Sustentabilidade econômica depende da inclusão financeira da MPE

Sebrae apresenta um estudo sobre o sistema financeiro e as micro e pequenas empresas e os resultados vão subsidiar as discussões para políticas de ampliação do crédito

A responsabilidade das instituições em relação à sustentabilidade foi o tema que abriu o segundo dia do 3° Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor – C4, nesta quinta-feira (30), no Centro Fecomércio de Eventos em São Paulo. O evento segue até sexta (31). Nesse contexto, a inclusão social e financeira das micro e pequenas empresas ocupou importante espaço da programação.

Se por um lado as grandes instituições reconhecem o potencial que representa esse mercado e se já estão se mobilizando para ocupar esse espaço, de outra forma há um profundo desconhecimento dos caminhos a serem adotados para superar esse desafio.
“Será que nossas práticas de crédito estão incluindo ou excluindo as micro e pequenas empresas?”, questionou Carlos Nomoto, superintendente do ABN-AMRO, durante o painel 'Sustentabilidade e o papel das instituições financeiras'. O programa de microcrédito do banco já atendeu 23.210 clientes, com empréstimos no valor total de R$ 28 milhões.

As perguntas que surgiram sobre a verdadeira face do segmento de micro e pequenas durante o painel 'MPE – Um potencial inexplorado de alguns bilhões de reais' são fáceis de responder, na opinião Rafael De La Veja, vice-presidente de produtos comerciais da Visa Internacional. “O difícil é implantar. As micro empresas são heterogêneas e dispersas, tem como principal desafio crescer, mas o recurso disponível é escasso. Nós precisamos entender essas empresas, melhorar os serviços e educar para os benefícios dos pagamentos eletrônicos”, complementou.

“O Sebrae entra nesse processo justamente levando para os bancos o conhecimento acumulado nesses anos de intenso relacionamento com os micro e pequenos negócios”, disse Alexandre Guerra, gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae, que participou do painel. “Nosso objetivo é mostrar a realidade, os desafios e as oportunidades do segmento”.

Como parte dessa estratégia de conhecimento e aproximação, Guerra apresentou um estudo sobre o sistema financeiro e as micro e pequenas empresas e lançou a publicação 'Mercado de cartões de crédito no Brasil e sua relação com as micro e pequenas empresas', editada pela Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae Nacional (Uasf) e desenvolvida em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo o diretor de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos, os resultados da pesquisa vão subsidiar as discussões no âmbito do Governo, do Legislativo e do setor privado para a adoção de medidas no contexto de políticas de ampliação do crédito, tendo em vista a maior competitividade e sustentabilidade das micro e pequenas empresas.

Segundo a pesquisa, feita do ponto de vista da oferta e da demanda, apenas 27,24% das empresas que integram o segmento trabalham com cartão de débito e crédito, em prejuízo do faturamento e do bom relacionamento com seus fornecedores.

Essa baixa utilização é decorrente da falta de conhecimento do empresariado sobre o cartão; a baixa oferta dos emissores; custos contratuais elevados; limite de crédito para o cartão empresarial menor que o do cartão pessoal. Também devem ser considerados os elevados custos de transação cobrados por operação, de aluguel das máquinas (POS) e das tarifas telefônicas.

Por outro lado, trata-se de um mercado a ser explorado, com baixa bancarização, ampla fidelização, possibilidade vendas cruzadas de produtos e serviços e maior escala nas operações.

Os fatores apontados que afetam negativamente a adoção do cartão empresarial são o desconhecimento do produto, baixa oferta dos emissores, custos contratuais elevados e limite de crédito empresarial menor que o limite que o cliente já possui no cartão pessoal.

As oportunidades para os empreendedores estão na utilização do cartão para regular fluxo de caixa, eliminar boletos bancários, organiar melhor o fluxo de caixa e a contabilidade e ter maior segurança no movimento monetário nas compras realizadas pelos funcionários.

Alexandre Guerra também destacou o impacto da aprovação da Lei Geral para a questão de crédito. “A carteira de pequenas e médias empresas deve ter um avanço de 30% ao ano. O banco que não crescer nesse segmento vai ficar para trás”, completou.

Parceria

Um outro ponto indicado como fonte de dificuldade de atuar com micro e pequenos empresas pelo mediador do painel, Francisco Barone, da Fundação Getúlio Vargas, é que, por questões comerciais, as grandes instituições estão desenvolvendo trabalhos de forma isolada e sem trocar conhecimentos.

“O resultado é que as empresas tratam com superficialidade a questão. A pedra angular desse processo seria o desenvolvimento de uma parceria através de quem conhece melhor a micro e pequena empresa no País, pela capilaridade e pelo reconhecimento do segmento, o Sebrae”, disse Barone. “Assim será possível estabelecer uma estratégia conjunta de penetração nesse universo”.

A publicação do livro lançado no Congresso contou com a participação da FGV e mostra os desafios a serem superados e perspectivas para melhoria significativa nas relações dos pequenos e microempreendimentos com seus clientes e fornecedores, definindo os caminhos para a construção de estratégias de atuação do Sebrae e parceiros nessa área.





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