Síndrome do “Peter Pan”

A imaturidade pode causar situações prejudiciais ao ser humano. Tanto no ambiente profissional, quanto no familiar. Por isso, a capacidade de amadurecer deve fazer parte da vida de cada um.

O especialista em comportamento humano Wilson Mileris enfatiza que os imaturos insistem, mesmo ao atingir a idade adulta, em pensar e se comportar como crianças. “Essa atitude os impede de se relacionar satisfatoriamente e compromete os resultados em todas as áreas da vida. Particularmente a parte profissional”.

Mileris ainda ressalta que nos ambientes corporativos também pode ser encontrado esse tipo de comportamento. “Ao observar alguns gerentes, é possível perceber que eles falham em lidar com os conflitos e revezes da vida e dão vazão à sua imaturidade através de uma ira descabida”.

No ambiente corporativo, o especialista defende que as grandes lideranças, em algum elo da corrente de comando, precisam desenvolver características de amortecedor. “Se não agir de uma forma madura, só pode esperar que a situação fique pior. Afinal, cada um deles atua como um amplificador, passando adiante, de modo ampliado, suas queixas contra o chefe. Inevitavelmente, o resultado tende a piorar e isto dá início a um crescente espiral de frustração”, enfatiza Mileris.

Os sentimentos são contagiosos e a equipe é influenciada pela emoção de seu líder e de seus membros (positiva ou negativamente). “O fato é que os gestores, inteligentes emocionalmente, são maduros e capazes de reconhecer como os próprios sentimentos afetam o desempenho no trabalho. Eles têm facilidade de enxergar o contexto geral numa situação complexa”, comenta o especialista.

Portanto, é fundamental disseminar junto às pessoas que a imaturidade é uma geradora de fracassos e que mais “gerentes-amortecedores” devem fazer parte de uma empresa. Mileris explica que esse tipo de gestor pode ser encontrado entre os maduros emocionalmente que entendem a inteligência emocional coletiva é o que separa as equipes de alto desempenho das medíocres. Uma vez que o desempenho profissional do grupo é diretamente proporcional à habilidade do líder e do time de lidar com o clima emocional e os relacionamentos interpessoais.

Segundo alguns estudos, a imaturidade afeta o ajustamento do indivíduo a seu meio. Principalmente porque ele nunca está disposto a sacrificar seus interesses em benefício dos outros e, tampouco, consegue realizações à longo prazo. Por isso, o grupo acaba rejeitando-o.

Para ilustrar melhor as situações em que a imaturidade atrapalha, o especialista cita um exemplo: “o filho adolescente do diretor comercial bate com o seu carro esporte favorito. Este vem para o trabalho com “aquele” mau humor. A primeira coisa que vê sobre a mesa é o relatório de vendas do dia precedente, que não é muito mau. Ele chama o gerente de Marketing e estraçalha-o. Este último passa tudo ao responsável pelas vendas que, naturalmente, desconta no pessoal do setor. O relatório não era assim tão ruim; por isso, os vendedores se entreolham com perplexidade e, falando figuradamente, tiram o dia de folga e vão cuidar da vida. Resultado: um relatório de vendas realmente terrível, no dia seguinte, repetindo-se a conduta do dia anterior. Mas, desta vez elevada à décima potência. Fica evidente que a personalidade imatura é egocêntrica, impulsiva, exibicionista, não tolera tensões e derrotas, exige satisfação imediata e só prejudica as outras pessoas”, explica.

Outra atitude observada é que o imaturo não se tornou adulto, não madureceu. “Mas assim como não podemos encontrar um indivíduo com saúde perfeita, também não acharemos muitas pessoas sem traços infantis em sua personalidade. Convém considerar tais limitações ao tentar definir o que é uma pessoa madura”, enfatiza Wilson.

Entretanto um cuidado é fundamental. Não confundir “imaturo” com “neurótico”, porque a neurose é um distúrbio que afeta a estrutura do caráter das pessoas. Quando tal perturbação se manifesta, a vida emocional do indivíduo fica dominada por sentimentos intensos e mal dirigidos. “A pessoa imatura não é necessariamente neurótica, e vice-versa. A diferença fundamental é que o neurótico tende a sofrer de ansiedade e depressão devido a seus conflitos íntimos, ao passo que o imaturo está livre dessa ansiedade interior e sente-se bastante feliz até o momento em que suas necessidades e desejos entram em conflito com os sentimentos das outras pessoas”, completa Mileris.

Evidentemente, a imaturidade afeta o ajustamento do indivíduo a seu meio, porque ele nunca está disposto a sacrificar seus interesses em benefício dos outros e tampouco consegue realizações a longo prazo, a ponto de seu egoísmo levá-lo a ser rejeitado pelo grupo. Porém, Mileris explica que, como em todas as situações é possível observar os comportamentos e fazer com que eles sejam superados.




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