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Como a tecnologia pode estar espionando você

Alguns serviços podem monitorar e saber sua localização exata; saiba como proteger sua privacidade

Redação , Administradores.com.br,
iStockphoto
Seu smartphone registra todos os lugares que você frequenta; sua rede de telefonia móvel também

Recentemente, a Samsung teve que dar explicações quando acusada de espiar seus clientes por meio de suas Smart TVs. A notícia de que a empresa estaria recolhendo dados pessoais de consumidores por meio da gravação de voz causou indignação e trouxe à tona debates sobre o direito à privacidade. O jornal The Guardian, entretanto, alerta que a "tv espiã" é só mais uma das tecnologias que estão registrando cada momento de nossas vidas. Confira outros serviços e recursos tecnológicos que podem estar espionando você e saiba como evitar que elas roubem sua privacidade:

1. O "Curtir" do Facebook

Mesmo que você não use o Facebook, já deve ter visto o "joinha" da rede social espalhado pela internet. Com ele, é possível curtir as páginas de empresas, pessoas e marcas sem precisar estar realmente na rede. O mesmo acontece com os botões de compartilhar e comentar, que você até pode encontrar no começo e final dessa notícia.

Embora esse sistema de integração facilite a vida de muitos usuários, ele dá ao Facebook a oportunidade de seguir você na internet. Ao acompanhar todos os sites que você visita, a empresa consegue aperfeiçoar o direcionamento de anúncios e conteúdos em seu perfil.

Como evitar: Desconecte-se do Facebook sempre que não estiver mais usando a rede. Assim, o site não vai ter como rastrear suas atividades. Mas você também acaba perdendo a chance de compartilhar aquele artigo interessante diretamente da sua página favorita. A escolha fica com você. 

2. Os serviços de localização de seu smartphone

Se você possui um iPhone, tente isso: clique em ajustes, depois privacidade, serviço de localização, serviços do sistema e, por último, locais frequentes. Você está vendo a lista de cidades que você visita regularmente, certo? Clique em qualquer uma e veja que seu celular sabe exatamente todos os lugares que você frequenta. Sua casa, trabalho, escola, restaurante favorito… tudo é registrado.

A história não é muito diferente se você for do Android: o Google mantém dados sobre todas as suas rotas e localizações. Ao contrário da Apple, as informações são armazenadas na nuvem, onde ficam vulneráveis a intimações da justiça e podem ser acessadas por um parceiro desconfiado que possuir a senha.

Como evitar: Tanto o iOS como o Android permitem que você desligue os serviços de localização em seu aparelho. Ao fazer isso, entretanto, não é possível utilizar o GPS ou rastrear seu smartphone em caso de roubo ou perdas.

3. Uber

A empresa que oferece serviço de táxi mais barato através de aplicativo ainda não é tão conhecida por aqui, mas já entra na lista de  companhias que podem invadir sua privacidade. O Uber registra todas as informações sobre sua rota sempre que você usa o aplicativo. O registro pode ser útil caso você precise dos dados no futuro, mas também pode ser usado contra você. A empresa, inclusive, já teve que se desculpar por acessar detalhes de rotas de um jornalista. 

Como evitar: a melhor maneira seria não usar o Uber, mas, novamente, você precisa escolher entre guardar suas informações e ficar sem o serviço. Resta saber se você prefere ter privacidade ou gastar menos dinheiro com corridas de táxi.

4. As redes de telefonia móvel

Seu celular funciona através da troca de comunicações criptografadas com "células" instaladas em torres de telefonia espalhadas pelo mundo. Quando você está em uma ligação, seu celular emparelha-se com um célula, que pode ser trocada caso você se movimente durante a chamada. A conclusão você pode imaginar: sua rede de telefonia móvel registra onde você está, de acordo com as informações das células. O registro pode indicar uma localização aproximada, usando o alcance da torre de telefonia mais próxima, ou uma localização precisa, se outras torres forem usadas para triangular sua posição.

Como evitar: pare de usar um telefone celular. Sério, se você quer "sumir do mapa", essa é a única opção. Se a bateria do seu celular for removível, você pode retirá-la quando não estiver usando o aparelho, mas sempre que ligar o telefone de volta, a sua rede de telefonia móvel saberá onde você está.

5. Os dados Exif nas suas fotos

Os dados Exif são as informações contidas em fotografias digitais. Originalmente, eram apenas aspectos que interessavam a profissionais, como distância focal e abertura usadas na hora em que a foto foi tirada. Mas não seria uma tecnologia do século XXI se ela não tivesse se tornado um pouco mais invasiva. Hoje, se você tira uma foto com um smartphone ou uma câmera digital mais moderna, há uma boa chance da imagem registrar exatamente onde ela foi feita, usando o GPS embutido. Esse tipo de informação é ótima para separar fotos de viagens por lugares, por exemplo, mas não é tão conveniente se você for trocar imagens com algém.

Como evitar: a maioria das câmeras permitem que você desative a incorporação de dados de localização nos arquivos, e a boa notícia é que, nesse caso, o Facebook e Twitter estão do seu lado. As redes retiram os metadados de todas as imagens enviadas por usuários.

6. O reconhecimento facial

Você já usou o recurso "Sugestão de Marcações" do Facebook? A rede social faz uma varredura das imagens que você já postou, encontra fotos sem marcações de amigos, e então oferece sugestões de marcação, quase sempre precisas. É uma ótima forma de economizar tempo, mas como o Facebook reconhece todos os seus amigos? Simples: a rede tem executado um software de reconhecimento facial em fotos enviadas para o site há anos. Em setembro de 2012, o Facebook foi até forçado a desativar o recurso na Irlanda, onde a Comissão de Proteção de Dados do país repreendeu a empresa por usar o software sem permissão.

Como evitar: Não tire fotos. Nem tenha amigos. Fácil.