Um ex-empregado da empresa Volkswagen do Brasil foi ofendido por seu supervisor que lhe dirigiu um e-mail com palavras humilhantes em razão da cor da pele e lhe negando a condição de humano. Sendo da responsabilidade da empresa os atos praticados por seus agentes em relação a todos os demais funcionários subordinados, a 12ª Vara do Trabalho de Brasília condenou esta semana a empresa a indenizar o ex-empregado em R$ 268 mil por danos morais.
Assedio moral no trabalho é mais comum do que as pessoas imaginam e esse tipo de atitude deve ser reprimida e combatida pelos líderes da empresa é o que diz a especialista em Marketing de Relacionamentos, Nelise Zymberg. A luta para recuperar a dignidade, a identidade, o respeito no trabalho e a auto-estima, deve passar pela organização de forma coletiva através dos representantes dos trabalhadores do seu sindicato, das CIPAS, das organizações por local de trabalho (OLP), Comissões de Saúde e procura dos Centros de Referencia em Saúde dos Trabalhadores (CRST e CEREST), Comissão de Direitos Humanos e dos Núcleos de Promoção de Igualdade e Oportunidades e de Combate a Discriminação em matéria de Emprego e Profissão que existem nas Delegacias Regionais do Trabalho.
Para Zymberg, que também trabalha com treinamento empresarial, os valores da empresa devem estar bem claros para todos os funcionários para que casos como este não aconteçam. “É necessário que os colaboradores acreditem nestes valores, que chamamos de cultura empresarial. Se a empresa prega que todos são iguais, independentemente da cor ou religião, acaba se criando essa consciência empresarial, não abrindo margem para que cada um haja da maneira como bem entender”.
Empresas
A especialista diz que as empresas precisam ter claros esses valores. “No processo de treinamento de novos colaboradores o valor, a missão e a visão da empresa devem ser repassados. Somente assim é que a empresa terá pessoas que respeitam as diferenças”. Para os colabores internos, a consultora destaca ações de endomarketing, que constantemente devem fazer parte da empresa. “É lamentável que casos como esse ainda aconteçam. O empresariado precisa entender que esses valores são importantes, pois representam a imagem da empresa perante o público consumidor. Os valores não devem estar escritos apenas em placas fixadas na parede, é preciso estar em ações realizadas no dia a dia”.
O combate de forma eficaz ao assédio moral no trabalho exige a formação de um coletivo multidisciplinar, envolvendo diferentes atores sociais: sindicatos, advogados, médicos do trabalho e outros profissionais de saúde, sociólogos, antropólogos e grupos de reflexão sobre o assédio moral. Estes são passos iniciais para conquistarmos um ambiente de trabalho saneado de riscos e violências e que seja sinônimo de cidadania.
Um ambiente de trabalho saudável é uma conquista diária possível na medida em que haja "vigilância constante" objetivando condições de trabalho dignas baseada no respeito 'ao outro como legítimo outro', no incentivo à criatividade, na cooperação.
Explicitação do assédio moral:
Gestos, condutas abusivas e constrangedoras, humilhar repetidamente, inferiorizar, amedrontar, menosprezar ou desprezar, ironizar, difamar, ridicularizar, risinhos, suspiros, piadas jocosas relacionadas ao sexo, ser indiferente à presença do/a outro/a, estigmatizar os/as adoecidos/as pelo e para o trabalho, colocá-los/as em situações vexatórias, falar baixinho acerca da pessoa, olhar e não ver ou ignorar sua presença, rir daquele/a que apresenta dificuldades, não cumprimentar, sugerir que peçam demissão, dar tarefas sem sentido ou que jamais serão utilizadas ou mesmo irão para o lixo, dar tarefas através de terceiros ou colocar em sua mesa sem avisar, controlar o tempo de idas ao banheiro, tornar público algo íntimo do/a subordinado/a, não explicar a causa da perseguição, difamar, ridicularizar.
Nelise dá dicas do que fazer quando houver situações de assedio moral:
• Resistir: anotar com detalhes todas as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
• Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
• Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.
• Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
• Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
• Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
• Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
• Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.