O mercado brasileiro não é uma seara que favorece o surgimento de novos competidores. Em geral, inovações e mudanças na estrutura do mercado não partem de empresas estabelecidas que desfrutam de posições confortáveis. Contudo, no Brasil há entraves significativos para a entrada de novos concorrentes. Um deles é o nível de contatos que existe entre empresas privadas e entidades públicas. Em seu livroCapitalismo de Laços, Sérgio Lazzarini mostra que o nível de inter-relacionamento das empresas brasileiras, e principalmente destas com o Estado, aumentou muito nos últimos dezesseis anos. Esta aproximação concentrou mais poder nas mãos de quem já o detinha. Uma das consequências é a possibilidade de dificultar a entrada de novos competidores. Some-se a isso, a falta de informações que os rivais nascentes têm acerca dos setores da economia. No Brasil impressiona a ausência de dados sobre as firmas. Isto faz com que as oportunidades não sejam analisadas no nível de profundidade desejado por quem quer entrar no jogo. Como muitas empresas mantém suas informações reclusas, não abrindo o capital, acabam por contribuir para que não se possa avaliar com a precisão adequada as vantagens e riscos para se inserir em determinados espaços da economia. É claro que há outros entraves, mas esses estão entre os principais. Se os bem-sucedidos do futuro serão os que melhor souberem criar e implementar suas inovações, e estes inovadores costumam surgir em empresas novas, o Brasil pode estar comprometendo seu sucesso de longo prazo. Texto adaptado do blog do autor, o Opinião de Administrador.