Como lidar com a insegurança criada pelos desafios da profissão, os problemas de relacionamento no trabalho, a auto-estima na empresa? Como entender se realmente é essa a missão a seguir na vida? É para ajudar na busca dessas respostas que o executive coach, profissional que atua desde os anos 90 nos Estados Unidos, vem ganhando cada vez mais espaço no mercado brasileiro.
As sessões de coaching têm o mesmo formato das terapias individuais. É um atendimento personalizado oferecido por empresas especializadas ou profissionais autônomos. Com 1h30 de duração em média, cada uma custa de R$ 400 a R$ 1.200, dependendo da evidência profissional do coach no mercado e das questões a serem trabalhadas. O processo costuma durar de 6 a 9 meses e a prática mais comum é começar com sessões semanais, depois de um mês passar a quinzenais e, depois, mensais.
“Não tem jeito de encurtar esse processo, pois quem entra nele é porque tem muita coisa para mudar e ninguém muda de uma semana para outra”, diz o coach Ossimar Mariano, que trabalha como autônomo. Ele explica que coaching é um processo terapêutico, mas não é terapia, pois, além de ter um tempo mais determinado, foca numa única questão.
“Outras questões de âmbito pessoal surgem, é claro, mas sempre com o objetivo de resolver aquela determinada”, continua Mariano. “Fazemos o papel do grilo falante no mundo executivo”, diz a coach Maria Lucia Pettinelli, da empresa Choice Consulting.
Para quem tem dúvida se o seu caso é procurar um coach, é bom saber que há vários públicos sendo atendidos por esses profissionais. Um deles atendeu um profissional que se sentia um zero à esquerda no mercado porque a mulher cresceu muito profissionalmente e atingiu um status mais elevado que ele. A crise repercutiu na profissão e o coaching veio propor a reflexão, visando solucioná-la.
Outro performer (nome de quem procura o executive coach) entrou em crise às vésperas da aposentadoria. Mas não há um perfil específico. Alguns querem mudar de carreira, outros entender as relações dentro da empresa, e há ainda aqueles que chegam à sessão dizendo que querem largar tudo e ir morar no meio do mato.
“O trabalho do coaching consiste em levantar, por meio de conversas, questionamentos que podem conciliar estes fatores de maneira harmoniosa, solucionando embates e questionamentos do performer”, explica o coach Jair Moggi, consultor e fundador do Instituto EcoSocial – instituição geradora de programas de Treinamento & Desenvolvimento.
Moggi lembra que nem sempre a forma como o executivo pensa ou sente o direciona para onde ele realmente quer chegar. “As sessões ajudam a solucionar questões de desempenho profissional que passam batido nas empresas. Muitas vezes me deparo com profissionais altamente competentes e com trajetórias impecáveis, mas que estão com resultados a desejar no dia-a-dia”, continua Moggi. “O objetivo do executive coaching é justamente fazer com que a pessoa identifique novos caminhos para continuar crescendo profissionalmente.”
“Costumo iniciar as sessões pedindo para o cliente dar notas a variadas áreas de sua vida. Esta é uma das maneiras básicas de propor algumas reflexões e identificar o que deve ser trabalhado”, diz Ossimar Mariano. Como é uma profissão nova no Brasil, o mais comum é encontrar especialistas vindos de outras carreiras.
Em geral, eles entendem de mudanças no rumo profissional por terem passado por algo assim. Mariano dava aulas de inglês havia 29 anos e tinha dois alunos que trabalhavam como coach. Um deles achou que o professor tinha tudo para ser seu colega de profissão. Veio ao encontro da necessidade que Mariano estava sentindo de ter mais uma atividade profissional.
Maria Lucia Pettinelli era engenheira de alimentos antes de começar a trabalhar com desenvolvimento de competências e construção de trajetórias de carreira. Também formada em administração, há dois anos atende como coach. Moggi é economista, advogado e mestre em administração de empresas pela FEA-USP, com especialização em Finanças e recursos humanos.