(*) Josiane Souza 1. Isso não vai dar certo. 2. Isso implica em custos. 3. O último que veio com esse papo não está mais aqui! 4. Eu vou ver… 5. De novo… 6. Você não tem o que fazer? 7. Isso não é da nossa área. 8. Sempre foi assim! 9. Nossos clientes são muito conservadores! 10. Hum… 11. Ta. 12. É uma boa idéia, mas… 13. Já tentaram fazer isso antes e não deu certo. 14. Aqui nada muda… 15. Não perca tempo com isso. 16. Indiferença 17. Risos 18. Não permitir que o outro exponha suas idéias 19. Depois conversamos, agora eu não posso. (e nunca pode) Todos nós já vivemos esta experiência em algum momento da nossa trajetória profissional. Os sentimentos aflorados, de imediato, ao ouvirmos uma das frases acima, são a raiva e a revolta. Nos disponibilizamos em pesquisar um dado assunto, buscar informações com colegas de trabalho ou clientes, fazer a anotação da idéia fora do horário de expediente e, o que recebemos do nosso superior imediato é um balde de água fria. É intrínseca no ser humano a necessidade de desafios e quando ela é impedida ou reprimida, o indivíduo torna-se desmotivado. Tal desmotivação pode se manifestar de várias formas como erros constantes, falta de cooperação, irritabilidade, falta de comprometimento com os resultados de tarefas sob sua responsabilidade, roubo e/ou desvio de dinheiro e informações sigilosas, entre outras situações que levam os colaboradores a não zelarem pelo bem-estar da organização. De acordo com pesquisas realizadas em empresas de portes variados, quando não há o incentivo ou a oportunidade de desafios para os profissionais, as conseqüências são refletidas nos resultados financeiros das empresas. O auto índice de afastamento por licença médica, o aumento nos custos operacionais com refugo e retrabalho, o crescimento do número de processos trabalhistas, o abandono do emprego, são exemplos de custos despendidos direta ou indiretamente em decorrência da desmotivação profissional por ausência ou melhor, barreiras ao desafio. A busca do profissional por empresas que oferecem oportunidades de crescimento profissional é crescente e a relação nível de escolaridade está diretamente ligada a isso. Ou seja, quanto maior o nível de escolaridade do profissional, maior será a sua necessidade de vivenciar situações em que sejam exigidas soluções complexas. A relação não disponibilidade em ouvir sugestões dos membros da equipe x cumprimento dos prazos na entrega dos trabalhos (dos 'chefes'), é insignificante diante dos benefícios. Vários 'chefes' se justificaram à um consultor, durante a fase de levantamento de processos, alegando sobrecarga de trabalho para despender tempo em ouvir as sugestões dos subordinados. No entanto, ressalto que ouvi-las pode ser a solução do seu problema. Quero aqui, descrever uma situação real presenciada em uma empresa Mineira: o Estagiário percebeu a dificuldade do seu Gerente em coordenar todos os projetos da equipe no período de implantação de sistema interado de gestão. Pediu licença e apresentou um cronograma de trabalho, para acompanhamento de todos os eles. Qual a reação do 'chefe' do estagiário? Sorriu com um suspiro de alívio! Imagine se ele não tivesse dado ouvidos ao estagiário? Ou pior, se tivesse menosprezado o membro da equipe simplesmente pelo cargo que ocupava? Daniel Godri Jr. em um dos seus artigos diz o seguinte a respeito de não ouvimos as sugestões das pessoas: 'Além de minar a criatividade, podar as opiniões e não ouvir as pessoas, deixam-nas desanimadas e imparciais à situação da empresa. Não espere que agindo assim seus funcionários fiquem alguns minutos a mais por dia trabalhando ou que “vistam a camisa da empresa”. Só se sente participante quem opina e vê que ao menos suas sugestões são ouvidas sem interrupções e preconceitos.' E fala mais: 'Quando a pessoa tiver uma idéia brilhante, não diga que ela é paga para isso mesmo. È melhor dar uma cacetada em alguém do que dizer isso.' São vários os autores de artigos e obras a respeito de liderança e motivação disponíveis nas livrarias. Além disso, cursos, palestras e workshops são realizados com freqüência para discutir o assunto. Se apesar de todo esse acervo você insiste em administrar pessoas utilizando de métodos ultrapassados, alerto que a próxima vítima pode ser você pois, o mercado pode não lhe absorver caso seja demitido da empresa atual. Pense na forma em que vem gerindo a sua equipe e não perca tempo em mudar de atitudes hoje mesmo. Quer uma dica de leitura que vai auxiliar no seu desenvolvimento atitudinal? Vai aí: E agora Venceslau? (*) Consultora em Gestão Estratégica com Pessoas especialista em desenvolvimento de líderes e equipes, palestrante e congressista. Professora em cursos gerenciais e preparatórios para concursos públicos (RH e O&M). Diretora Executiva da Assessoria Organizacional.