Avaliação, Para quê e por quê? A avaliação norteia todo o viver da humanidade ao longo da sua trajetória, encontramos citações no Velho e Novo Testamento sobre o certo e errado, o belo e o feio, o moral e amoral. Todo esse processo é permeado de subjetividade, normas, condutas e códigos criados pelo homem. Na área da educação a história se repete. A avaliação vem se constituindo em instrumento de aprovação/reprovação como uma prática, para se alçar ou não o saber e a ascensão social. O termo avaliação da aprendizagem é recente, apareceu em 1930, mas a prática continuou sendo baseada em provas e exames, apesar de vários educadores acreditarem que a avaliação poderia e deveria subsidiar um modo eficiente de fazer ensino. A prática de avaliação da aprendizagem que vem sendo desenvolvida nas instituições de ensino nos remete a uma posição de poucos avanços. Não tem sido utilizada como elemento que auxilie no processo ensino aprendizagem, perdendo-se em mensurar e quantificar o saber, deixando de identificar e estimular os potenciais individuais e coletivos. No Dicionário Básico da Língua Portuguesa, FERREIRA (1995, p.205) refere que avaliação é um 'Ato ou efeito de avaliar (-se). Apreciação, análise. Valor determinado pelos avaliadores'. 'Avaliar é determinar a valia ou valor de. Apreciar ou estimar o merecimento de. Calcular, estimar, computar. Fazer a apreciação; ajuizar: avaliar as causas, de merecimentos'. Ao refletir sobre a condução do processo de avaliação surgem alguns questionamentos: por que o aluno não aprende? A avaliação promove ou exclui o aluno? Os professores sabem avaliar? Qual o objetivo do processo de avaliação? Qual é a melhor forma de avaliar um candidato ao emprego? As avaliações do mercado de trabalho são eficientes? As respostas para estas questões ainda se constituem em grandes desafios. Sabe-se que a educação é um direito de todos os cidadãos, assegurando-se a igualdade de oportunidades (Constituição Brasileira). Inseridas neste contexto, ao estudarem, na vida social e profissional as pessoas passam muitas e muitas vezes pela avaliação, cujos aspectos legais norteiam o processo educacional e profissional através dos seus regimentos. Assim, as avaliações são tidas como obrigatórias e, através delas, é expresso o “feedback” pelo qual se define o caminho para atingir os objetivos pessoais e sociais. A avaliação proporciona também o apoio a um processo a decorrer, contribuindo para a obtenção de produtos ou resultados de aprendizagem. As avaliações se enquadram em três grandes tipos: avaliação diagnostica, formativa e somativa. Avaliação diagnóstica (ou inicial) é a que proporciona informações acerca das capacidades do aluno antes de iniciar um processo de ensino-aprendizagem, busca a determinação da presença ou ausência de habilidades e pré-requisitos, bem como a identificação das causas de repetidas dificuldades na aprendizagem. Passou-se a compreender então que a avaliação deveria ser não somente diagnóstica, mas somativa, isto é, voltada para a análise de resultados terminais que subsidiasse decisões do tipo sim/não, passa/não passa, e também formativa, com o objetivo de permitir subsidiar ações de intervenção quando o aprendiz estivesse ainda em formação. Esta categorização da avaliação – diagnóstica, formativa e somativa -, que hoje já se tornou clássica, trouxe para a teoria da avaliação uma maior complexidade dos métodos avaliativos. Embora definisse a avaliação como uma “atividade metodológica que é essencialmente similar, quer se esteja tentando avaliar uma máquina de café ou máquina de ensinar, planos para uma casa ou planos de desenvolvimento pessoal, avaliação de uma situação inclui o processo de interpretação do próprio avaliador. Uma verdadeira avaliação é aquela que permite subsidiar, em tempo hábil, o aperfeiçoamento de um programa, de uma ação ou formação. A definição de Por quê? O que? E como? avaliar pressupõe uma concepção do Homem que se quer formar e das funções atribuídas à escola em determinada sociedade. São os determinantes sociais que definem a função que a escola vai ter; e a avaliação, enquanto prática educativa explicita e acaba legitimando esta função. Para os educadores e especialistas em avaliação escolar, é um grande desafio: integrar as contribuições críticas destas últimas décadas e construir no cotidiano, instrumentos que nos permitem não somente analisar o rendimento escolar, mas também compreender os processos de construção de desigualdade social, tendo em vista a busca de alternativas para sua superação. Nos dias de hoje, sabe-se que o professor tem “fortes concorrentes”: a televisão, DVD, mp9, mp11, computador, internet, MSN, e outros, e ele, em contrapartida, na sala de aula, têm o quadro negro e o giz. É necessário pensar na questão da utilização dos recursos tecnológicos no dia-a-dia, explorando mais os recursos que o estudante tem a sua disposição, na sua formação e também no processo de avaliação. O ato de avaliar não pode ser entendido como um momento final do processo em que se verifica o que o aprendiz alcançou. A questão não está em tentar uniformizar o comportamento do ser humano, mas em criar condições de aprendizagem que permitam a ele, qualquer que seja seu nível, evoluir na construção de seu conhecimento. Uma descrição da avaliação e da aprendizagem poderia revelar todos os conhecimentos adquiridos em uma sala de aula, analisar a aprendizagem (e não julgá-la) levaria o professor e os estudantes a constatarem o que realmente ocorreu durante o processo: se estes tivessem espaço para revelar na prática cotidiana os fatos tais como eles realmente ocorreram, a avaliação seria real, objetiva e com resultados práticos e aplicativos. Professores: José Cássio Miranda e Leonice Gossler