Setor energético ganha destaque nas carteiras sugeridas para agosto

Com a fraco desempenho recente e dúvidas quanto à manutenção dos fundamentos, boa parte dos analistas reduziu suas recomendações em agosto para as - até então - dominantes empresas ligadas a commodities, passando a focar o retorno potencial com dividendos, com destaque para bancos e energia elétrica.

No horizonte das equipes de research, um conturbado cenário marcado pela desaceleração econômica nos Estados Unidos, contínuas pressões inflacionárias e incertezas quanto aos preços de produtos básicos, afetando diretamente o desempenho de companhias de grande importância para o mercado acionário doméstico.

Interpretações

De modo pouco animador, analistas do banco HSBC acreditam "que a volatilidade nos mercados permaneça elevada no curto prazo, com viés ainda negativo para os ativos de renda variável". Com interpretação semelhante, a corretora Fator entende que "os preços de commodities são a maior dúvida para o desempenho da bolsa (...), neste momento seu comportamento é imprevisível".

Embora engrossem o coro sobre a expectativa menos positiva para o curto prazo, outros analistas mantêm suas apostas em setores de grande peso na bolsa paulista, como Siderurgia, Mineração e Petróleo, a exemplo das equipes do UBS Pactual e BB Investimentos.

Aposta na previsibilidade

Neste cenário, a opção por posições mais defensivas e com exposição ao mercado interno é a resposta encontrada por muitos analistas, que apostam na previsibilidade do fluxo de caixa e no bom histórico de dividendos contra a grande volatilidade nos preços dos ativos.

Um dos setores que mais se destaca nas carteiras dos analistas para o mês de agosto é o de energia, cujas empresas devem ser beneficiadas por reajustes contratuais favoráveis, dada a evolução do IGP-M, segundo o HSBC, que recomenda a compra de Tractebel (TBLE3) e AES Eletropaulo (ELPL6), por conta da forte geração de caixa e distribuição de proventos.

Concessões

Com premissas semelhantes, a Fator escolheu a Eletrobrás como representante do setor elétrico, mas também apostou em concessionárias como Telemar (TNLP3), CCR (CCRO3) e Telesp (TLPP4). Sem nutrir o mesmo entusiasmo pelo setor de telecomunicações, o HSBC também destaca os setores imobiliário e de transportes, sugerindo a compra de BR Malls (BRML3) e ALL (ALLL11).

Também buscando estabilidade, a corretora Ativa incluiu a Transmissão Paulista em sua carteira mensal, que, somada a Cesp (CESP6) e Cemig (CMIG4) dá grande peso ao setor de energia em suas posições. No mesmo sentido, seus analistas destacam o setor bancário, escolhendo os papéis de Bradesco e Banco do Brasil para compor carteira, aposta semelhante à da Fator, que também sugere as ações do banco estatal.

Outra visão

Ao contrário das carteiras de Ativa e HSBC, com exposição de apenas 35% a empresas ligadas a commodities, as recomendações de BB Investimentos, UBS Pactual e Senso revelam as controversas interpretações em relação aos produtos básicos, pois encampam respectivamente 55%, 60% e 75% de ações a eles relacionados.

De acordo com analistas do UBS Pactual, estes papéis estiveram sobrevendidos durante o mês de julho, mas mantêm-se apoiados em bons resultados trimestrais e aperto entre oferta e demanda nos mercados internacionais de seus produtos. A diversidade de sua opinião é complementada pela redução da participação nos setores de energia, financeiro e de telecomunicações.

Blue chips

Presente nas três carteiras, as blue chips Petrobras (PETR4) e Vale (VALE5) mantêm grande peso, sempre acompanhadas pelos papéis da Gerdau (GGBR4 e GOAU4. Por sua vez, a Senso reforça posições em siderúrgicas, sugerindo a compra de Usiminas e CSN, sendo o restante de sua carteira (25%) formada por ações do setor financeiro.

Já os analistas do BB Investimentos optaram pela aposta em commodities agrícolas, sugerindo a compra dos papéis de São Martinho (SMTO3) e SLC Agrícola (SLCE3), além das ações de MMX Mineração (MMXM11).


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