Tropicalização crescente do e-Learning

De acordo com a pesquisa da Global Industry Analysts (GIA), o mercado global de e-Learning deve alcançar cerca de US$ 52 bilhões até 2010. No Brasil, estima-se hoje que 600 empresas e entidades usem o e-Learning. É pouco se comparado ao número de universidades que dispõem de toda infra-estrutura necessária para que os alunos consigam concluir o ensino superior.

O e-Learning começou em 1990 e seu amadurecimento prossegue com novas metodologias de ensino e outras reformulações. Como surgiu nos bastidores do mercado de tecnologia da informação, mais como um serviço adicional do que como uma forma de ensino, o e-Learning alavancou alguns investimentos em infra-estrutura de software. Nessa época, boa parte do material de ensino era produzido em outros países e chegava ao mercado brasileiro em CD-ROM ou materiais de apoio, sem interação nem a gestão educacional de instrutores que tinham o conhecimento do mercado local.

Os cursos eram ministrados às empresas, principalmente pela equipe de vendas da companhia, que buscava informações dos produtos para oferecer ao mercado e lucrar mais com estas inovações. Estes treinamentos empacotados destoavam da realidade do mercado brasileiro. Eram habilitações que abordavam as novas técnicas de vendas e descritivos de produtos universalizados. Todo este portfólio não considerava as peculiaridades e carências de softwares ou serviços do mercado brasileiro.

A mudança de enfoque na concepção e implantação dos cursos on-line aconteceu principalmente porque as empresas de educação começaram a alinhar os investimentos em capacitação profissional de uma forma mais rápida e eficiente, utilizando o ambiente virtual como sala de aula. Outra propulsora desta reformulação foram as empresas de tecnologia da informação (TI), que iniciaram um processo de disseminação de uso em seus softwares, gerando soluções de treinamento e comercializando-as no mercado como uma nova estratégia de negócio da empresa.

Empresas da área financeira e de telecomunicações são hoje uma das grandes consumidoras de e-Learning. A explicação é simples. Como atuam em mercados altamente competitivos e pulverizados, as companhias desses setores lançam produtos e serviços com uma velocidade alucinante. Precisam usar o ensino on-line para ajustar o discurso e pulverizar com rapidez as informações em toda a sua rede de atendimento de uma forma equânime.

Segundo a pesquisa da GIA, espera-se um crescimento global e regional do ensino on-line entre 15% e 30%. Os EUA seguem dominando o mercado, com 60% de participação. Em seguida aparece a Europa, com uma fatia de 15%. De acordo com o levantamento, a Ásia, embora ainda tenha presença reduzida no mercado, apresenta uma elevada taxa de crescimento anual, que vai variar entre 25% e 30% até 2010.

A procura por sistemas on-line de aprendizagem continua em alta. O e-Learning permite padronizar o atendimento empresarial, possibilitando a padronização do discurso e encaminhando-a sem interferências nem ruídos de comunicação ao seu público. Para isso utiliza o mesmo discurso da Patagônia ao Norte do Brasil e uma maior afinação entre a equipe de vendas e o grupo de atendimento. O alinhamento do e-Learning aos negócios impulsiona outras mudanças neste mercado. Uma delas é o aparecimento do fast e-Learning (desenvolvimento rápido de aplicações).

Tais ferramentas permitem que tanto o departamento de recursos humanos como o departamento comercial criem seus cursos fazendo "drag and drog" de objetos de outros treinamentos. Ou seja, reaproveitando muitos conceitos que estão sendo utilizados e mencionados em cursos anteriores da companhia.

Tudo isso, é claro, utilizando informações que exercem a função de espinha dorsal da organização e devem sempre ser citadas como reafirmação do processo de comunicação institucional.

O mercado tende a acelerar este processo de cursos customizados, graças ao aumento crescente da concorrência empresarial. Hoje, um novo curso tem que estar pronto em no máximo 20 dias para atender às novas especificações do mercado globalizado, preparando equipes para atuar em condições de alta competitividade. Para que o mercado de e-Learning utilize o ambiente virtual como sala de aula e atinja números sustentáveis de crescimento, os caminhos serão a alta segmentação e a agilidade na oferta de soluções rápida, com simplicidade e a interatividade da Web 2.0.


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