Abordagem reflexiva substitui a autoajuda

Historiadores, filósofos, sociólogos, artistas, comentaristas e jornalistas tomam o lugar dos antigos gurus

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Um saudável e importante movimento vem ocorrendo no universo de palestras, livros, artigos, mentores, desenvolvimento humano e corporativo, ao longo dos últimos dez anos.

Estou me referindo à gradativa substituição do tema, e “gurus” da autoajuda, por historiadores, filósofos, sociólogos, artistas, comentaristas, jornalistas, e vários outros profissionais, que têm abordado os temas de uma forma mais reflexiva. Sem indicar, ou até mesmo propor, receitas com fórmulas mágicas.

Vale registrar que o movimento da autoajuda não é novo. Seu nascimento se localiza, nos Estados Unidos, por volta dos anos 50, com o sucesso provocado pelo livro “O poder do pensamento positivo”, de Norman Vincent Peale, lançado no ano de 1952. Pastor, palestrante e escritor que faleceu com 95 anos, em 1993, tendo atingido um alto grau de admiração e seguidores. Mesmo nos dias atuais ainda é considerado um verdadeiro ‘guru’ de várias gerações, com milhares de admiradores em todo o mundo ocidental.

Os anos finais do século XX foram invadidos por abordagens e títulos que prometiam soluções e receitas do tipo: A felicidade em 10 lições; O sucesso ao seu alcance; Otimismo em conta-gotas; Como se tornar um milionário; A arte de encantar; Preserve sua autoestima; Seja um vitorioso permanente; Evite os fracassos; Como ser bem sucedido no mundo corporativo; Fórmulas para equilibrar carreira e vida pessoal; etc.

Não é possível desconhecer que ainda resistem algumas atividades de autoajuda no mundo virtual e através dos pastores eletrônicos, apoiados na “teologia da prosperidade”.

Mas vale o registro de que na medida em que algumas destas abordagens começaram a ser questionadas, surgia um novo movimento mais centrado em provocar reflexões, onde o indivíduo é estimulado a assumir seus próprios rumos. Inclusive tendo que aprender a lidar e decidir, com as incertezas da vida, nos seus diferentes papéis.

Merece especial referência alguns nomes que se destacam no momento, como Eduardo Gianetti, Leandro Karnal, Mario Sérgio Cortella e Luiz Felipe Pondé, além de muitos outros, no cenário internacional e nacional. Com certeza estou deixando de fora várias referências.

No mundo dos programas televisivos, palestras, cursos, mundo virtual merecem registro Café Filosófico, da TV Cultura; programação da Casa do Saber e Fronteiras do Pensamento. Em paralelo tem crescido o número de grupos informais que buscam se reunir para um debate que envolva diversidade, confronto de ideias, valores, ética e comportamentos.

O diálogo e abordagens sobre história, filosofia, temas culturais e sociológicos têm sido motivo de debates e inclusões na grade de conteúdos abordados, como parte da reforma de todo o curriculum do ensino médio.

No campo editorial merece um importante registro o crescimento das séries e edições, que tratam de temas mais abrangentes e seus autores.

Recentemente as editoras Estação Liberdade, Vozes, Paulus, Loyola, Record e Unesp fizeram lançamentos que tem obtido um gradativo sucesso. Elas participam do movimento que entende que filosofia, história, sociologia e outras formas de literatura tem um papel importante para a melhor compreensão da fase como a que vivemos.

Vale sempre ressaltar que o hábito da leitura – fundamental na formação de um caráter de curiosidade e reflexivo - nasce dentro de casa. Ou seja, pais que apreciam a leitura e o diálogo são fundamentais na criação deste saudável hábito, de ler e conversar. Claro que, preferencialmente, desligando toda a parafernália eletrônica.

E a cada dia podemos perceber que, apesar de todos os méritos dos avanços eletrônicos, o seu uso inadequado pode, aproximar os distantes e afastar os que nos estão próximos.

Enfim, este artigo é mais uma provocação para que cada um pense e considere o assunto na sua perspectiva, tanto individual como social.

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