O economista Alexis Korber, do instituto conjuntural suíço BAK Basel Economics, afirmou nesta sexta-feira que os bancos centrais ainda devem anunciar novas reduções das taxas de juros para restabelecer a confiança dos mercados, mas que haverá turbulências até meados de 2009.
Segundo ele, se a confiança nos mercados e dos consumidores for restabelecida, a tendência pode melhorar a partir do segundo semestre de 2009. Mas existe um risco muito alto de a fragilidade da conjuntura persistir, o que pode provocar um período prolongado de recessão.
Leia a seguir trechos da entrevista:
France Presse: As medidas adotadas pelos governos e os bancos centrais são suficientes para restabelecer a confiança?
Korber: Estas medidas contribuíram para a estabilização da situação. Não podemos imaginar o que teria acontecido sem estas medidas. Mas a desconfiança continua muito elevada. Não podemos excluir a possibilidade de novas baixas coordenadas dos juros, porque o recuo da pressão inflacionária dá mais margem de manobra aos bancos centrais.
France Presse: Qual é o impacto da crise financeira sobre a economia real?
Korber: As conseqüências da crise são cada vez mais claras na zona euro. A indústria automobilística já vem enfrentando sérios problemas. Nos Estados Unidos, a situação está se degradando cada vez mais: a atribuição de crédito está cada vez mais restritiva, os indicadores de confiança estão em seus níveis mais baixos e os consumidores estão reduzindo suas compras. O consumo recuou no terceiro trimestre nos Estados Unidos, pela primeira vez em quase 17 anos. O consumo deve continuar fraco. Globalmente, a crise financeira gera uma evolução bem mais fraca dos investimentos e da demanda interna.
France Presse: Quanto tempo vai durar esta situação? Os Estados Unidos correm o risco de perder seu papel preponderante na economia mundial?
Korber: Esperamos uma fase prolongada de fraco crescimento nos países industrializados. Se a confiança nos mercados e dos consumidores for restabelecida, a tendência pode melhorar a partir do segundo semestre de 2009. Mas existe um risco muito alto de a fragilidade da conjuntura persistir, o que pode provocar um período prolongado de recessão.
Os Estados Unidos não vão perder subitamente sua influência na economia mundial. Eles podem se restabelecer muito mais rapidamente do que outros países, porque são amplamente mais flexíveis e reagem bem mais rapidamente à crise. Em contrapartida, os países asiáticos continuam muito dependentes da demanda do Ocidente. Eles não vão poder se aproveitar da crise financeira para assumir um papel predominante na economia mundial.