Não tenho dúvidas da importância do papel do administrador para o desenvolvimento e futuro do Brasil. Somos organigólogos. As organizações são sobremaneira importantes para que consigamos erradicar a pobreza, gerar bem-estar social sustentável e permitir o sucesso brasileiro a nível mundial. Nesse sentido, a formação dos administradores precisa se adequar a esses novos tempos. Leandro Vieira escreveu na Revista Administradores de janeiro de 2011 uma 'verdade inconveniente' (Carta aberta aos estudantes de Administração , p. 15, grifos nossos): “Administração, no geral, é um curso fácil, enquanto administrar é extremamente complicado.” Em seu texto ele expõe algumas estratégias para um graduando em administração transcender os limites do curso e desenvolver uma missão e uma identidade profissional, já que a maioria das faculdades estão pouco ou nada preocupadas com o perfil do profissional que estão formando. O fato é que nos últimos dez anos tivemos um boom de cursos de graduação em Administração no Brasil. Dada a facilidade (i.e. custo e estrutura curricular) qualquer faculdade já abre um curso de administração em seus dois primeiros anos. Como diz um amigo, professor de marketing, 'basta gogó e quadro-negro'. Estima-se que somos cerca de 2 milhões de profissionais no Brasil (apesar de pouco mais de 300 mil registrados junto ao CFA). Formamos cerca de 140 mil profissionais por ano. Somos o maior curso do Brasil. Essa 'commoditização' oferece riscos terríveis. Conquanto estejamos reforçando nossa presença no mercado profissional, a qualidade dos egressos de muitos cursos preocupa. Dado o caráter generalista da graduação, o mercado de trabalho prefere profissionais de carreiras mais específicas e de características mais técnicas. No meu Estado natal (Pará), por exemplo, não é incomum encontrar graduados em Administração exercendo funções meramente burocráticas que um técnico em administração seria capaz de fazê-lo (sem qualquer demérito a este último). Faz-se a pergunta: não se valoriza o administrador porque sua formação é fraca ou sua formação é fraca porque não é valorizada? Cabe às escolas adequar seus currículos de graduação a tal ponto que passar por ela não seja 'fácil'. O curso deve ser difícil e exigir o melhor do graduando. Talvez um caminho seja a certificação, como propôs Stephen Kanitz em seu twitter recentemente. Li de alguém no twitter recentemente que nosso curso é 'bobo' e fácil de passar. Isso dói, machuca, mas quem alega isso tem alguma razão? Como queremos disputar mercado se a formação em matemática da maioria é precária, se não sabem escrever um report de maneira coerente e não dominam os fundamentos da profissão? Não adianta uma quantidade imensa de formados se não conseguem responder às demandas das organizações de forma competente. Agrega mais formar menos pessoas, mas formá-las melhor. Maus profissionais no mercado mancham os bons e competentes, e temo que aqueles têm sido a maioria. Publicado originalmente no blog Opinião de Administrador em Metendo o dedo na ferida: a graduação em Administração.