A forte oscilação dos preços das ações, que reflete o nervosismo dos investidores diante da turbulência nos mercados financeiros, torna as aplicações de compra e venda de ações no mesmo dia, conhecidas como day trade, ainda mais arriscadas. Quem opta pelo day trade visa a lucrar com a variação do preço das ações em prazos muito curtos, de algumas horas ou até minutos. Para ter uma idéia da intensidade dessa oscilação nos últimos dias, a diferença entre a pontuação máxima e mínima do principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, atingiu 16% na semana passada.
O maior risco diante da volatilidade é explicado porque, tradicionalmente, as operações de day trade são decididas com base na análise gráfica, que parte dos gráficos do histórico das cotações para inferir o comportamento de uma ação no futuro. É pelas curvas que os investidores verificam tendências de alta e baixa e determinam o momento de comprar e vender. Mas o que fazer se o mercado é atingido diariamente por um turbilhão de más notícias, como a quebra de bancos, ou promessas – como a do governo dos Estados Unidos de destinar US$ 700 bilhões para retirar ativos podres do mercado – que podem não se cumprir?
Se você é um investidor com forte perfil de risco, veja as dicas que o portal AE Investimentos traz para você, a partir de dicas de especialistas:
Liquidez: Concentre-se em ações com muita liquidez – em outras palavras, bastante negociadas e facilmente conversíveis em dinheiro vivo. “Caso contrário, o investidor não consegue entrar e sair do papel no mesmo dia”, afirma Leandro Ruschel, sócio-fundador da escola de operadores gaúcha Leandro e Stormer Trading. A dica assume mais relevância quando o mercado está muito volátil, já que a aversão ao risco reduz a quantidade de negócios com ações menos negociadas, chamadas de segunda linha.
Tendência: Faça da tendência uma amiga, sugere o sócio da TCX Consultoria e Escola de Operadores, Luiz Antônio Parddal. Ela, que pode ser de alta ou de baixa, é identificada a partir dos gráficos. Quando o preço de uma ação rompe um suporte (barreira de baixa), passa a seguir em tendência de baixa. Se atravessa uma resistência (barreira de alta), sua tendência dali em diante é de alta. “Tradings (negociações) contra uma tendência maior contam com chance menor de sucesso”, alerta Parddal. Em épocas de volatilidade, o movimento de manada (compra ou venda de papéis em massa) pode tornar os aparentes suportes ou resistências uma informação obsoleta, dificultando a chance de sucesso de um negócio.
Agenda: Dias sem notícias especiais, mas com a agenda cheia de dados econômicos importantes – como uma decisão do governo sobre os juros – também dificultam a tarefa de identificar a tendência do preço dos papéis. “Esses acontecimentos costumam causar volatilidade no mercado. Fica mais difícil operar”, diz Ruschel. Com isso, cresce o risco de não conseguir comprar e vender as ações no ponto certo.
Objetivos: Defina objetivos de rentabilidade curtos para cada operação. “Nunca entre numa posição sem ter um objetivo”, alerta Parddal. Para lucrar no day trade, é preciso agilidade ao comprar e vender as ações. Por isso, parta de metas modestas. “Em média, os objetivos variam de 0,5% a 1% por operação”, sugere Ruschel.
Stop: Tenha disciplina com os “stops”, ordens enviadas à corretora em que o investidor fixa o preço de venda de uma ação. Podem limitar prejuízos (stop loss, em que o valor de venda prevê o máximo de perdas que o investidor está disposto a suportar) ou garantir lucros (stop gain, em que o preço de venda inclui os objetivos de lucro do aplicador). “Mas o medo de encarar uma perda às vezes fala mais alto”, afirma Ruschel. Não raro o investidor se rende à tentação de baixar o stop loss, para não ver suas ações serem vendidas com prejuízo, ou elevar o stop gain, na tentativa de ampliar os lucros. “Quando se trabalha com ganhos médios de 0,5%, uma única operação mal feita pode fazer o investidor perder todo o lucro conseguido com as outras.”
Quantias: Para renderem satisfatoriamente, negociações de um dia exigem aplicações grandes, o que pode aumentar o estrago na carteira. Com pouco dinheiro, o lucro de cada negócio pode não pagar os custos de taxa de corretagem, emolumentos devidos à Bovespa e Imposto de Renda, à alíquota de 20%. “Fica difícil aplicar para quem tem menos de R$ 100 mil”, pondera Ruschel.
Movimentação: Concentre-se no movimento que as cotações efetivamente estão fazendo enquanto negocia, e não no que você acredita que deveria ser. “O mercado pode se movimentar de forma que não condiz com o cenário das notícias”, alerta Ruschel. “Respeite o mercado a cada segundo do dia. Sempre espere dele o inesperado”, diz Parddal.
Emocional: Controle suas emoções. “Reconheça que o poder da influência de uma posição sobre seu emocional é muito grande”, afirma Parddal. “Por isso, nunca faça um julgamento precipitado do mercado quando estiver com ações nas mãos.” E caso sinta-se inquieto demais, zere suas operações.