Nasci em 1962. Cresci, como todos de minha época fazendo coisas
esquisitas, tais como:
a) Várias vezes deixei de sair porque estava esperando um telefonema;
b) Aprendi a fazer contas utilizando um ábaco (será que alguém ainda
lembra o que era isso?)
c) Li toda a coleção do Sítio do Picapau Amarelo;
d) Também li Eça de Queiroz e Jorge Amado.
Minhas filhas nasceram respectivamente em 1989 e 1991. Elas jamais
tiveram que ficar em casa para esperar um telefonema. Nunca viram um
ábaco e assistiram diversos capítulos do Sítio do Picapau Amarelo, mas
na televisão.
Sou parte de uma geração chamada de Baby Boomers. Minhas filhas são da
geração Milenium. Entre eu e elas há, ainda, uma outra – formada pelas
pessoas nascidas entre 1964 e 1980 – que é chamada de geração X.
Fico me perguntando se como gestores comerciais nós, da geração Baby
Boomer e da geração X, estamos preparados para vender e gerenciar
pessoas da geração Millenium.
Você sabe ligar um iPod? Pelo menos sabe o que é um? Tem uma página no
Orkut? Domina com facilidade um Black Berry? Sabe usar mais de 5
funções do controle remoto do seu DVD?
Tenho a sensação de que as coisas que teremos que aprender para
gerenciar e vender é infinita. Mas por onde começar?
Em primeiro lugar é preciso conhecer mais profundamente a sociologia,
para poder entender como as pessoas se comportam, quando em sociedade.
Depois é preciso conhecer melhor as diversas aplicações que a
convergência entre a informática e as telecomunicações estão tornando
possível. Também vale a pena conhecer um pouco melhor as principais
tendências da economia, pois afinal ainda precisaremos continuar nos
preocupando com ganhar dinheiro para pagar as contas.
Minha tentação é dizer que também é necessário estudar psicologia,
física e um pouco de medicina. Mas você já deve ter percebido aonde
vamos chegar com essa conversa. É completamente impossível se manter
atualizado em tudo o que será preciso conhecer para viver o mundo
moderno. O que fazer?
Eu creio que a melhor opção seja que nos tornemos observadores atentos
e interessados em tudo que for possível aprender. Assim sendo, parece
que é preciso que nosso modelo mental seja suficientemente aberto para
poder assimilar, sem grandes estruturações, a realidade a nossa volta.
A palavra-chave para isso é flexibilidade. Temos que aprender a ser
menos apegados a nossas experiências do passado e preservar a abertura
ao novo.
Talvez mais importante do que estudar cada uma das ciências que
mencionei acima possa ser estar permanentemente plugado a internet,
ter acesso ao You Tube ou ainda tentar ler os principais blogs do
momento. Realmente eu não sei a resposta.
Se quiser pensar um pouco mais sobre essa questão, me mande um e-mail
e eu te envio um artigo que escrevi há algum tempo, falando sobre o
paradoxo que é a experiência.
aaron@institutomvc.com.br
J.B. Vilhena é Presidente do Instituto MVC, Coordenador de MBAs na FGV