Em 2010, o crédito para pessoas físicas deverá ter expansão de 17%, motivado pela redução de juros reais, incremento da massa salarial e redução do nível de inadimplência das famílias. Nesse cenário, a expectativa é de que as vendas do varejo aumentem 8,5%. A previsão é da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Segundo a CNDL, o crédito continuará sendo muito influente e balizador das relações de consumo, com reflexos diretos principalmente na vendas de bens duráveis, como automóveis, materiais de construção e eletroeletrônicos. No Brasil, o comércio representa cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços). O país já é o oitavo mercado consumidor do mundo. De acordo com a CNDL, isso foi possível graças à solidez do sistema financeiro, à inflação sob controle e a programas sociais que possibilitaram significativa transferência de renda e maior participação no consumo das classes C e D. A nota ressalta que, com isso, houve bom movimento econômico no final do ano, o que permite uma projeção otimista para o país em 2010. O mesmo parece estar acontecendo com as pessoas jurídicas. As concessões reais (deflacionadas pelo IPCA) de crédito às empresas parecem se normalizaram, aponta o Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito às Empresas, que ficou em 99,3 em novembro. O resultado foi o mesmo de outubro. Segundo a instituição, sua manutenção perto do nível 100 indica o retorno gradual das concessões de financiamento. Em novembro, o volume mensal de concessões reais ficou em torno de 4% abaixo do que seria considerado como normal para o período, de acordo com a Serasa. Entre os motivos que levam a essa normalização a empresa destaca o bom momento da economia brasileira, com “crescimento anualizado na margem, superior a 6% ao ano, favorecendo a geração de caixa das empresas e a própria trajetória de declínio gradual dos índices de inadimplência das pessoas jurídicas no país”, diz, em nota. Já o crédito ao consumidor caiu 1% em novembro. Entretanto, a queda não foi suficiente para que o indicador ficasse abaixo do nível 100. O crédito ao consumidor ficou em 103,9, o que demonstra que as concessões reais de crédito às pessoas físicas deverão permanecer aquecidas nos próximos meses. Isso se deve à confiança do consumidor, à recuperação firme do mercado formal de trabalho, à redução dos índices de inadimplência das pessoas físicas e às melhores condições de prazos e encargos oferecidas por instituições financeiras. Ainda assim, a Serasa lembra que, com as últimas quedas mensais, o indicador de pessoas físicas encontra-se abaixo do pico verificado meses atrás, “apontando que alguma desaceleração pode ser esperada quanto ao ritmo de concessões reais de crédito com recursos livres às pessoas físicas”. Mas a empresa ressalta que esse recuo na velocidade deve ocorrer de forma mais significativa “entre o primeiro e o segundo trimestre de 2010, em função do rápido crescimento do endividamento das famílias observado ao longo do segundo semestre de 2009”. Bibliografia Jornal do Brasil de 06 de janeiro de 2010 Jornal Folha de S. Paulo de 05 de janeiro de 2010 Jornal Valor Econômico de 05 de janeiro de 2010