A característica que melhor define a educação a distância (EAD) é a separação física entre professores e alunos: quem ensina não precisa estar no mesmo lugar que quem aprende. A comunicação é feita por meio de internet, correio, videoconferência ou até telefone. A principal vantagem é a possibilidade de oferecer educação em locais em que não existem universidades ou cursos especializados em diferentes níveis. Além de atender a um contigente maior de alunos, há ainda a vantagem da flexibilidade de horários.
A cidade de São Paulo, principal metrópole do país, ainda não possui nenhum curso de formação universitária a distância. Para preencher a lacuna, a USP (Universidade de São Paulo) terá em 2006 seu primeiro curso de graduação não presencial: licenciatura em Ciências. O objetivo será formar no ensino superior professores da rede pública já em atividade --aliás, assim como 42 dos 48 cursos do tipo oferecidos no Brasil e autorizados pelo MEC (Ministério da Educação) a funcionar.
"O curso de Ciências vai formar professores para atuar, especificamente, da 5ª à 8ª série. É uma formação interdisciplinar, mais eclética que o normal", explica Carlos Alberto Dantas, mais conhecido como Caio Dantas, presidente do grupo de trabalho em Educação a Distância da USP. Atualmente, uma das maiores universidades públicas do país possui autorizações para promover, de forma não presencial, apenas cursos de pós-graduação latu sensu.
Apesar de ser a distância, o novo curso de Ciências da USP terá praticamente o mesmo currículo do tradicional, mas com noções de Biologia, Química e Física mais específicas. "Não é mais simples. Ele [curso a distância] também vai durar quatro anos e falar sobre as mesmas coisas, mas com o objetivo de instruir os professores a ensinar alunos dessa faixa etária", afirma Caio Dantas, ressaltando que o curso normal forma educadores para atuar da 1ª a 8ª série.
Primeiros passos
Como define o professor Caio Dantas, todo o projeto da universidade paulista ainda é "embrionário". "É preciso definir como será a conversão do material didático tradicional", destaca, afinal, as aulas acontecem por meio de fóruns na internet, troca de e-mail, apostilas com exercícios e até fitas de vídeo.
Além disso, é preciso capacitar professores para usar novas tecnologias, principalmente a web. "Como alguns docentes são os mesmos do curso tradicional, e alguns deles são mais velhos, o processo é demorado. A EAD (educação a distância) requer treinamento específico, e é trabalhoso criar uma linguagem para outros meios", continua Dantas.
Segundo o responsável pela EAD na USP, uma comissão se reúne periodicamente para discutir o projeto da graduação. A previsão é que ele seja apresentado ao MEC até o final do primeiro semestre de 2005.
"Queremos homogeneizar a qualidade dos cursos de EAD na USP. Até hoje, eles apareciam de forma espalhada, sem um modelo de referência", diz Dantas. A universidade paulista, atualmente, oferece quatro cursos de especialização: Gestão Empresarial Estratégica, Telecurso em Violência Doméstica Contra Crianças e Adolescentes, Introdução ao programa ABC na Educação Científica e Avaliação Audiológica (faculdade de Odontologia).
Por enquanto, ainda não foram fechados pontos importantes, como o modo de seleção dos alunos e quantas vagas serão abertas na primeira turma do curso. Porém, com base no que já prevê a legislação sobre a educação a distância, Dantas afirma ser possível definir algumas características das aulas. "Só aceitaremos pessoas que residam no Estado de São Paulo por causa da exigência do MEC de que pelo menos 20% das aulas sejam presenciais", afirma o professor. Assim, como a USP tem campi no interior paulista, por exemplo, ficaria fácil atender aos estudantes que moram longe da capital. Também está certo, segundo ele, que o curso será gratuito.
Exemplos
Mas enquanto a USP ainda engatinha na definição do perfil de seu primeiro curso de graduação a distância, outras universidades já têm programas bem delineados, como a UnB (Universidade de Brasília), a PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e a Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina).
Há também a Unifesp, mais conhecida como Escola Paulista de Medicina, que têm dois cursos de pós-graduação e ministra uma disciplina na graduação, e a UVB (Universidade Virtual Brasileira), instituição especializadas em aulas pela internet.
Porém, com abrangência muito maior e experiência incontavelmente mais larga em educação a distância estão as entidades de cursos de extensão e técnicos, nas mais variadas áreas. Entre os mais conhecidos estão o Senac, que oferece 51 cursos e já formou 400 mil pessoas; o Sesi; o Instituto Monitor e o Instituto Universal, que possui programas para aulas básicas, como bijuterias e moda.