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Os princípios da economia no cotidiano das pessoas

Os princípios básicos da Economia estão inerentes na vida dos agentes econômicos, que servem de base para tomada das suas decisões, contribuindo para o ciclo econômico.

Carlos Rafael,

A Economia está inerente da vida das pessoas. Em todos os seus afazeres, ela se faz presente, seja na compra de uma passagem, ao fazer compras, trocar de carro, adquirir uma casa, dentre outros bens ou serviços, fornecidos por pessoas físicas, jurídicas ou até mesmo o governo, através da arrecadação de impostos e prestação de serviços essenciais à sociedade, tais como educação, saúde, transporte, salário-mínimo e assim por diante.

Para explicar isso, a Economia possui seus princípios que facilitam a análise deste cenário. Inicialmente, pode-se dizer que as pessoas enfrentam escolhas, ou tradeoffs (terminologia utilizada na Economia). Estes tradeoffs (escolhas) são tomados a todo instante, pois as pessoas necessitam dar uma direção na sua vida e ela é obtida com estas decisões, sempre pautadas em suas respectivas oportunidades, como na compra de um carro, pagar a escola dos filhos ou ir à faculdade. Estas escolhas são feitas porque os recursos disponíveis são escassos e as necessidades são ilimitadas.

Com isso, pode-se chegar a seguinte pergunta: tudo isso tem algum custo? A resposta é sim. Quando se escolhe algo, outra coisa deixa de ser escolhida, ela é preterida. Isto se chama custo de oportunidade: o custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtê-la. Exemplificando, o custo de oportunidade que um trabalhador tem ao fazer faculdade à noite: poderia estar com sua família, descansando, tendo seu lazer, etc.

Além disso, nessa tomada de decisão, as pessoas também precisam ser racionais para se ter uma melhor margem dos ganhos. Por quê isso? Porque através da margem se podem auferir os ganhos e benefícios que o acréscimo de uma unidade de determinado bem traz[1]. Analisando isso, seria o ganho, por exemplo, que um estudante teria se passasse mais um ano na faculdade (também se leva em conta os custos marginais).

Outro princípio que norteia a vida das pessoas é que elas respondem a incentivos. Isto também serve para sua vida pessoal. No ambiente de trabalho, os colaboradores têm duas obrigações, mas, ao saberem que receberão um bônus (incentivo) para cumprir tal meta, elas se estimulam mais. Se esforçam para alcançarem seus objetivos. Elas veem incentivos como premiações pelas suas atividades. Outra situação é quando os funcionários ganham por produtividade ou volume de vendas.

Assim, outro fator importante neste cenário dos trabalhadores/consumidores é o comércio. Ele pode melhorar a situação de todos os agentes envolvidos, haja vista que a circulação das mercadorias alimenta todo um ciclo produtivo[2], que envolvem os consumidores, comerciantes, fornecedores e industriais, com o intuito de sempre se chegar ao usuário final (clientes). Isto tem relação com a renda das pessoas, os seus salários que são lançados no mercado, gerando movimento em outros setores da economia.

Em se tratando de mercados, em geral, eles são uma boa forma de organizar a atividade econômica. Este movimento já foi explicado por Adam Smith, através da mão invisível[3] que regula o mercado. O mercado se mobiliza por causa da demanda. Enquanto se tem compradores, mesmo quando o preço sobe, os produtos são vendidos, independente da quantidade, pois sempre terá alguém que pagará para satisfazer sua necessidade. Isto é importante porque pessoas deste seguimento que não têm condições de adquiri-lo, passarão a adquirir outros bens, sejam eles substitutos ou complementares[4].

Entretanto, o mercado não é perfeito. Há imperfeições que o governo regula, através das suas ações, pois, com estas medidas, ele pode, às vezes, melhorar os resultados do cenário de mercado. Estas "falhas", em suma, podem ser em: poder de mercado (relacionado ao "privilégio" de informações, que devem ser combatidas pelo Estado) e as externalidades[5] (que são impostas por indivíduos ou empresas a quem não pertence ao mercado em questão).

Por conseguinte, há também princípios que norteiam a questão do progresso econômico de uma nação, relacionado ao padrão de vida desta sociedade. Diz-se que o padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços. Ora, quanto mais desenvolvido é um país, maior será seu poder de gerar bens de consumido e serviços disponíveis para o mercado. Isto está intrinsecamente ligado com o progresso tecnológico, sendo o motor que impulsiona a qualidade de vida da sociedade em geral, nos mais diversos setores. Podem-se citar os Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, Inglaterra, os países do BRIC[6] e outros.

Apesar da Economia Capitalista predominar em vários países, o governo ainda tem papel muito importante na Economia. Uma das suas obrigações é o estabelecimento da Política Monetária. Ela tem haver com a padronização das taxas de juros e, também, sobre a emissão de moeda, tendo relação direta com o aumento ou diminuição dos preços, isto é, com a inflação. Portanto, os preços sobem quando o governo emite moeda demais, haja vista com o aumento da circulação da moeda, a sua valorização tende a diminuir, gerando inflação e, diminuindo o poder de compra todos trabalhadores, enfraquecendo a economia e outras trazendo mais consequências sociais, tais como o desemprego.

Para finalizar, a sociedade enfrenta um tradeoffs de curto prazo entre inflação e desemprego, ou seja, se a inflação aumenta, o desemprego diminui e vice-versa. Parece um pouco confuso, mas para facilitar a compreensão, veja o que Rafael Vieira citou em seu sítio:

"Se o número de pessoas desempregadas diminui, o mercado passa a ter mais gente com dinheiro. Mais gente com dinheiro significa mais compras e maior demanda por produtos e serviços. Maior demanda implica em maior preço. Agora do outro lado: Se os preços aumentam, os lucros dos comerciantes aumentam (pelo menos no curto prazo) Com aumento de lucros, a tendência é aumentar a produção. Para aumentar a produção precisa-se de mais mão-de-obra[7]" (Vieira, Rafael; 2010).

[1] A Receita Marginal e o Custo Marginal mostram isso e o ideal é quando a RMg>CMg.

[2] Karl Marx (1818-1883) na sua obra o Capital já falava sobre do comércio. Citava a respeito do ciclo produtivo do capital, a circulação das mercadorias, a obtenção do super-lucro e do lucro extraordinário.

[3] Em sua obra A Riqueza das Nações, Adam Smith explica que o mercado é regulado pela mão invisível, capaz de gerir as relações mercadológicas.

[4] O que se explica sobre a aquisição de bens em detrimento do aumento do preço de outros, são os chamados bens substitutos perfeitos, imperfeitos ou complementares, que são justificados com o conceito de elasticidade, ou sensibilidade, seja da demanda ou da oferta.

[5] As externalidades podem ser positivas (como os bens públicos) e negativas (quando a produção de bens traz prejuízos ao meio ambiente e demais setores da sociedade).

[6] Brasil, Rússia, Índia e China: chamados de países emergentes. Com destaque para a China (2ª maior economia do mundo) e o Brasil (6ª economia do mundo), sendo que este já tem um papel muito forte no cenário internacional, em virtude da sua força econômica

[7] Extraído do site http://www.rafaelvieira.com.br/2010/03/30/a-sociedade-enfrenta-um-tradeoff-de-curto-prazo-entre-inflacao-e-desemprego/

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