Carreira simultânea amplia vida com qualidade

A cada dia que passa as escolhas profissionais estão se tornando mais complexas e desafiadoras. E não apenas para os jovens que estão agora ingressando no mercado de trabalho, mas também aqueles, atualmente, na meia-idade, e que se confrontam com um desafiador momento de inflexão, tanto na sua vida profissional como pessoal.

Entretanto, em nossa experiência com processos de Pós-Carreira – preparo para a aposentadoria - de executivos, foi possível constatar que aqueles que desenvolveram, simultaneamente à sua vida corporativa, uma carreira, ou até mesmo uma identidade, transitaram melhor por esta fase.

Esta constatação faz ainda mais sentido quando o mercado começa a revisar os conceitos sobre “outplacement” ou transição de carreira.
Vejamos, adicionalmente, alguns dos valores que o mercado já considera como ultrapassados:

- Busca de uma profissão, ou atividade, que viabilizasse a estabilidade na mesma, até a aposentadoria, ou final da vida;

- Escolha de grandes corporações, públicas ou privadas, que adicionalmente pudesse representar um “sobrenome” corporativo valorizado no mercado;

- Sistemas de remuneração repletos de benefícios e símbolos de “status”;

- Planos de carreira em que a empresa assumia compromissos que, originalmente, são de responsabilidade individual;

- Perspectiva de uma aposentadoria, ainda na plenitude da vida, repleta de intenções de desfrute e resgate de tudo aquilo que se deixou de viver, por uma forte dedicação à carreira ou trabalho;

- Uma formação acadêmica que enfatizava, prioritariamente, o preparo para o emprego em detrimento do estímulo ao empreendedorismo.

Um exame do quadro atual mostra um conjunto de mudanças que devem ser consideradas, tanto nas escolhas das profissões como também por aqueles que estão na plenitude da sua carreira.

Eis algumas:
Atividades e profissões que estão se tornando obsoletas; Impactos provocados pelos avanços tecnológicos; Profundas alterações do mercado, comportamento e hábitos de consumo; Fusões e incorporações de empresas; Alteração dos modelos e estruturas familiares; Redução dos índices de natalidade; Globalização; Incertezas e maior mobilidade nas estruturas corporativas; Novas descobertas no campo da medicina e o aumento da longevidade, entre outras tantas.

Segundo os professores Andrew Scott e Lynda Gatton, da London Business School, autores do livro “The 100-Year Life” – A vida de 100 anos, em tradução livre – “uma criança que nasce hoje, no Ocidente, tem mais de 50% de chances de chegar aos 100 anos, quando um século atrás era apenas 1%”.

Ao considerarmos estas novas mudanças, é possível imaginar os desafios que serão exigidos, de cada indivíduo, na sua capacidade de reaprender e se reinventar, ao longo de toda a sua vida. Tema este abordado no livro “Longevidade – Os desafios e as oportunidades de se reinventar”, escrito juntamente com Denise Mazzaferro – Ed. Évora.

Segundo Andrew Scott, “um indivíduo que viva até os 100 anos, e não até os 70, como seus avós, deverá acrescentar 100 mil horas à sua capacidade produtiva. Com um décimo desse tempo, é possível tornar-se especialista em algum tema. O grande desafio será manter a capacidade de aprender, o que costuma diminuir com o envelhecimento”.

Muitos estudiosos do tema já apontam a necessidade de realizar várias transições de carreira e profissões ao longo desta vida mais longa. Fenômeno que já começamos a observar nos processos de educação para idosos.

Entretanto, nossa experiência, pioneira, em lidar com o preparo de executivos para o Pós-Carreira, desde os anos 80, no Brasil, mostra que transitam melhor neste processo as pessoas que, desde muito cedo tem carreiras simultâneas.

Exemplos práticos: Simultaneamente ao vínculo corporativo, ou profissional liberal, toca algum instrumento; dá aulas; participa de associações de classe, beneficentes, ONG´s; desenvolve algum negócio próprio; escreve e publica algo; Cria e mantém uma “identidade” alternativa, independente de ser remunerada ou não... Desta forma encara o processo de Pós-carreira de maneira menos traumática e mais suave.

A experiência inclusive demonstrou que as mulheres, por manterem múltiplos papéis, e atividades simultâneas à carreira, realizam essa transição de forma mais suave e positiva, que a maioria das figuras masculinas.

O acima descrito são apenas provocações para você, caro leitor. A ação, especialmente preventiva, é responsabilidade sua.

 

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