais e estrangeiros, representando mais de 900 selos editoriais, há eventos paralelos e aqueles destinados a públicos específicos, como as crianças. Tudo faz parte da tentativa de desenvolver o hábito de ler, ressalta Assumpção, e mostrar para os visitantes que há, sim, tempo para a atividade.
O membro da CBL ainda aponta um outro papel importante da Bienal, já que ela permite um contato especial entre as editoras e os leitores. Essa comunicação direta leva os produtores a conhecer o que os clientes têm a dizer, entre dicas e críticas.
As livrarias
Ao contrário do que a maioria acredita, não são as editoras que ficam com a maior fatia do bolo. De acordo com a pesquisa da CBL, enquanto elas recebem, em média, 50% dos custos de um livro, a outra metade fica com a livraria.
Assim, uma outra forma de baixar o custo de um livro seria diminuir a parcela das livrarias. Entretanto, Milton lembra que, embora o produto de fato barateasse, essa quantia seria insignificante, o que não daria a percepção entre barato e caro para o consumidor final e não faria vender mais livros.
De qualquer forma, Assumpção alerta que não se pode tirar a parcela do livreiro, pois ele é quem investe na venda em pontos nobres (como os shoppings), o que faz que os 50% sejam justos: "é justo em função dos investimentos que as livrarias fazem".