Tesouro Direto: mais opções a baixo custo

Investidores interessados em aplicar em títulos públicos por meio do Tesouro Direto, sistema do governo de negociação dos papéis pela internet, contam hoje com mais opções de corretoras e bancos que cobram taxas de administração baixas.

De acordo com o último ranking elaborado pelo Tesouro Direto, de novembro, 24 agentes de custódia – como são chamadas as instituições que prestam o serviço de intermediação dos títulos – cobram taxa de 0,25% do valor aplicado por ano ou por aplicação. Em julho do ano passado, apenas 11 empresas ofereciam esse porcentual. Hoje, três instituições isentam o investidor da cobrança, estratégia de apenas uma empresa em meados do ano passado.

Segundo o gerente de relacionamento com o investidor do Tesouro Nacional, André Proite, a divulgação dos valores cobrados não é obrigatória. Isso pode explicar, em parte, o aumento do número de empresas incluídas no ranking. O de julho de 2007, quando havia entre 65 e 70 instituições habilitadas a intermediar os negócios, contava com apenas 32 empresas. No levantamento de novembro, o número saltou para 62, sendo que há 66 agentes habilitados.

É possível que já houvesse instituições cobrando taxas baixas, sem repassar os dados ao Tesouro. “Temos sido proativos na prestação desse serviço aos investidores. O número de instituições incluídas no ranking cresceu e muitos custos foram alterados para baixo”, afirma.

Compare com fundos

A taxa de administração é um dos atrativos da aplicação em títulos pelo Tesouro Direto, em relação ao investimento em fundos de renda fixa e DI. Estes fundos investem o dinheiro dos cotistas nos mesmos títulos disponíveis para compra no sistema do governo, mas cobram taxas de administração mais altas. De acordo com estatísticas da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), a taxa de administração média dos fundos de renda fixa é de 1,11% ao ano, mas há bancos que cobram até 4,5% ao ano – em alguns casos, até 8% e 10%.

Dos 31 novos agentes de custódia incluídos no ranking de novembro, que não apareciam no de julho de 2007, 12 vieram cobrando taxas de 0,25% ou menos. Das que já constavam no ranking, a corretora Alfa reduziu a taxa de administração de 0,50% para 0,20% ano, a corretora Ruy Lage passou de 1% a 2% ao ano para 0,50% a 1% ao ano e a Spinelli saiu de uma taxa de 0,25% ao ano para a isenção das operações.

A Banif é outra que optou pela isenção nos negócios no Tesouro Direto. Desde o início do ano, a corretora – que até março não aparecia nos rankings – deixou de cobrar administração nos negócios com títulos públicos. “Antes, nossa taxa era de 0,4% ao ano”, afirma o gerente de marketing da casa, Bruno Di Giórgio. A isenção vale para qualquer investidor, não importa se novo na corretora ou não. “Foi uma decisão comercial para atrair novos clientes”, diz.

A corretora Socopa também não cobra pelo serviço, mas condiciona a taxa zero nos títulos públicos à negociação de ações por parte dos clientes. No seu site, a instituição afirma que o Tesouro Direto “é considerado um serviço complementar ao serviço principal, que é a compra e venda de ações”.

Pesquise

Na outra ponta, há casos de aumento da taxa. A corretora Codepe, que isentava as operações, passou a cobrar 0,5% ao ano de taxa de administração. O custo é, no entanto, muito menor do que o exigido por grandes bancos. O Itaú, por exemplo, cobra 3% ao ano para clientes do segmento Personalité (de alta renda) e 4% ao ano no caso dos clientes de varejo. No Bradesco, a taxa é de 4% ao ano, com valor mínimo de R$ 20.

Em outros grandes bancos os custos são mais em conta. É o caso do HSBC, que exige do cliente taxa de administração de 0,3% ao ano; do Unibanco (0,35%); do ABN Amro Real (0,4%); da Caixa Econômica Federal (0,4%); e do Banco do Brasil (0,5%).

Além da taxa de administração, todo investidor no Tesouro Direto precisa desembolsar ainda 0,4% ao ano em uma taxa de custódia, cobrada pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).



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