Ame sua carreira. Ame (ou não) a empresa

O artigo traz um trecho do capítulo de introdução do livro "Empresa familiar: ame ou deixe" de minha autoria e coloca uma reflexão sobre fatores relevantes no desenvolvimento de carreiras dentro de determinadas empresas.

Ao lançar o livro "Empresa familiar: ame ou deixe" recebi muitos comentários e questionamentos a respeito de seu título impositivo.

Sabendo do efeito provocativo que o título do livro geraria, fiz questão de já no capítulo introdutório da obra esclarecer e contextualizar sua abordagem, que objetivamente pretendia levar o leitor a refletir sobre as escolhas de carreira e alguns aspectos relevantes para tomada de decisão dentro de uma empresa com ou sem origem familiar. Desta introdução, compartilho um breve trecho a seguir.

O título "Empresa familiar: ame ou deixe" levanta uma provocação a partir de um antigo slogan lançado no início da década de 70 pelo então presidente Médici, que dizia “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Propagada na época negra da ditadura, quando os movimentos sociais sofriam forte repressão pelos militares, a frase tentava demonstrar a posição dura do governo a qualquer oposição.

Os tempos são outros e – mesmo com tamanha liberdade de expressão conquistada nas últimas décadas – muitas pessoas e empresas ainda resistem a entender que as relações profissionais também mudaram.

Há pouca ou nenhuma dependência entre as pessoas e as empresas, onde os motivos para lhe manterem unidas vão além de aspectos financeiros e estão cada vez mais ligados a fatores como ideais, valores, culturas, objetivos, ambições pessoais etc.

No título do livro o verbo amar é alterado em relação ao slogan original e a frase não mais impõe que este amor deve estar restrito à empresa. 

Ame sua carreira, não necessariamente a empresa. Ame seus objetivos, seus colegas, seu ambiente de trabalho. Ame a empresa somente se houver algum alinhamento com a sua cultura e seus ideais. Caso contrário, talvez seja melhor repensar sua posição e permanência na empresa.

Esse conceito se aplica da mesma forma para a sucessão. Se um sócio ou sucessor da empresa não estiver alinhado e preparado com a cultura da empresa, não deve insistir na sua permanência. 

No contexto de empresas familiares, acredito que elas são definitivamente mais humanizadas que qualquer outro tipo de organização e talvez essa seja uma das  características mais genuínas dentro de uma economia cada vez mais integrada e dependente da sustentabilidade. É a economia do conhecimento, da capacidade intelectual humana e do potencial sinérgico do trabalho em equipe.

Grandes carreiras, em geral, são construídas através de longas jornardas. Por isso, é importante refletir sobre os diferentes aspectos da vida profissional e pessoal há cada mudança de direção durante essa jornada.

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Tags: carreira desenvolvimento empresa familiar equilíbrio vida pessoal