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O uso do EPI - Equipamento de Proteção Individual e a influência na produtividade da empresa

A questão que circunda a segurança sempre fez parte da pauta do ser humano. Desde os primórdios busca-se maneiras para se proteger, procurando minimizar os efeitos dos perigos inerentes às atividades da vida. Algo natural, porquanto o ser humano é portador do instinto de preservação...

Wellington balbo,
1 INTRODUÇÃO

 

A questão que circunda a segurança sempre fez parte da pauta do ser humano. Desde os primórdios busca-se maneiras para se proteger, procurando minimizar os efeitos dos perigos inerentes às atividades da vida. Algo natural, porquanto o ser humano é portador do instinto de preservação; instinto este que fala ao imo do seu Ser que é necessário se agasalhar contra as intempéries naturais da existência humana. Por isso mesmo o homem primitivo exprimia na caça algo muito além do que apenas a necessidade da alimentação que garantia sua subsistência. A atividade da caça era também uma forma de se proteger e buscar a segurança. A evolução das idéias e o conseqüente progresso embasou ainda mais a teoria de que o homem buscou e sempre buscará estar seguro, independentemente do contexto em que esteja inserido. No mundo contemporâneo o homem moderno está nas organizações, portanto é natural que busque essa segurança dentro das organizações.

É a própria história do mundo que narra isso. Muitos foram aqueles que se arvoraram na procura pela segurança. Paracelso no século XVI investigou algumas doenças ocupacionais, seu intento era demonstrar a necessidade de proteger o trabalhador, foi ele o primeiro a escrever uma monografia sobre o tema: trabalho e doença. Mais adiante a história conta sobre o notável italiano Bernardino Ramazzini, denominado o "Pai da Medicina do Trabalho", ele escreveu um livro sobre os riscos que algumas atividades profissionais oferecem à saúde do trabalhador. Quando procuravam Ramazzini para uma consulta, a primeira pergunta do médico ao paciente era: "Qual sua ocupação?". Uma alusão de que a atividade profissional influenciava decisivamente nas enfermidades das pessoas.

Contudo, não obstante aos esforços dos pesquisadores em estudar a razão das doenças nos trabalhadores, abreviando suas existências, um paradoxo se formava de forma triste e lamentável, principalmente no Brasil: enquanto alguns buscavam proporcionar segurança aos profissionais outros tomavam caminho oposto, e negligenciavam os mínimos cuidados pertinentes à segurança dos trabalhadores.

A realidade está impressa na forma de números. O Brasil é há muitas décadas um dos Campeões no quesito acidente de trabalho. O setor da indústria lidera esse ranking com 104 acidentes por hora. Números altos que redundam em gigantescos prejuízos de todos os níveis, inclusive de ordem da produtividade do profissional. Segurança, acidente de trabalho e produtividade são temas integrados e credores da mais absoluta atenção.

E para comprovar a informação de que segurança, acidente e produtividade são temas que estão interligados, realizamos uma pesquisa bibliográfica, apresentada no capitulo dois deste trabalho, a fim de demonstrar estudos já existentes sobre o tema e de fundamentar teoricamente o raciocínio da equipe de pesquisa. Este trabalho também é composto de uma pesquisa qualitativa descritiva, com aplicação de entrevista in loco, explicada no capitulo 6, onde foi utilizado do universo de funcionários da empresa Plasvipel Ltda EPP, pesquisa esta que foi realizada durante três dias consecutivos 8 , 9 e 10 de abril visando demonstrar que a segurança do trabalhador é de suma importância para aumentar sua produtividade. E nesse tocante o uso do EPI – Equipamento de Proteção Individual, influencia decisivamente na produtividade dos funcionários da empresa Plasvipel Ltda EPP.

Concluímos assim que a segurança é uma condição relevante para o desempenho de suas atividades de forma mais eficaz. Pode-se dizer que a obrigatoriedade de usar o EPI gerou no início mal estar, porquanto o EPI ocasiona algum incômodo para quem não está habituado a utilizá-lo. Mas é importante salientar que para a empresa e funcionários foi muito importante investir e insistir nessa política de segurança, o que acabou desembocando no aumento da produtividade de muitos funcionários, além de colaborar também para a melhoria na qualidade de vida.

Em nível acadêmico, esse trabalho objetiva oferecer subsídios para despertar interesse pela questão que envolve a saúde do trabalhador, sua segurança e a influência que esses fatores exercem na produtividade dos profissionais. A nível social esse trabalho tem como objetivo minimizar uma das maiores chagas sociais que são os acidentes de trabalho, onde muitas vidas são ceifadas pela negligência e pessoas saudáveis transformadas em enfermas da noite para o dia.

Para as empresas, principalmente as de pequeno porte, onde muitas vezes a cultura organizacional é incipiente, esse trabalho pretende demonstrar que é importante investir na segurança de seu maior ativo: o colaborador, e para isso é fundamental definir políticas claras de segurança, não prescindindo jamais dos benefícios proporcionados pela utilização do EPI.

2 ADMINISTRAÇÃO

Para entender o significado da palavra administração é necessário mergulhar além da interpretação da palavra, porquanto a ciência da administração sempre fez parte do cotidiano das pessoas, embora exista há somente duzentos anos. A ciência da administração foi muito utilizada na condução de instituições religiosas, exércitos, governos e cidades. Há 3.000 a C., na Mesopotâmia, os sumérios já demonstravam sua evolução utilizando os conceitos de administração com escrituração de operações comerciais. Em XXVI a C. os egípcios também demonstraram noções de organização e planejamento em suas notáveis construções. No século XII a C. a China traz a Constituição da Dinastia Chow e no século VIII a C. inicia-se o Império Romano que permanece por longo período no poder trazendo estruturas organizacionais bem formatadas. Os quatro princípios básicos da administração que são: planejamento, organização, execução e controle sempre estiveram presentes no mundo e foram de suma importância para a evolução da espécie humana. (MAXIMIANO, 2002)

A administração científica teve como precursor Frederick Taylor (1856-1915) que dava ênfase ao chão de fábrica. Taylor julgava ser possível otimizar a produção e alcançar maior eficácia se fosse prescrita uma forma mais coerente de se fazer a tarefa. Seus estudos eram baseados em quatro princípios: estudo das tarefas visando a melhor forma de fazê-las, seleção das melhores pessoas para as tarefas, treinamentos das mesmas nos métodos mais eficientes e incentivo monetário para os que desempenham as tarefas. No entanto, a administração científica não levava em consideração o aspecto humano, o trabalhador era considerado simples peça de um processo que objetivava otimizar a produção, obtendo maior eficácia, melhores resultados. O francês Henry Fayol (1841-1925) foi o criador da abordagem clássica. A abordagem clássica se diferenciava da administração científica: Fayol dava ênfase as questões organizacionais a partir do nível diretivo. Ele identificou alguns elementos básicos da administração, tais como: planejamento, organização, comando, coordenação e controle. Interessante notar que Taylor e Fayol se completam; enquanto um tem a visão do chão de fábrica o outro enxerga sob o prisma do nível diretivo. Inclusive é importante ressaltar: Fayol foi um visionário e antecipou a idéia de planejamento de longo prazo em muitas décadas. Ele entendia que decisões tomadas no presente condicionavam e moldavam os resultados futuros. Tanto a abordagem clássica de Fayol quanto a Científica de Taylor não entravam na questão envolvendo a preocupação com o trabalhador sua segurança e a relação entre segurança e produtividade (CARAVANTES; PANNO; KLOECKNER, 2007).

Um dos pioneiros na preocupação com a qualidade de vida do trabalhador foi Henry Ford (1863-1947). Ele mostrou-se além de seu tempo. Defendia a idéia de encarar os funcionários como seres humanos e não como máquinas. (FERREIRA; REIS; PEREIRA, 1999).

Inovador, Ford adotou a jornada de trabalho de oito horas e, graças ao aumento da produtividade e a explosão de vendas do automóvel, pôde pagar salários mais altos aos funcionários, o que redundou na melhoria da qualidade de vida de seus colaboradores que pularam da classe pobre para a classe média. (As 50 maiores)

Ford não pensava somente nos lucros, mas também na segurança de seus trabalhadores, ao reduzir a jornada de trabalho provou acreditar que segurança, qualidade de vida e produtividade são temas que estão inter relacionados.

Elton Mayo (1880-1949) também foi um estudioso consciente quanto a importância do trabalhador dentro dos processos da empresa. Foi graças as experiências efetuadas em Hawthorne que nasceu a Teoria das Relações Humanas. A famosa experiência de Hawthorne tinha como objetivos estudar a fadiga, os acidentes e também a alta rotatividade de funcionários. Percebe-se na obra de Mayo uma constante preocupação com o ser humano envolvendo fatores emocionais. Muitos dos temas que estão em voga hoje, tais como, levantamento de atitudes, tomada de decisão participativa e os sistemas de remuneração baseados no trabalho em equipe foram advindos da experiência em Hawthorne (ROBBINS, 2002).

Abraham Maslow (1908-1970) formou-se em psicologia e se dedicou a estudar o ser humano até o final de sua existência. Maslow definiu as necessidades humanas em cinco grupos, assim descritos: necessidades básicas, necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidades de estima e necessidades de auto realização. Maslow situou a necessidade de segurança como a segunda na hierarquia. Segundo Maslow as pessoas têm necessidade de se sentirem seguras e, por isso tentam se proteger contra as ameaças. No mundo de hoje as ameaças para a segurança humana são das mais variadas, vão desde o receio de perder o emprego até ao medo de ser agredido fisicamente (ROBBINS, 2002).

Fato é que a segurança é um fator constantemente buscado pelas pessoas. Os membros das organizações naturalmente procuram encontrar nas empresas a segurança, tanto social, como física e também psíquica. Por isso é mister que as empresas se antenem para a questão que envolve a segurança de seus colaboradores, e então supram essa necessidade, visando estabelecer laços de confiança, que são os fios condutores do progresso e do crescimento.

3 SEGURANÇA DO TRABALHO E ACIDENTE DE TRABALHO

A segurança em todos os seus aspectos sempre foi buscada pelo homem. Nos relacionamentos afetivos busca-se segurança, nas amizades também, os filhos vêem na figura dos pais o porto seguro, a segurança. Os animais também buscam essa segurança, são as leis que regem a vida controlando a natureza, os seres irracionais e racionais trazem consigo o chamado instinto de conservação, que nada mais é do que mecanismos que lhes possibilitam viver com mais segurança fugindo dos perigos naturais impostos pela vida. Ou seja, a segurança é intrínseca e inerente às criaturas. Nos primórdios da humanidade, quando a razão e a inteligência tinham um pequeno desenvolvimento, o homem também procurava se proteger de seus predadores, ou seja, buscava a segurança. A própria atividade da caça era uma forma de segurança porque correspondia a necessidade básica da alimentação. Portanto, nada mais natural do que procurar também essa segurança na atividade profissional, porque só se sentindo seguro para desenvolver suas atividades é que o trabalhador produzirá mais e melhor, gerando riqueza à empresa e também à sociedade onde está inserido.

Segurança do trabalho é o conjunto de medidas técnicas, educacionais, médicas e psicológicas utilizadas para prevenir acidentes seja eliminando condições inseguras do ambiente, seja instruindo ou convencendo as pessoas da utilização de práticas preventivas (CHIAVENATO, 2004, p. 352).

A segurança e medicina do trabalho no Brasil são definidas por normas e leis regulamentadas, que se compõem de normas regulamentadoras, normas regulamentadoras rurais, leis complementares, decretos e etc. A segurança do trabalho nas empresas é composta por médicos do trabalho, enfermeiros do trabalho, engenheiro de segurança e técnicos de segurança, esses profissionais compõem o SESMT - Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. Além disso, na colaboração para que a segurança do trabalho na empresa seja maior e ocorra a redução no número de acidentes de trabalho, existe a CIPA que é formada pelos próprios funcionários, seu significado é: Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, como o próprio nome define, a função da CIPA é prevenir e tornar mais adequada as condições de trabalho proporcionada aos funcionários (MIRANDA 1998).

As empresas são obrigadas a constituir a CIPA a partir do grau de risco que sua atividade oferece a integridade física do profissional. Empresas que na classificação estão inseridas dentro do contexto de risco 1 obrigatoriamente terão a necessidade de constituir CIPA quando empregarem mais de 500 funcionários, as que estão dentro dos padrões de risco 2 a CIPA será formada a partir de 50 funcionários, e finalmente, as empresas com risco 3 e 4 terão a formação da CIPA a partir de 20 funcionários. A CIPA deverá ser representada por membros de todos os setores da empresa, e principalmente por aqueles setores onde os riscos à integridade física do profissional são maiores. A nomeação do presidente da CIPA fica sob a responsabilidade do empregador, o vice presidente é escolhido pelos funcionários da empresa por meio de eleição, o nome do secretário é escolhido de comum acordo entre direção da empresa e funcionários. Cabe ao empregador promover o treinamento de todos os membros da CIPA para a prevenção de acidentes de trabalho, a carga horária do treinamento deve atingir pelo menos 18 horas em horário de expediente da empresa. Os membros da CIPA têm obrigação de se reunir mensalmente para a reunião e tratar de assuntos pertinentes à prevenção de acidentes de trabalho, sendo que todos os assuntos discutidos constarão da ata de reunião. Em caso de acidentes ou risco à integridade física dos profissionais, o presidente da CIPA terá de convocar reunião extraordinária para que sejam tratados e solucionadas as pendências. As incumbências da CIPA são: I – verificação dos locais de risco e adoção de medidas preventivas. II – Investigar a causa dos acidentes de trabalho e sugerir modificações, encaminhando-as ao SESMT e ao empregador. III – Elaborar o mapa de risco da empresa. IV – Conhecer os programas de saúde e divulgá-los, tornando-se interprete dos funcionários na busca por maior segurança no trabalho. V – Zelar pelas normas de segurança, observando se os funcionários utilizam o EPI corretamente, por exemplo. VI – Promover cursos e treinamentos, como, por exemplo, a famosa SIPAT – Semana Interna de Prevenção aos Acidentes de Trabalho, porquanto estas práticas despertam outros funcionários a adotarem uma postura mais coerente e segura no desempenho de sua funções. Alguns representantes de movimento sindical querem dar mais autonomia à CIPA, transformando-a em comissão de saúde, sendo assim detentora de maiores poderes para interferir nos processos de trabalho (MIRANDA 1998).

A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA – é uma imposição legal, cujo texto da CLT é: "Art. 163 – Será obrigatória a constituição da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA - , de conformidades com instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos ou nos locais de obra nelas especificadas. Parágrafo único – O Ministério do Trabalho regulamentará as atribuições, a composição e o funcionamento das CIPAs (CARVALHO E NASCIMENTO, 2004, p. 315).

Definido o que é segurança do trabalho, se faz também importante explicar o que é acidente de trabalho.

Acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício de trabalho a serviço da empresa provocando lesão corporal ou perturbação que cause morte, perda ou redução da capacidade para o trabalho permanente ou temporário, nos termos dos artigos 138 a 177 do Regulamento dos Benefícios da Previdência Social (MIRANDA, 1998, p. 46).

Pesquisadores franceses desenvolveram o método "árvore de causas" dos acidentes de trabalho, este método é utilizado pela OIT – Organização Internacional do Trabalho. É uma investigação que tem como objetivo estudar as causas de risco que levaram ao acidente, e assim evitar a ocorrência de novos acidentes. O estudo baseia-se em estudar detalhadamente os fatores envolvidos no acidente e, a semelhança de uma máquina do tempo, fazer o caminho que outrora foi percorrido até desembocar no momento do acidente. Ao fazer o estudo dos fatores antecedentes, arquiteta-se a rede de antecedentes, e a partir dela constrói-se o que é chamado de "árvore de causas". Para que o acidente de trabalho ocorra é preciso existir pelo menos uma variável paralela à circunstância habitual (MIRANDA,1998).

No caso de ocorrer o acidente de trabalho a empresa deve se reportar à Previdência Social e emitir um CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho. Isso deve ser feito até o primeiro dia útil do mês da ocorrência. Em caso de óbito do trabalhador a comunicação deve ser feita à autoridade policial. Importante lembrar que o acidentado e o sindicato deverão receber uma cópia fiel do CAT (MIRANDA, 1998).

Se houver omissão por parte da empresa em emitir o CAT, sua emissão pode ficar a cargo do sindicato, do empregado ou mesmo do médico que o atendeu. O acidente de trabalho deverá ser caracterizado administrativamente e tecnicamente:

Administrativamente: se reportar ao setor de Benefícios do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Tecnicamente: através de perícia médica realizada pelo INSS.

Os direitos do acidentado e seus dependentes são: auxílio doença, auxílio acidente ou aposentadoria por invalidez, estes para o acidentado. Em caso de óbito do trabalhador será paga pensão ao dependente (MIRANDA, 1998).

A doença profissional, o acidente de trajeto e a doença do trabalho, para efeito previdenciário, também foram incorporados ao acidente de trabalho. A doença profissional é diferente da doença de trabalho e do acidente de trajeto. A doença profissional é aquela produzida pela execução de um trabalho com características próprias. Já a doença de trabalho é aquela produzida por condições especiais onde o trabalho é realizado. O acidente de trajeto é aquele sofrido no percurso – casa trabalho, ou trabalho casa, não importando o meio de locomoção que o trabalhador utilizou para fazê-lo, e o acidente típico é aquele que ocorre no desenvolvimento do próprio trabalho (MIRANDA, 1998).

Um breve histórico sobre o assunto concernente à segurança do trabalho e os acidentes de trabalho mostra que, desde há milênios, quando começou a desenvolver as atividades necessárias a sua subsistência o homem se viu as voltas com os acidentes de trabalho. Há quatro séculos antes de Cristo, Hipócrates, considerado o Pai da Medicina, estudou algumas moléstias envolvendo mineiros e metalúrgicos. Plínio, O Velho, que viveu antes de Cristo fez menção à moléstias no pulmão de alguns mineiros, e falou sobre o envenenamento proveniente das atividades que eram desenvolvidas com ferro e zinco. Paracelso investigou doenças ocupacionais no século XVI. Aliás, Paracelso em 1697 foi o autor da primeira monografia que versava sobre o assunto: trabalho e doença. Em 1700, na Itália, Bernardino Ramazzini costumava perguntar aos seus pacientes: "Qual sua ocupação?". Uma clara demonstração de que o tipo de trabalho de seu paciente influenciava decisivamente em sua enfermidade. O médico Ramazzini é considerado o "Pai da Medicina do Trabalho". Publicou no ano de 1700 um livro que se repercutiria pelo mundo todo, seu nome: ""De Morbis Artificum Diatriba", uma obra notável que trata de 100 profissões distintas e o risco que cada uma oferece à saúde do trabalhador. (MENDES, 1980).

Percebe-se, portanto, que desde muito tempo o homem descobriu a correlação existente entre: segurança, acidente de trabalho e os efeitos que estes causam na saúde do trabalhador.

Porém, embora as pesquisas que tocam no assunto acidente de trabalho sejam antigas nem sempre medidas preventivas ou básicas de segurança foram tomadas. No Brasil, por exemplo, a primeira lei de acidente de trabalho surgiu no ano de 1919, contudo, falava somente sobre risco profissional. Não se reportava a seguro obrigatório, mas previa o pagamento de uma indenização ao trabalhador, e também as despesas médicas e hospitalares ficavam sob a responsabilidade do empregador. Muitas lutas por parte dos trabalhadores foram empreendidas no sentido de melhorar as condições de segurança do trabalhador, mas pouco foi conseguido nessa época. Não havia uma conscientização de que a segurança do trabalhador era importante e influenciava também na produtividade da empresa. Nos anos 1960, o Brasil recebeu a infeliz alcunha de "Campeão nos Acidentes de Trabalho". As mudanças precisavam ser realizadas com urgência, por isso os conceitos de prevenção e higiene ocupacional ganharam algum impulso, contudo somente no final dos anos 1970 é que o Brasil foi ter uma legislação melhor formulada, entretanto o desgaste internacional já havia ocorrido. Com a formulação de leis que fiscalizam com maior rigor as condições de trabalho há a diminuição no número de acidentes pelo simples motivo de a segurança oferecida ao trabalhador ser maior (MIRANDA, 1998).

Mas é relevante reforçar que, ainda nos dias de hoje o Brasil se encontra longe do ideal, na verdade, ainda faz jus à alcunha que recebeu nos anos 1960 "Campeão em Acidentes de Trabalho".

Hoje está vigente a lei de nº 8.213 de 24 de julho de 1991 e posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 611 de 21 de julho de 1992. Essa legislação informa que além de a empresa se responsabilizar pela proteção coletiva e individual do trabalhador, também deve contribuir com a complementação das prestações por acidentes de trabalho proporcionalmente ao grau de risco de acidentes de trabalho correspondente à sua atividade econômica. Os percentuais incidentes sobre o total das remunerações pagas no decorrer do mês, equivalem a 1% para o grau de risco leve, a 2% para o grau de risco médio e a 3% para o grau de risco grave (MIRANDA, 1998, p. 46).

É importante salientar que fatos negativos envolvendo um país causam grande desgaste em sua imagem, e desgaste na imagem equivale a queda de conceito na avaliação de outros países. Essa queda no conceito do país perante outros países reflete-se em sua economia e, conseqüentemente afeta todos os setores, Comércio, Indústria e Serviços, causando, inclusive, impacto na produtividade da empresa. (SAÚDE, 2008).

Nesse tocante é mister destacar que o setor da Indústria no Brasil lidera os acidentes de trabalho. No ano de 2005 em 491.711 ocorrências de acidentes de trabalho 229.114 ficarão nas mãos da indústria. São três acidentes de trabalho para cada 100 trabalhadores, a cada hora trabalhada na indústria ocorrem 104 acidentes de trabalho (AGÊNCIA SEBRAE 2008).

Números muito altos prejudicam a produtividade e também a economia não apenas das indústrias, mas sim de todo o país (AGÊNCIA SEBRAE 2008).

Por isso, fácil entender que a segurança do trabalho é, notadamente, uma das causas que influenciam decisivamente no aumento ou diminuição da produtividade das empresas.

Os acidentes de trabalho são verdadeira chaga social, eclodindo na economia de forma a complicar a produtividade das empresas, por isso é mister utilizar como estratégia a implantação de sistemas de segurança e saúde no trabalho.

Para alertar as empresas em relação ao impacto negativo que os acidentes de trabalho causam à produtividade da empresa, uma cartilha foi elaborada pelo SEBRAE em parceria com o SESI, informando que os acidentes de trabalho geram grandes conseqüências negativas para empregador e empregado. Os custos para a empresa são altos, envolvendo o pagamento de salário dos primeiros 15 dias ao trabalhador acidentado, a paralisação do setor e da produção, comoção do grupo pelo acidente e também despesas referentes a atendimento médico de urgência e etc. (AGÊNCIA SEBRAE, 2008).

Portanto, cuidar da segurança do trabalhador é uma atitude inteligente, coerente, que evita dissabores e proporciona um aumento na produtividade do trabalho, e este aumento reverte-se na forma de lucros não apenas à empresa, mas também aos trabalhadores e a todos que estão envolvidos dentro do processo, inclusive a sociedade (Carvalho e Nascimento, 2004).

Corrobora com essa afirmação a explicação de Carvalho e Serafim (2004), eles situam o fato de o trabalhador não gozar de boa saúde como uma das principais causas que denotam uma baixa produtividade do trabalho. Entretanto, o Brasil é ainda incipiente no assunto que versa sobre a segurança do trabalho. Os números indicando o alto número de acidentes de trabalho refletem essa realidade de forma inquestionável:

Quadro 1- Acidentes no Brasil

FONTE: INSS

Mudar esse paradigma se faz urgente. Porém, no Brasil ainda prevalece uma cultura imediatista, que visa resultados em curto prazo. Quem emprega e visa somente números se esquece de fatores fundamentais, como, por exemplo, a segurança do trabalhador. Empregadores imediatistas e que visam somente números são os grandes responsáveis pelo Brasil ainda trazer índices alarmantes no assunto que versa sobre os acidentes de trabalho.

A grande questão é que algumas empresas deixam de se atentar para o fato de que a segurança do trabalhador, em todos os níveis, afeta substancialmente sua capacidade produtiva. Como a empresa pode querer uma alta produtividade se inexistem condições adequadas para o trabalhador desenvolver suas atividades?

Importante se atentar para o fato de que: segurança de trabalho, acidente de trabalho e produtividade são fatores que estão intimamente ligados.

Diante de fatos negativos que envolvem o Brasil e a pouca importância que se dá à questão da segurança do trabalhador é relevante estudar as razões fundamentais que ocasionam tantos acidentes de trabalho. O que causam os acidentes?

Segundo Dessler (2005 p. 383) "Os acidentes ocorrem por três razões principais: acaso, condições inseguras de trabalho e ações inseguras por parte dos funcionários.".

E desses três fatores as condições inseguras são o fator primordial para a causa dos acidentes.

Alguns exemplos das condições de trabalho inseguras são: equipamento sem proteção adequada, equipamento defeituoso, estoque inseguro, acúmulo ou sobrecarga, iluminação inadequada e ventilação inadequada. Para uma maior segurança do funcionário é necessário eliminar ou diminuir as condições inseguras. (DESSLER, 2005).

E como diminuir as condições inseguras e proporcionar maior segurança aos trabalhadores?

Psicólogos têm pesquisado e desenvolvido métodos para averiguar quais pessoas têm maior tendência para causar acidentes. A técnica consiste em descobrir a característica humana que pode ser o fator que impera para a ocorrência de acidentes em determinado cargo. Nessa pesquisa desenvolvida por psicólogos estão: teste de estabilidade emocional e de personalidade, medidas de coordenação muscular, teste de habilidades visuais, seleção genética e seleção de funcionários. (DESSLER, 2005).

Teste de estabilidade emocional e de personalidade. Testes psicológicos – especialmente de estabilidade emocional – são usados, por exemplo, para identificar motoristas de táxi que tenham tendência a causar maior número de acidentes. Descobriu-se que motoristas de táxi que cometiam cinco ou mais erros nesses testes sofriam em média três acidentes, enquanto aqueles que cometiam menos do que cinco erros sofriam uma média de apenas 1,3 acidentes.

Medidas de coordenação muscular. A boa coordenação pode prevenir acidentes. Testes apontaram que funcionários com baixa coordenação têm mais possibilidades de causarem acidentes de trabalho.

Teste de habilidades visuais. A boa visão, obviamente tem papel fundamental na prevenção de acidentes. Descobriu-se que pessoas com dificuldades visuais têm maiores chances de causar acidentes. Por isso é importante uma boa comunicação visual, com cartazes legíveis e com bom tamanho para a visualização dos funcionários.

Seleção genética. A seleção genética também é proposta para a prevenção de acidentes. Essa abordagem usa testes genéticos e baseia-se na crença que existem diferenças na sensibilidade à exposição a produtos tóxicos entre os indivíduos – em outras palavras, algumas pessoas seriam geneticamente mais sensíveis a poluentes químicos do que outras, por exemplo. Os testes genéticos poderiam fornecer informações que serviriam para prever o estado de saúde do indivíduo no trabalho.

Seleção de funcionários. Especialistas sugerem que se façam perguntas relacionadas à segurança durante a entrevista de seleção – por exemplo, "o que você faria se visse um colega trabalhando de forma insegura?" ou "o que você faria se seu supervisor lhe desse uma tarefa, mas não explicasse como desempenhá-la com segurança?" (DESSLER, 2005).

O teste referente a seleção de funcionários conquista grande importância para que se tenha um trabalhador consciente, sabedor que a sua segurança no trabalho depende de uma postura proativa e não passiva de sua parte. O problema da não utilização do EPI, por exemplo, pode ser dividido em duas partes: omissão por parte do supervisor em fornecer o equipamento de segurança e negligência do funcionário com sua própria segurança.

O teste da avaliação do funcionário, portanto, pode eliminar esse problema, porque mesmo havendo a omissão por parte do supervisor em fornecer o EPI, o indivíduo terá a consciência de se proteger solicitando à direção da empresa ou ao próprio supervisor para que seja providenciado o EPI.

No assunto envolvendo a segurança do trabalho é relevante também citar a Ergonomia, conhecida como "Engenharia dos Fatores Humanos". A Ergonomia é o processo que busca formas melhores de o trabalhador desenvolver suas atividades, seu objetivo é reduzir o máximo possível o esforço realizado para manusear os materiais, tais como: máquinas, ferramentas e equipamentos. Alguns exemplos de risco ergonômico são: levantamento de peso, ritmo excessivo de trabalho, repetitividade, postura inadequada e etc. (CARVALHO E NASCIMENTO, 2004).

A empresa tem por obrigação ficar sempre atenta na questão que envolve a segurança do trabalhador. A consciência de que o trabalhador é seu maior ativo faz despertar para a relevância de se prevenir acidentes e evitar acidentes.

Portanto, oferecer treinamentos constantes é também uma forma de prevenir e reduzir o número de acidentes. Os novos funcionários, ainda não habituados com a cultura da empresa, necessitam nesse tocante de uma atenção maior por parte das lideranças e dos funcionários mais experientes (DESSLER, 2005).

Além desses procedimentos realizados visando proteger contra acidentes de trabalho e reduzir as condições inseguras, cabe à empresa e seus líderes trabalhar de forma a tornar clara sua política de segurança. Os funcionários precisam saber que o EPI é uma forma das mais úteis de proteger os trabalhadores contra os riscos inerentes à sua atividade. E a importância da utilização do EPI é uma tarefa que compete à empresa demonstrar aos funcionários, apresentando números, índices e indicativos que comprovam a eficácia do EPI, deixando clara sua postura organizacional no assunto que versa sobre a segurança do trabalho, porque é fato sabido: muitos acidentes de trabalho refletem uma empresa sem comando e negligente com seus próprios colaboradores. As novas tendências apontam para a valorização humana, importante então que essa valorização humana comece do começo, ou seja, pela segurança do trabalhador. A empresa deve estar atenta se o profissional está em ritmo excessivo e sobrecarregado de atividades, se está com problemas particulares, psicológicos ou físicos e etc. Uma empresa que prima pela segurança de seu colaborador está em realidade trabalhando para si mesma e sua perpetuação no mercado, porque quanto menor for o número de acidentes de trabalho, certamente maior será sua produtividade, e, nunca é demais reforçar que o EPI tem papel fundamental na segurança do profissional.

4 EPI - EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL.

A sigla EPI significa: Equipamento de Proteção Individual. O EPI é um dos recursos mais eficazes para proteger a integridade física do trabalhador. Embora seu uso seja muitas vezes considerado desconfortável, sua utilização é imprescindível para a segurança do trabalhador, e dentro da questão que circunda a segurança não se pode deixar de destacar a qualidade de vida, a motivação e a satisfação de executar a função como fatores primordiais para o aumento da produtividade, objeto direto de nosso estudo no presente trabalho. Nesse tocante, a utilização do EPI por parte do profissional faz a diferença aumentando ou diminuído a qualidade de vida e a motivação de desempenhar suas funções, o que desemboca em uma maior ou menor produtividade. O profissional, por exemplo, que trabalha exposto aos ruídos e não utiliza o EPI, que no caso em questão são os Protetores Auditivos, terá sérios problemas relacionados à audição. Sua qualidade de vida diminuirá, seu prazer em trabalhar também, conseqüentemente a produtividade desse profissional será mais baixa do que a dos demais.

Inicialmente, deve ser dito que o Equipamento de Proteção Individual – EPI - , pode ser definido como todo equipamento de uso pessoal cuja finalidade é proteger a saúde ou integridade física do trabalhador da exposição a agentes físicos, químicos, mecânicos ou biológicos porventura existentes no ambiente de trabalho (GONÇALVES, 2000, p. 136).

O EPI deve ser fornecido ao funcionário quando for constatada a ineficácia do EPC – Equipamento de Proteção Coletiva (MIRANDA 1998).

Antes de ser abordado o EPI e suas nuances é relevante discorrer sobre o EPC. Como o próprio nome diz o EPC é destinado a proteger a coletividade na empresa, alguns exemplos de EPC são: extintores de incêndio, sinalização de segurança e a proteção de partes móveis de máquinas e equipamentos (MIRANDA, 1998).

Entretanto o objetivo do trabalho não é dar detalhes sobre o EPC, mas sim abordar com maior profundidade os EPIs.

O Equipamento de Proteção Individual - EPI, tem sua utilização regulamentada pelo Ministério do Trabalho, em sua norma NR– 06. Todo EPI só poderá ser colocado à venda quando receber o CA – Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho. De acordo com o Art. 166 da Consolidação das Leis do Trabalho, toda a empresa é obrigada a fornecer gratuitamente o equipamento de proteção individual adequado ao risco da atividade que será desempenhada, e em perfeitas condições de uso (GONÇALVES, 2000).

Mas funcionários e fabricantes, naturalmente, também têm suas responsabilidades em relação ao equipamento de proteção individual.

Abaixo seguem relacionadas as obrigações do empregador, empregado e fabricante quanto ao EPI, visando tornar maior a segurança para o trabalhador, proporcionando assim as condições necessárias para o pleno desempenho de suas atividades profissionais.

As obrigações do empregador são: adquirir o EPI adequado para a atividade que o funcionário irá desempenhar, fornecer ao funcionário apenas o EPI aprovado pelo MTE e possuidor do (CA) Certificado de Aprovação. Proporcionar treinamentos ao funcionário orientando a correta utilização do EPI, tornar o seu uso uma obrigação, substituir o EPI em caso de danos do material, responsabilizar-se pela sua manutenção e comunicar aos órgãos responsáveis qualquer irregularidade no material. As obrigações do empregado são: usar o EPI apenas para sua real finalidade, guardá-lo em local conveniente, comunicar ao empregador qualquer problema com ou alteração que impeça seu uso correto. Dentre as obrigações dos fabricantes estão: comercializar e vender somente o EPI portador de CA – Certificado de Aprovação, renovar o CA, além do Certificado de Registro de Fabricante, manter a mesma qualidade do EPI aprovado pelo que originou o CA e requerer novo CA quando realizada alguma alteração no equipamento (GONÇALVES, 2000).

Conservando essas observações e cada um respondendo por suas responsabilidades, certamente as condições de trabalho para o funcionário serão de segurança, proporcionando a ele tranqüilidade para desempenhar com maior eficiência e eficácia suas funções. Naturalmente que ao sentir-se seguro e amparado a produtividade do funcionário aumentará.

O Serviço especializado em engenharia de segurança e medicina do trabalho é responsável pela indicação técnica do melhor EPI a ser utilizado pelo empregador. Se na empresa não houver o serviço especializado em segurança e medicina do trabalho, essa incumbência cabe à CIPA, entretanto, se ainda assim a empresa for dispensada de ter CIPA, essa indicação cabe ao empregador, porém, observando orientações técnicas especializadas. Todas as responsabilidades referentes ao EPI, no tocante ao exame, adaptações, modificações e aprovações, assim como certificações em órgãos federais, estaduais e municipais está a cargo do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE – através da Secretária de Inspeção do Trabalho, ouvido o Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho – DSST/MTE (GONÇALVES, 2000).

O MTE informa que a partir de 14 de abril de 2008 todos os fabricantes de EPIs terão que enviar fotos dos mesmos para estas permanecerem anexadas aos processos. Se esta observação não for respeitada a empresa não conseguirá a renovação do CA (MTE, 2008).

Os equipamentos de proteção individual são: proteção para a cabeça, proteção para os membros superiores, proteção para os membros inferiores, proteção contra quedas com diferença de nível, proteção auditiva, proteção respiratória, proteção de tronco, proteção do corpo inteiro e proteção da pele Abaixo segue um explicativo informando com maiores detalhes a proteção proporcionada por cada EPI citado (GONÇALVES, 2000).

Proteção para a cabeça: protetores faciais que visam proteger contra acidentes nos olhos, nas faces e respingos de produtos químicos. Óculos de segurança que protegem contra respingos, poeiras e radiações perigosas. Máscaras para soldadores, capacetes de segurança, agentes metereológicos (GONÇALVES, 2000).

Fig. 1- Óculos de Segurança

FONTE: Dutra Máquinas

Proteção para os membros superiores: luvas, mangas de proteção e cremes protetores devem ser utilizados para evitar lesões (GONÇALVES, 2000).

Fig. 2- Luva

FONTE: Dutra Máquinas

Proteção para os membros inferiores: calçados de proteção, calçados impermeáveis, perneiras de proteção (GONÇALVES, 2000).

Fig.3- Bota

FONTE: Dutra Máquinas

Proteção contra quedas com diferença de nível: cinto de segurança, cadeira suspensa para trabalho em alturas que haja a necessidade de deslocamento vertical. Trava queda de segurança acoplado ao cinto de segurança (GONÇALVES, 2000).

Fig. 4- Cinto de Segurança

FONTE: Dutra Máquinas

Proteção auditiva: protetores auriculares (GONÇALVES, 2000).

Fig. 5- Protetor Auricular

FONTE: Dutra Máquinas

Proteção respiratória: respiradores contra poeiras e produtos químicos, máscaras, respiradores e máquinas de filtro químico, aparelhos de isolamento para locais de trabalho onde o teor de oxigênio é inferior a 18% em volume (GONÇALVES, 2000).

Fig. 6- Máscara Respiratória

FONTE:Dutra Máquinas

Proteção do tronco: aventais, jaquetas e capas (GONÇALVES, 2000).

Fig. 7- Avental

FONTE: Dutra Máquinas

Proteção do corpo inteiro: aparelhos de isolamento para locais de trabalho onde haja à exposição a agentes químicos, absorvíveis pelas vias respiratórias e digestivas (GONÇALVES, 2000).

Fig. 8- Proteção Para o Corpo Inteiro

FONTE: Dutra Máquinas

Proteção da pele: cremes protetores (GONÇALVES, 2000).

Fig. 9 Proteção Para as Mãos

Fonte: Dutra Máquinas

Importante salientar que os cremes protetores só poderão ser utilizados após o certificado de aprovação concedido pelo Ministério do Trabalho (GONÇALVES, 2000).

As grandes empresas há muito tempo estão cientes de que a utilização do EPI é de fundamental importância para a segurança do funcionário, e que também sua utilização ou não, influencia e muito na produtividade. Por isso tratam de deixar claro sua política em relação à segurança do trabalho. Além de proporcionarem aos funcionários o EPI, fiscalizam se estes estão em boas condições, promovem treinamentos, palestras e cursos visando prevenir e diminuir o número de acidentes de trabalho. O grande problema da utilização do EPI está nas pequenas empresas, obviamente que há exceções, todavia, empresas pequenas e micro empresas têm menor preocupação com a questão que envolve o funcionário e os acidentes de trabalho. Essas empresas não têm uma cultura organizacional bem definida, e com freqüência o funcionário, por considerar desconfortável o uso do EPI e não estar certo de que este lhe protege em sua atividade, deixa de utilizá-lo. Mudar esse paradigma é importante para que as empresas protejam seus funcionários e também alcancem uma melhoria em sua produtividade, através da segurança.

5 PRODUTIVIDADE

O visionário Peter Drucker afirma que a produtividade é o acontecimento social mais importante nos últimos 100 anos. Países como a Coréia do Sul, por exemplo, que até 1955 eram atrasados em termos de desenvolvimento econômico, conseguiram alguma melhora em 20 anos por intermédio da produtividade. O tempo para um país se desenvolver era de aproximadamente 50 anos. Percebe-se que a Coréia do Sul desenvolveu-se em vinte anos graças ao advento da produtividade (DRUCKER, 2002).

Por isso, torna-se importante definir o que é produtividade, já que ela – a produtividade, vem sendo, notadamente, um fator de desenvolvimento econômico dos países, fazendo com eficácia a ponte que separa pobreza e riqueza de uma nação.

Define-se produtividade do trabalho como um processo contínuo que extrai do funcionário motivado sua maior capacidade, visando obter melhores resultados com mínimo de tempo e esforço despendidos para as tarefas. (CARVALHO E SERAFIM, 2004).

O fator humano é fundamental à maximização da produtividade de bens e serviços, importante nesse tocante a constante atualização e treinamento do profissional para que a produtividade seja algo além de um processo, constituindo-se em um estado de espírito. (CARVALHO E SERAFIM, 2004).

A produtividade extrapola o limite do simples produzir mais, pois nela está contida a mentalidade da evolução, do não ao comodismo e da busca pela melhoria. O processo de aperfeiçoamento que impõe a produtividade é a mola propulsora que faz descobrir novos procedimentos e formas de aperfeiçoar ou executar determinadas tarefas.

Aumentar a produtividade significa, portanto, realizar mais com menos, ou tornar uma tarefa mais eficiente com as mesmas condições e recursos. (CARVALHO E SERAFIM, 2004).

Diante do que é produtividade do trabalho e da necessidade de aumentá-la, se faz necessário combater algumas das causas que se constituem em fatores causadores da baixa produtividade do trabalho, e também mostrar os fatores que originam o aumento da produtividade.

Dentre as causas da baixa produtividade do trabalho pode-se destacar: o profissional não gozar de boa saúde, estar carente de suas necessidades vitais básicas, não gostar do ambiente de trabalho, sentir dificuldade no relacionamento com algum colega de trabalho. Dentre as causas de aumento da produtividade do trabalho pode-se destacar: quantidade e qualidade dos recursos materiais disponíveis, tais como: ferramentas, equipamentos, matérias primas e etc. (CARVALHO E SERAFIM, 2004).

O SEBRAE São Paulo (Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas) confirma a explicação de Carvalho e Serafim, dando ainda mais ênfase à importância do bom ambiente no trabalho para uma melhor produtividade.

Fatores como um local de trabalho arejado e a segurança proporcionada ao profissional são fundamentais para o aumento da produtividade. Porém, a questão não pára por ai. O SEBRAE toca em um ponto significativo e que deve andar ao lado da produtividade: a qualidade.

Conforme ensina Maximiano (2002, p. 177) " qualidade é o melhor que se pode fazer, o padrão mais elevado de desempenho em qualquer campo de atuação.".

Quem informa as diretrizes de qualidade é o cliente. E as empresas devem estar antenadas a essa realidade, procurando por intermédio de ferramentas, estudos e também da ação tecnológica, produzir mais por menos sem prescindir da qualidade. Dentro deste contexto das empresas brasileiras enquadra-se o conceito Deming de transformação por meio da qualidade da administração. São 14 pontos do princípio Deming, assim colocados: I – Os propósitos devem ser constantes e as metas são tornar-se competitivo e criar empregos. II – Despertar para desafios e responsabilidades, assumindo a condução no processo de produção. III – Eliminar a inspeção em massa e inserir a qualidade no produto, em todas as suas etapas. IV – Esqueça a aprovação de orçamentos tendo como norte o preço. Importante consolidar parcerias com fornecedores e estabelecer um relacionamento de confiança. V – Procure tornar melhor os processos de sua empresa, principalmente os que versam sobre a produção e prestação de serviços, de modo que, ao melhorar estes processos aumentará a produtividade e qualidade, conseqüentemente diminuindo os custos. VI – Proporcione treinamentos aos profissionais. VII - Insira a liderança, as pessoas necessitam de um norte, um caminho a seguir, tanto os trabalhadores administrativos como os trabalhadores da produção. VIII – Ao eliminar o medo a eficácia de seus colaboradores aumentará. IX – Invista no trabalho em equipe, todos precisam conhecer os trabalhos de todos para que a equipe alcance seus objetivos. X – Deixe de lado metas para a mão de obra que exige nível zero de falhas, procure novos níveis de produtividade, essas metas apenas geram um clima denso e de desconfiança na empresa. XI – Esqueça padrões de trabalho na linha da produção, prefira a liderança. XII – Deixe que o operário orgulhe-se de seu desempenho, primando sempre pela qualidade e não pela quantidade produzida. XIII – Faça programas de educação e auto aprimoramento, pessoas que qualificam-se e educam-se transferem a qualidade de suas conquistas para o meio que estão inseridas. XIV – Movimente todos os funcionários no sentido da transformação que gera melhoria (CARVALHO E SERAFIM, 2004).

Portanto, entende-se que qualidade e produtividade devem estar juntas para que haja a satisfação do cliente. De nada adianta aumentar a produtividade se a qualidade está aquém do que pede o mercado. Compreende-se que produzir muito pode não equivaler a produzir bem, e o importante é: produzir muito com qualidade, porque só assim os objetivos serão atingidos. Novamente o fator humano entra nessa questão. Para que assim como a produtividade a qualidade também alcance um padrão de excelência, se faz importante criar mecanismos de auto motivação à equipe, a segurança do trabalhador certamente está inclusa dentro do contexto motivação. Nenhum profissional se sentirá motivado a produzir mais e com qualidade estando inseguro quanto às suas condições de trabalho (SEBRAE, 2008).

O professor Alkindar de Oliveira afirma que em uma empresa com o ambiente organizacional saudável, onde seus profissionais são respeitados e valorizados como seres emotivos e sentimentais os profissionais serão mais produtivos, além de desempenhar suas funções com melhor qualidade (OLIVEIRA, 2007).

Portanto, percebe-se que o aumento da produtividade está diretamente relacionado ao fator humano e os recursos que lhe são disponibilizados para a execução das tarefas.

Quando é citado que uma das razões para a baixa produtividade do trabalho é o profissional estar carente de suas necessidades vitais básicas, pode-se enquadrar nesse contexto a questão que envolve a segurança do trabalhador, já supracitado pelo SEBRAE e também pelos autores Carvalho e Serafim.

Sem estar certo de que goza de segurança para desenvolver sua atividade profissional, o trabalhador ficará preocupado, e, por isso mesmo, a tendência da produtividade é diminuir (CARVALHO E SERAFIM 2004).

Corrobora com essa afirmação o fato de que uma das condições fundamentais para o aumento da produtividade do trabalho ser a qualidade de recursos materiais oferecidos ao trabalhador para a execução de suas funções. Ou seja, quanto melhores as condições oferecidas pela empresa ao trabalhador para a execução de suas funções, notadamente, mais produtivo ele será porque mais seguro estará. E qualidade dos recursos materiais oferecidos ao trabalhador é um requisito básico na questão da segurança do trabalho.

Relevante salientar também: quanto maior a satisfação do funcionário em trabalhar na empresa, conforme afirma o professor Alkindar de Oliveira, melhor a qualidade de vida no trabalho. Uma boa qualidade de vida no trabalho se faz com a valorização humana, portanto, importante ressaltar que a segurança está inclusa dentro desse contexto de valorização humana, mas não se resume a isso, algumas iniciativas que visam integrar o funcionário em atividades culturais e sociais, além da sua própria educação formal são fatores que contribuem para uma boa saúde psicológica e, conseqüentemente, o aumento da produtividade (MAXIMIANO, 2002).

E dentro do contexto produtividade não se pode esquecer da utilização do EPI como ferramenta importante na alavancagem da produtividade da empresa. Sendo o EPI uma ferramenta que proporciona maior segurança e proteção ao funcionário no desempenho de suas funções, é fato inconteste de que ele – o EPI – colabora para o aumento da produtividade. O projeto "Saúde e Segurança no Trabalho", desenvolvido em parceria pelo SEBRAE e SESI para Micro e Pequenas Empresas, prepara as empresas para uma cultura voltada à segurança do trabalhador, mostrando que a utilização do EPI é fundamental para a proteção e segurança, e que sua utilização ou não reflete-se na produtividade da empresa. Ainda alertaram em seu projeto que todos os acidentes de trabalho podem ser evitados se forem tomadas medidas de prevenção e segurança. O SESI e o SEBRAE elaboraram uma cartilha contendo algumas dicas de prevenção de acidentes e doenças no trabalho, afirmando que, os acidentes de trabalho ocasionam grande impacto na produtividade e economia das empresas. Conclui-se, portanto, que o aumento da produtividade está diretamente vinculado à utilização do EPI. (SEBRAE, 2008).

6 ANÁLISE DOS RESULTADOS

6.1 Apresentação da empresa

A pesquisa foi realizada na empresa Plasvipel Ltda EPP, localizada na rua Waldemar Pereira da Silveira, 2-145, Distrito. Industrial I, na cidade de Bauru, Estado de São Paulo. A cidade de Bauru conta com aproximadamente 356 mil habitantes e se encontra no coração do Estado de São Paulo, sua localização geográfica é estratégica possibilitando à cidade oportunidades ímpares de crescimento, salientando obviamente que o fator crescimento depende de iniciativas do governo municipal e da sociedade bauruense. Considerada por alguns como a cidade interiorana que reúne as melhores condições para implantação de empreendimentos industriais e comerciais, Bauru já foi chamada de cidade Sem Limites, uma alusão as suas potencialidades. A cidade conta com algumas indústrias, mas sua economia está baseada no comércio. Bauru também se destaca pelas suas inúmeras universidades, tornando-se, portanto, uma cidade que atrai a atenção dos jovens de toda a região do Estado e até de outros Estados da federação. O número de universitários da cidade de Bauru chega a aproximadamente 30 mil pessoas, acarretando com isso um aquecimento no mercado imobiliário da cidade (BAURU, 2008)

No setor industrial Bauru conta com algumas importantes indústrias, tais como: Ebara Indústrias Mecânicas e Comércio Ltda, Tilibra Produtos de Papelaria S/A, Sukest Indústria de Sucos, Cadbury Adams e também a indústria que motivou a pesquisa: Plasvipel Ltda EPP.

A Plasvipel Ltda EPP., é uma indústria de embalagens plásticas estabelecida no mercado há mais de 30 anos. Tem como proprietário o Sr. Jair Lott Vieira e como gerente geral o Sr. Wagner Beltrame. Produz sacos plásticos lisos e impressos, bobinas técnicas, sacolas em PEBD (Polietileno de Baixa Densidade) e PEAD (Polietileno de Alta Densidade) e sacos plásticos com zíper, este último mais vendido para empresas que comercializam lingerie. A empresa comercializa seus produtos em todo território nacional, tendo como principais clientes: Tilibra Produtos de Papelaria S/A, Napasil Indústria e Comércio, Petrobrás e etc.

Seus principais fornecedores são: Tupahue Indústria de Tintas, Cromex Indústria de Pigmentos e SPP Nemo Distribuidora de Resinas Plásticas.

A empresa conta em suas fileiras com 50 funcionários. Nos últimos dois anos foram criados 10 postos de trabalho, uma prova de seu constante e sustentável crescimento, colaborando com a economia da cidade e região. Seu parque fabril conta com 10 máquinas de corte, 4 impressoras e 4 extrusoras. As máquinas são constantemente revisadas e quando se tornam obsoletas são substituídas por novas máquinas adquiridas pela direção da empresa. O material plástico que a empresa produz é o PEBD e PEAD.

A matéria prima para chegar ao consumidor final em forma de sacos e sacolas plásticas passa pelo processo de transformação, que pode ser descrito da seguinte maneira: extrusão, impressão, corte e solda e expedição.

Extrusão: onde o plástico em granulado é derretido, tratado para receber impressão e transformado em bobina.

Impressão: onde as bobinas são impressas e preparadas para receber o corte.

Corte e solda – onde as bobinas, depois de extrusadas e impressas, são cortadas no formato de sacos e sacolas plásticas, recebendo o acabamento final.

Expedição: onde os sacos e sacolas plásticas são embalados, ficando aptos à comercialização.

No setor comercial ocorrem às vendas dos sacos e sacolas plásticas. O vendedor confirma se o produto solicitado pelo cliente tem em estoque, e só então efetua a venda, emitindo Nota Fiscal e providenciando a retirada da mercadoria através de transportadoras que prestam serviço à empresa.

Para colaborar com a sociedade e o meio ambiente a empresa Plasvipel Ltda EPP está construindo um barracão onde recolherá sacolas plásticas e efetuará a reciclagem das mesmas. Eis um breve histórico da empresa em questão e que foi o ponto motivador para nossa pesquisa.

6.2 – Metodologia da pesquisa

O tema segurança do trabalho vem, ao longo dos anos, se tornando de vital importância para as empresas. Por quê? Porque com o advento da globalização e a intensa competitividade que permeia o mercado, aglutinando empresas dentro de um contexto de busca pela melhoria, estratégias são elaboradas visando alcançar os intentos de crescimento e geração de riquezas. Para esse mister imperioso é melhorar a produtividade sem esquecer a importância da qualidade. E um dos pontos fundamentais que colaboram para o aumento da produtividade é a segurança do profissional. E no assunto segurança do trabalho o EPI merece destaque. Por isso o tema da pesquisa é: a influência que o uso do EPI exerce na produtividade da empresa Plasvipel Ltda EPP.

Por que será pesquisado o EPI e sua influência na produtividade da empresa? Porque foi detectado que, após a implantação do sistema de gestão da segurança do trabalho na empresa, há cerca de 1 ano e a obrigatoriedade de utilizar o EPI, houve uma melhora gradativa na produtividade dos profissionais. Diante do exposto, se fez importante a elaboração da pesquisa para averiguar a relação existente entre o uso do EPI e o aumento da produtividade.

O objetivo da pesquisa é demonstrar que a segurança do trabalho, mais precisamente a utilização do EPI, está diretamente ligada ao aumento na produtividade dos funcionários da empresa Plasvipel Ltda EPP, tornando o EPI uma eficaz ferramenta para que a empresa em questão, e também outras tantas alcancem seus objetivos de crescimento, por intermédio da segurança proporcionada ao profissional.

Dentro do contexto de causas fundamentais que aumentam a produtividade dos profissionais está um ambiente de trabalho seguro, que proporcione tranqüilidade emocional, e também a qualidade e quantidade de recursos materiais que são proporcionados para a execução das tarefas (CARVALHO E SERAFIM, 2004).

Analisando o comentário dos autores Carvalho e Sefarim, forçoso admitir que a segurança oferecida ao profissional pela empresa influencia negativa ou positivamente na produtividade. Oportuno destacar ainda que os autores se referem a qualidade e quantidade de materiais que são disponibilizados ao trabalhador para a execução das tarefas. Em uma análise mais abrangente percebe-se que O EPI se encaixa perfeitamente dentro dessas observações.

Diante da relação já citada entre a utilização do EPI e sua influência na produtividade, foi elaborada uma pesquisa do tipo descritiva qualitativa com perguntas abertas padronizadas. Pesquisa descritiva que segundo Marconi e Lakatos (2002, p.20) "delineia o que é – aborda também quatro aspectos: descrição, registro, análise e interpretação de fenômenos atuais, objetivando seu funcionamento no presente.".

Pesquisa qualitativa porque busca interpretar o fenômeno ocorrido na empresa Plasvipel Ltda EPP, dando-lhe um significado, sendo o habitat onde está inserida a própria empresa a fonte para coleta de dados. A pesquisa foi realizada com perguntas abertas padronizadas porque o foco principal era colher informações do universo de trabalhadores do processo produtivo da empresa em questão, mais precisamente dos três setores que seguem essa descrição: extrusão, corte e solda e impressão. Perguntas abertas porque levam o entrevistado a raciocinar e refletir em torno das questões que lhe foram levantadas não se resumindo a respostas curtas, como sim e não, por exemplo, e padronizadas porque seguiram a um roteiro previamente estabelecido (MARCONI; LAKATOS, 2002).

Para a entrevista foi utilizado o universo de trabalhadores do processo produtivo da empresa Plasvipel Ltda EPP. Esse universo se constitui em 12 funcionários dos setores de extrusão, corte e solda e impressão. No mês de abril de 2008, mais precisamente nos dias 8, 9 e 10 de abril foram entrevistados 4 funcionários de cada setor da empresa. As perguntas foram distribuídas no dia 08 de abril para os funcionários do setor de extrusão. No dia 09 de abril foi a vez dos funcionários do setor de corte e solda e, por fim, no dia 10 de abril foi a vez dos funcionários da impressão.

As razões que justificam a escolha desses três setores para a entrevista com os funcionários são: o nível de ruído que é produzido pelas máquinas, o manuseio de materiais cortantes, principalmente por parte dos profissionais que trabalham no setor de extrusão, como estiletes, por exemplo e o contato que os profissionais da área de impressão têm com produtos químicos.

Extrusoras, máquinas de corte e impressoras são, via de regra, máquinas de grande porte e provocadoras de estridentes ruídos, alcançando, a depender das situações e materiais produzidos, 100 decibéis.

Os profissionais do setor de impressão trabalham e lidam diária e diretamente com produtos químicos. O cheiro forte, característico desse setor, com freqüência brindava os profissionais com dores de cabeça, náuseas e tonturas. Isto causava constantes paradas de máquina, e, por conseqüência a produtividade nunca alcançava os patamares planejados pela direção da empresa. Outro ponto importante a ser estudado no setor de impressão é a alta rotatividade de profissionais. Com o ambiente desagradável e o forte odor, ocasionando os já citados constrangimentos orgânicos, os profissionais não se adaptavam ao local, e por isso mesmo pediam a transferência de setor ou até mesmo o desligamento da empresa. A impressão requer profissionais bem treinados e com amplo domínio do maquinário para atingir sua capacidade máxima de produtividade, porém, em virtude dos já citados problemas, grande tempo era despendido na procura e treinamento de outro profissional, além da adaptação natural para as funções pertinentes ao setor de impressão.

A grande dificuldade da pesquisa foi a incompatibilidade de agendas para que todo o grupo estivesse reunido em horário comercial, obedecendo, obviamente, ao funcionamento da empresa. Superado o impasse a pesquisa realizou-se de forma natural e tranqüila, com grande auxílio por parte dos profissionais entrevistados que responderam com muita segurança e propriedade as questões levantadas pelos integrantes do grupo.

Setor de extrusão: entrevista realizada com 4 funcionários desse setor no dia 8 de abril de 2008.

J.U, 51 anos, funcionário da empresa Plasvipel Ltda EPP há mais de 20 anos quando questionado sobre como se sentiu ao começar a utilizar os EPIs, respondeu que no começo sentiu um certo incômodo e também preconceito ao utilizar o EPI, que no seu caso são o Protetor auricular e as luvas de proteção, que visam não deixá-lo exposto a altos níveis de ruídos e também proteger suas mãos, já que é inevitável a utilização de materiais cortantes, como o estilete, por exemplo. J.U não via necessidade em utilizar o material para sua segurança individual, funcionário antigo, jamais utilizara qualquer equipamento para se proteger contras as intempéries inerentes a sua atividade profissional, julgava que o EPI nada poderia lhe oferecer. Por conscientização jamais teria feito uso do EPI. A medida teve de ser imposta pela direção da empresa, a J.U não restou alternativa senão acatar a ordem. Quando perguntado sobre como foi a adaptação à utilização dos EPIs, respondeu que o começo foi complicado, a adaptação um tanto morosa. J.U sentia-se incomodado, não apenas física como também psicologicamente, já que utilizava o EPI contra sua vontade. Todavia, com o passar dos meses começou a se adaptar, acostumando-se com a idéia de que era necessária a utilização do EPI. Percebeu cessar a constâncias das dores de cabeça que lhe acabrunhavam há anos. Diminuiu o número de analgésicos ingeridos. Suas mãos já não aparecem cortadas com tanta freqüência pelos estiletes ameaçadores, mas imprescindíveis. Com problemas de hipertensão, averiguou inclusive que sua pressão arterial está próxima dos padrões de normalidade. Questionado como se sente agora, respondeu que hoje está acostumado a utilizar o EPI e sente-se bem. Indagado se percebeu alguma melhora em seu desempenho após começar a utilizar o EPI, respondeu que seu desempenho melhorou e sua vida ganhou um pouco mais de qualidade, salienta ainda que não pára mais as máquinas para fazer curativos nos dedos e tomar remédios para as constantes dores de cabeça.

M.G.J, 36 anos, funcionário da empresa Plasvipel Ltda EPP há mais de 15 anos, quando questionado sobre como se sentiu ao começar a utilizar o EPI, respondeu que não teve problemas com o uso dos EPIs, que no seu caso são o Protetor auricular e as luvas de proteção, que visam não deixá-lo exposto a altos níveis de ruídos e também proteger suas mãos, já que é inevitável a utilização de materiais cortantes, como o estilete, por exemplo. Indagado sobre o processo de adaptação aos EPIs informou que a adaptação foi fácil, sem grandes sobressaltos. Ressaltou que após alguns meses de utilização do EPI os zumbidos que escutava no ouvido cessaram. Aqueles zumbidos, provenientes da exposição a altos níveis de ruídos, incomodavam-no. Indagado sobre como se sente agora responde que sente-se melhor. Questionado se o seu desempenho melhorou após a medida da empresa que obrigou a utilização do EPI, M.G.J não soube precisar se seu desempenho melhorou ou não com a utilização dos EPIs.

S.F, 60 anos, funcionário da empresa Plasvipel Ltda EPP há mais de 20 anos, indagado sobre como se sentiu ao começar a utilizar o EPI, respondeu que, de início não sentiu-se bem. No caso de S.F. os EPI´s são o Protetor auricular e as luvas de proteção, que visam não deixá-lo exposto a altos níveis de ruídos e também proteger suas mãos, já que é inevitável a utilização de materiais cortantes, como o estilete, por exemplo. Questionado sobre como foi sua adaptação ao EPI relatou que o maior empecilho foi o fato de o Protetor auricular trazer algum incômodo, uma espécie de desconforto para seus ouvidos. No caso das luvas de proteção, elas cerceavam um pouco a habilidade para manusear os materiais. Todavia, transcorridos alguns dias logo se acostumou com as novas exigências da empresa. Quando perguntado sobre como se sente agora, informou que hoje está bem, sem grandes problemas para utilizar os equipamentos de proteção individual. Percebeu que o protetor auricular o deixava mais calmo, porquanto abafava os estridentes ruídos que lhe causavam irritação, o que, segundo o funcionário, prejudicava o bom andamento dos processos de trabalho pertinentes à área em que trabalha. Relata ainda que quando manuseava algum pigmento – material acondicionado a matéria prima do plástico para dar cor ao produto – suas mãos ficavam irritadas e com algumas pequenas bolhas. Notou que ao utilizar as luvas de proteção suas mãos apresentaram uma sensível melhora. Indagado sobre se o seu desempenho melhorou depois de começar a utilizar os EPIs, respondeu que percebeu melhora em seu desempenho, porque alguns problemas que obliteravam seu bom rendimento foram sanados com o uso dos EPIs adequados.

L.S, 20 anos, funcionário da empresa Plasvipel Ltda há pouco mais de 1 ano, quando indagado sobre como se sentiu ao começar a utiliza os EPIs, respondeu que não sentiu dificuldades em utilizar os EPIs, que no seu caso são o Protetor auricular e as luvas de proteção, que visam não deixá-lo exposto a altos níveis de ruídos e também proteger suas mãos, já que é inevitável a utilização de materiais cortantes, como o estilete, por exemplo. Perguntado sobre como foi sua adaptação ao uso dos EPIs, respondeu que a adaptação se deu de forma natural e tranqüila. Indagado sobre como se sente agora, afirmou que se sente bem com o equipamento de proteção individual, porquanto algumas vezes em que não utilizou o protetor auricular teve fortes dores de cabeça e um excessivo cansaço ao final do dia. Notou que suas mãos apresentaram micro cortes quando esteve em contato com a matéria prima do plástico sem as luvas de proteção. Os micro cortes provavelmente são originários do trabalho realizado na hora de misturar os granulados dos plásticos nos tambores de mistura. Perguntado se notou alguma melhora em seu desempenho desde que começou a utilizar os EPIs com regularidade, respondeu ter notado que seu desempenho é melhor quando utiliza os equipamentos de proteção individual, sua justificativa foi de que se concentra melhor nas atividades e sai com menor freqüência da seção em que trabalha. Antes se ausentava muito para lavar as mãos.

Setor de Corte e Solda: entrevista realizada com 4 funcionários desse setor no dia 9 de abril de 2008.

N.S, 22 anos, funcionário da empresa Plasvipel Ltda EPP há 4 anos, indagado sobre como se sentiu ao começar a utilizar os EPIs, respondeu que no começo sentiu medo do novo. Como nunca houvera utilizado qualquer tipo de EPI, que no seu caso é unicamente o protetor auricular, visando mantê-lo menos exposto a altos níveis de ruídos, seu sentimento foi de medo em ter que enfrentar uma nova situação. Porém, teve de enfrentar porque era uma imposição da empresa. Quando perguntado sobre como foi a adaptação à utilização dos EPIs N.S relata que, embora no começo algumas incertezas lhe acompanhavam os passos, a adaptação foi rápida, conta que no prazo de 30 dias estava trabalhando com o protetor auricular normalmente sem qualquer constrangimento de ordem física. Questionado como se sente agora, respondeu que hoje está bem. Perguntado se percebeu alguma melhora em seu desempenho, o funcionário ressalta que seu desempenho melhorou, antes de utilizar o protetor auricular N.S. tinha constantes dores de cabeça. Descreve que com freqüência ausentava-se da seção a fim de tomar algum fôlego e ficar um pouco distante do barulho, nesse espaço de tempo desligava a máquina para que não ocorressem problemas em sua ausência. Desde que passou a utilizar o protetor auricular N.S. se ausenta menos do seu local de trabalho, o resultado se reflete na sensível melhora de sua produtividade. Cita que havia uma meta a ser cumprida, ou seja, cortar todos os dias 2.000 rolos plásticos com 2 metros. N.S cumpria com algum sofrimento essa meta em virtude das constantes paradas de máquina. Hoje, como permanece um tempo maior operando a máquina, pois o barulho já não é mais ensurdecedor em virtude da utilização do protetor auricular, N.S., produz cerca de 2.200 rolos plásticos, um aumento de 10% em sua produtividade.

JRZ, 25 anos, funcionário da empresa Plasvipel Ltda EPP há 8 anos, indagado sobre como se sentiu ao começar a utilizar os EPIs, respondeu que se sentiu mal em ter que utilizar o EPI, que no seu caso é unicamente o protetor auricular, visando mantê-lo menos exposto a altos níveis de ruídos. Considerou a imposição da empresa um absurdo e a utilização do EPI totalmente desnecessária. Quando perguntado sobre como foi a adaptação à utilização dos EPIs mesmo depois de1 ano da medida adotada pela empresa, JRZ ainda não se habitou em usar o protetor auricular, reclama que machuca sua orelha e seu ouvido, porém, mesmo não concordando trata de respeitar as normas da empresa. Questionado sobre como se sente agora, respondeu que está do mesmo jeito. Indagado se percebeu alguma melhora em seu desempenho, o funcionário afirmou que não percebeu qualquer aumento ou queda nos níveis de rendimento de sua produtividade.

J.C.A., 40 anos, funcionário da empresa Plasvipel Ltda EPP há 10 anos, indagado sobre como se sentiu ao começar a utilizar o EPI, respondeu que sentiu algum desconforto quando começou a utilizar o EPI, que no seu caso é unicamente o protetor auricular, visando mantê-lo menos exposto a altos níveis de ruídos. Quando perguntado sobre como foi a adaptação à utilização dos EPIs afirmou que sua adaptação foi rápida e sem problemas. Indagado sobre como se sente agora, informou que hoje se sente bem, já adaptado e consciente da importância da utilização do protetor auricular. A máquina operada por JCA é muito ruidosa, ele ressalta que, antes de fazer o uso do protetor auricular muitas foram as vezes em que o barulho da máquina o acompanhava até em seus sonhos. Ficava a mercê de um desagradável ruído latejando em seus ouvidos. Perguntado se notou alguma melhora em seu desempenho, respondeu que notou que seu desempenho melhorou porque trabalha mais disposto, sem tantos barulhos que o atrapalham.

J.G, 47 anos, funcionário da empresa Plasvipel Ltda há 30 anos, indagado sobre como se sentiu ao começar a utilizar o EPI, respondeu que o desconforto causado pelo uso do EPI, que no seu caso é unicamente o protetor auricular, visando mantê-lo menos exposto a altos níveis de ruídos, foi compensando pela melhoria em sua qualidade de vida. Quando perguntado sobre como foi a adaptação à utilização do EPI, informou que tudo transcorreu tranquilamente. Indagado sobre como se sente agora, respondeu que hoje se sente muito bem. Relata que, em virtude de longos anos exposto a intensos níveis de ruídos teve a audição prejudicada. Perguntado se notou alguma melhora em seu desempenho, respondeu que não consegue medir se seu desempenho melhorou ou não desde que passou a utilizar o EPI.

Setor de impressão: entrevista realizada com 4 funcionários desse setor no dia 10 de abril de 2008.

A.G, 50 anos, funcionário da empresa Plasvipel Ltda EPP há 20, indagado sobre como se sentiu ao começar a utilizar os EPIs, respondeu que sentiu algum desconforto ao utilizar três tipos de EPI's, que no seu caso são: máscaras respiratórias, protetor auricular e luvas de proteção, todavia, o desconforto foi apenas no começo. Quando perguntado sobre como foi a adaptação à utilização dos EPIs, afirmou que sua adaptação foi rápida e sem grandes problemas. Segundo ele, o desconforto inicial provinha da falta de costume em utilizar os equipamentos de segurança. Perguntado sobre como se sente agora, respondeu que hoje se sente bem, já está adaptado. Diz que nunca teve problemas em ficar exposto a ruídos e ao cheiro de produtos químicos, como tinta, por exemplo. Quando questionado se o seu desempenho melhorou, respondeu que não conseguiu identificar se o seu desempenho melhorou depois de ter começado a utilizar os EPI's.

W.S.D, 24 anos, funcionário da Plasvipel Ltda EPP há nove anos, e trabalhando no setor de impressão há 1 ano e 6 meses, indagado sobre como se sentiu ao começar a utilizar os EPIs, respondeu que sentiu grande desconforto ao começar a utilizar os EPI's, que no seu caso são: máscaras respiratórias, protetor auricular e luvas de proteção, porém, ressalta a importância do EPI no setor em que trabalha, afirmando que só continuou trabalhando no setor de impressão da empresa porque ao começar a utilizar as máscaras respiratórias suas dores de cabeça cessaram. Os odores eram muito fortes e estavam prejudicando a saúde de W.S.D. Outro ponto destacado pelo funcionário foi os altos níveis de ruídos, que, freqüentemente lhe deixavam irritado. Quando perguntado sobre como foi a adaptação à utilização dos EPIs, respondeu que não adaptou-se de maneira tão rápida. Segundo ele, contudo, valeu a pena porque ganhou em qualidade de vida. Questionado sobre como se sente agora, respondeu que hoje está bem e adaptado ao equipamento e também a função de impressor. Questionado se notou alguma melhora em seu desempenho, relatou que seu desempenho obteve melhora, porquanto agora trabalha sem medo de ter as dores de cabeça que tanto mal lhe causavam.

R.S, 24 anos, funcionário da Plasvipel Ltda EPP há 2 anos e trabalhando no setor de impressão há 6 meses, indagado sobre como se sentiu ao começar a utilizar os EPIs, afirmou que sentiu desconforto ao começar a utilizá-los, que no seu caso são: máscaras respiratórias, protetor auricular e luvas de proteção, porém, como fora transferido ao setor de impressão disse que não conseguiria ficar na função se não fossem os equipamentos de proteção individual, principalmente a máscara respiratória. Lembra de fatos envolvendo visitas que realizava ao setor de impressão e as náuseas que lhe causavam o forte cheiro das tintas. Quando questionado se a sua adaptação aos EPIs foi rápida, respondeu que sim. Perguntado sobre como se sente agora, respondeu que hoje está bem. Indagado se notou alguma melhora em seu desempenho, informou que não percebeu melhora no desempenho pela simples razão de nunca ter trabalhado no setor sem os EPIs. Mas salienta que dificilmente teria um bom rendimento não fosse o equipamento de proteção individual.

V.C.R, 52 anos, funcionário da Plasvipel Ltda EPP há 3 anos e trabalhando no setor de impressão há 1 ano e 2 meses, indagado sobre como se sentiu ao começar a utilizar os EPIs, afirmou que não se sentiu bem ao começar a utilizá-los, que no seu caso são: máscaras respiratórias, protetor auricular e luvas de proteção, porém, segundo ele, mais desagradável do que usar os EPI's é enfrentar o cheiro da tinta e os barulhos da máquina. V.C.R informa que quando não utilizava as luvas de proteção suas mãos avermelhavam e inchavam. Foi ao médico várias vezes por isso, ingeriu diversos remédios para alergia, inclusive alguns que contém cortisona, o que lhe provocou um certo inchaço nas faces e na região do abdômen, contudo os problemas físicos cessaram quando começou a utilizar a luva de proteção para manusear as tintas. Quando questionado se a sua adaptação aos EPIs foi rápida, respondeu que adaptou-se aos EPIs rapidamente. Quando indagado sobre como se sente agora respondeu que hoje se sente bem. Questionado se notou alguma melhora em seu desempenho, respondeu que percebeu melhoras em seu desempenho, porquanto pouco pára a impressora na qual trabalha. Antes de utilizar os EPIs sentia-se sufocado pelo cheiro das tintas e parava a máquina a fim de recuperar o fôlego. Como explicou, a produtividade diminuía porque as impressoras são máquinas que necessitam esquentar para produzirem bem, como ele sempre as parava, até retomar as atividades o tempo desperdiçado era grande.

7 TABULAÇÃO DAS RESPOSTAS

Neste quadro contém a tabulação da pergunta de nº 1 do questionário aplicado ao universo de trabalhadores do processo produtivo da empresa Plasvipel Ltda EPP, e as respostas que cada funcionário forneceu aos entrevistadores.

Questões

Setor – Extrusão

Setor - Corte e Solda

Setor - Impressão

Questão 1 – Como o funcionário se sentiu ao começar a utilizar os EPIs?

J.U respondeu que não se sentiu bem e teve algum preconceito no início.M.G.J respondeu que não teve dificuldades.S.F. respondeu que de início não se sentiu bem.L.S. respondeu que não sentiu dificuldades.N.S. respondeu que adaptou-se rapidamente.J.R.Z respondeu que ainda não se adaptou.J.C.A respondeu que adaptou-se rapidamente.J.G responde que adaptou-se rapidamente.

A.G respondeu que sentiu desconforto.W.S.D respondeu que sentiu desconforto.R.S respondeu que sentiu desconforto.V.C.R respondeu que não se sentiu bem.

Quadro 2 - referente a pergunta nº 1 da pesquisa de campo.

Neste quadro contém a tabulação da pergunta de nº 2 do questionário aplicado ao universo de trabalhadores do processo produtivo da empresa Plasvipel Ltda EPP, e as respostas que cada funcionário forneceu aos entrevistadores.

Questões

Setor – Extrusão

Setor - Corte e Solda

Setor - Impressão

Questão 2 – Como foi a adaptação à utilização dos EPIs?

J.U respondeu que a adaptação foi demorada.M.G.J respondeu que foi fácil.S.F. respondeu que após alguns dias se adaptou.L.S. respondeu que a adaptação foi de forma natural e tranquila.

N.S. respondeu que sentiu medo do novo.J.R.Z respondeu que se sentiu mal.J.C.A respondeu que sentiu desconforto.J.G sentiu desconforto.A.G respondeu que adaptou-se rapidamente.W.S.D respondeu que a adaptação foi demorada.R.S respondeu que adaptou-se rapidamente.V.C.R respondeu que adaptou-se rapidamente.

Quadro 3- referente a pergunta nº 2 da pesquisa de campo.

Neste quadro contém a tabulação da pergunta de nº 3 do questionário aplicado ao universo de trabalhadores do processo produtivo da empresa Plasvipel Ltda EPP, e as respostas que cada funcionário forneceu aos entrevistadores.

Quadro 4 – referente a pergunta nº 3 da pesquisa de campo.

Questões

Setor – Extrusão

Setor - Corte e Solda

Setor - Impressão

Questão 3 – Como se sente agora em relação à utilização dos EPIs?

J.U respondeu que se sente bem.M.G.J respondeu que se sente bem.S.F. respondeu que se sente bem.L.S. respondeu que se sente bem.

N.S. respondeu que se sente bem.J.R.Z respondeu que se está do mesmo jeito, ou seja, indiferente.J.C.A respondeu que se sente bem.J.G responde que se sente muito bem.A.G respondeu que se sente bem.W.S.D respondeu que se sente bem.R.S respondeu que se sente bem.V.C.R respondeu que se sente bem.

Neste quadro contém a tabulação da pergunta de nº 4 do questionário aplicado ao universo de trabalhadores do processo produtivo da empresa Plasvipel Ltda EPP, e as respostas que cada funcionário forneceu aos entrevistadores.

Questões

Setor – Extrusão

Setor - Corte e Solda

Setor – Impressão

Questão 4 – Percebeu alguma melhora em seu desempenho depois que começou a utilizar o EPI?

J.U respondeu que percebeu melhorar o desempenho.M.G.J não soube precisar se houve melhora.S.F. respondeu que percebeu melhorar o desempenho .L.S. respondeu que percebeu melhorar o desempenho .N.S. respondeu que percebeu melhorar o desempenho .J.R.Z não soube precisar se houve melhora.J.C.A respondeu que percebeu melhorar o desempenho.J.G não soube precisar se houve melhora.

A.G não soube precisar se houve melhora.W.S.D respondeu que percebeu melhorar o desempenho.R.S respondeu que nunca trabalhou sem os EPIs.V.C.R respondeu que percebeu melhorar o desempenho.

Quadro 5 – referente a pergunta nº 4 da pesquisa de campo.

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8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A política de segurança e prevenção contra acidentes da indústria de embalagens plásticas Plasvipel Ltda EPP, começou realmente a funcionar há pouco mais de 1 ano, mais precisamente no mês de março de 2007, quando a CIPA assumiu de fato um papel de protagonista na condução da política de segurança da empresa. Até então as medidas que visavam prevenir e proteger a integridade física dos profissionais eram extremamente precárias. A empresa, embora fornecesse os equipamentos de proteção coletiva e individual, não dava grande atenção à questão envolvendo segurança e acidentes de trabalho. Ou seja, embora disponibilizasse os equipamentos para a proteção dos profissionais, não os obrigava a utilizar os EPIs, por exemplo. Esse descuido por parte da direção se refletia na forma de alguns acidentes de trabalho que, naturalmente, desembocavam numa série de problemas envolvendo a produção das embalagens plásticas. A baixa produtividade era um desses problemas. O setor de impressão, por exemplo, requer profissionais treinados e habilitados para operar as máquinas impressoras, no entanto, a rotatividade de profissionais nesse setor era grande. Muitos foram os funcionários que pediram transferência desse setor ou mesmo o desligamento da empresa por não suportarem o forte odor oriundo das tintas, com isso, a produtividade nunca alcançava os patamares desejados pela empresa.

Funcionários do setor de extrusão e de corte e solda também se queixavam freqüentemente de dores de cabeça. Sentiam os reflexos no corpo por ficarem expostos a altos níveis de ruído por longas horas sem qualquer proteção. Diante dos constrangimentos orgânicos, as paradas de máquina eram uma constante e colaboravam para deixar a empresa cada vez mais distante dos seus objetivos de aumentar a produtividade. Outro ponto a ser destacado é o número de acidentes que ocorriam nos setores de extrusão e corte e solda, como os profissionais desses setores manuseiam materiais cortantes, freqüentemente se machucavam porque não utilizavam as luvas protetoras. Eram então afastados do trabalho, com notáveis prejuízos para empregado e empregador.

Um dos fatores que contribui para a baixa produtividade é o profissional não gozar de boa saúde e ter sua integridade física ameaçada (CARVALHO; SERAFIM, 2004).

Dentro do contexto de acidentes e dos constantes prejuízos sofridos, a empresa teve de se adequar e buscar alternativas para suplantar a complicada realidade que estava imersa. Realidade esta ocasionada pela pouca importância dada à segurança de seus colaboradores, diante disso a solução foi implantar uma política de segurança mais aguda. Nesse tocante o EPI desempenhou papel fundamental, foi então que se percebeu sua importância não apenas como ferramenta de proteção individual, mas também como relevante instrumento para o aumento da produtividade.

Embora a idéia principal tenha sido a de proteger a integridade física do profissional, é inegável que a obrigatoriedade do uso do EPI repercutiu de forma positiva na produtividade da empresa.

No início, a imposição da empresa para que os profissionais fizessem uso do EPI gerou mal estar. A maioria julgou a atitude arbitrária. E, de fato, usar o EPI para quem não está habituado traz mesmo um certo incômodo no início. Contudo, sua utilização para a proteção é de significativa importância. Alguns tiveram mais dificuldade de adaptação do que outros, o que é natural, mas diante da posição da empresa em obrigar todos os funcionários a fazer uso do EPI, não restou outra alternativa senão acatar o que foi decidido pela direção da Plasvipel Ltda EPP.

Após alguns meses os resultados foram positivos em diversos aspectos, principalmente no que se refere à produtividade. Se antes máquinas paravam e profissionais não se habituavam a trabalhar no setor de impressão principalmente, depois de 1 ano da obrigatoriedade do uso do EPI o panorama é outro, e o problema da adaptação do profissional ao setor de impressão praticamente inexiste.

A produtividade da empresa aumentou. No mês de maio de 2007 houve uma entrada de 29.730,00 quilos em pedidos, e desse total foram produzidos 22.901,5, ou seja, foi produzido 77% dos pedidos que entraram na empresa.

No mês de agosto de 2007 houve uma entrada de 28.790,00 quilos em pedidos, e desse total foram produzidos 24.303,30, ou seja, produção de 84 % dos pedidos que entraram na empresa. Percebe-se um aumento de 7% na produtividade da Plasvipel Ltda EPP.

No mês de maio de 2008 houve uma entrada de 29.530,00 quilos em pedidos, e desse total foram produzidos 28.024,90, ou seja, produção de 95% dos pedidos que entraram na empresa. Um aumento de 11% em relação ao mês de agosto de 2007 e 18% em relação a maio de 2007.

Os números refletem a seguinte realidade: a empresa ao ajustar sua política de segurança e impor a obrigatoriedade do uso do EPI, proporcionou melhoria na qualidade de vida dos profissionais, e isso repercutiu no aumento da produtividade, demonstrando que, o uso do EPI teve influência positiva na produtividade da indústria de embalagens plásticas Plasvipel Ltda EPP.

Tags: EPI - Equipamentos de Segurança Individual