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O que aprendi estando desempregada

Se você acha que são somente perdas, está redondamente enganado

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Como escrevi um texto chamado “Perdi o emprego, e agora?” e fez bastante sucesso no Portal Administradores, resolvi fazer um texto-resposta para ele.  

Desde que comecei a trabalhar, fiquei duas vezes desempregada. São 12 anos de trabalho e 10 meses sem emprego.   
 
Da primeira vez, muito jovem, eu quis sair. Estava confusa tanto com a área financeira (se era isso mesmo que eu queria), quanto ao comportamento do meu chefe (que era muito ríspido), acabou havendo um desgaste e eu não era mais feliz ali. Com isso, fiquei meus primeiros cinco meses desempregada. Claro que bateu um desespero, eu até fazia entrevistas, mas não conseguia nada. O que me manteve mais ocupada na época, foi infelizmente uma doença de um familiar bem próximo e com isso tive que ajudar em muitos aspectos.  
 
Da segunda vez, foi bem recente, mas eu não quis. O mercado já estava em ruínas e com a crise política e financeira, a empresa precisou encerrar as atividades na minha cidade. Era a empresa que eu queria, a mentalidade que eu gostava e o que eu queria fazer efetivamente. Eles não queriam fechar e eu não queria ir embora. Esse bateu um desespero ainda maior, afinal, não sabemos o resultado de toda essa crise (ainda estamos ativamente nela). Foram 5 longos meses e muitas oscilações de humor, de auto estima, o ócio batendo à porta e a ansiedade me consumindo.  
 
E porque citei essas duas situações? Porque aprendi, nas duas (mesmo tendo sido momentos diferentes) que: 
 

Fiz o que estava ao meu alcance: Estudei pra concurso, enviei currículos, movimentei meus contatos, fiz o que podia para conseguir uma nova oportunidade, mas ela surgiu mesmo só ao tempo de Deus (ou do universo ou do que você acredita).

Aproveitei o que é de graça: Agora eu tinha tempo, mas o dinheiro estava contado, portanto fui dar aquela caminhada tão protelada (que hoje virou exercício de corrida), li aquela pilha de livros que estava me esperando (e nem terminei ainda), joguei meus joguinhos favoritos, me diverti com o que eu tinha, conversei mais, passei mais tempo com as pessoas, resolvi pendências (em todos os aspectos) e muitas outras coisas.

Fiz uma senhora faxina: No quarto, na casa, na alma, nas amizades, nos sentimentos...Conectei-me com o que gosto, deixei ir o que já não fazia mais sentido, revi minhas crenças, limpei meus ambientes, organizei, renovei, doei...;

“Deus não dá uma cruz maior do que podemos carregar”: Isso é verdade, porém não vai ser assim tudo tão bonitinho... Portanto, permita-se sofrer, sentir dor, chorar, encarar a realidade, entender que se já foi feita sua parte, não há nada que possa ser feito a não ser confiar e esperar. E se preciso for, procure sim formas para relaxar e tornar essa espera menos difícil.

Não estamos sozinhos: Essa foi a mais especial! Você aprende que pode contar com a família, com os amigos, com seu(sua) namorado(a) e entende quem está mesmo ao seu lado. Além da companhia dessas pessoas, tem também as companhias profissionais, pois devo muito à minha terapeuta e à recolocação que comecei a fazer, aos amigos que fizemos em nossa jornada e nem desconfiaríamos que poderiam nos dar uma palavra de consolo. Tem muita gente boa nesse mundo, basta que façamos sempre o bem, independente da situação.

A linha da tranquilidade e ansiedade é muito tênue: Qualquer coisa poderá te irritar, seja uma pessoa, seja um probleminha comum (uma lâmpada queimada, uma casa pra arrumar). Por isso é preciso cuidar da mente, pois um dia você pode estar bem, com a sensação de dever cumprido, mas no outro (enquanto a novidade não chega), você pode cair em desgosto e querer descontar em tudo (cada um reage de uma maneira, mas a reação é certa).

Fui importante para quem de fato precisou: Minha ajuda foi válida à aquele parente, que se recuperou e está bem, além de tantos outros que precisaram de ajuda. Nunca a neguei e nunca a negarei, mas ajuda boa é aquela que realmente favorece quem foi ajudado.  

Aprendi ainda mais sobre a solidão e o silêncio: por mais que estejamos rodeados de pessoas, nessas horas algumas somem mesmo e aí, mesmo que você conviva diariamente com alguém, em algum momento você vai estar sozinho. Isso nos faz entender que precisamos gostar da própria companhia, cuidar de nós mesmos (porque na verdade essa responsabilidade é só nossa) e aprender a nos bastarmos. Se conseguirmos isso, até nossas relações atuais melhoram bastante.  

Claro que não foi só isso e nem ficará nisso. Ainda tem muita coisa para se viver, o barco pode virar, as coisas podem mudar novamente. Mas o aprendizado sobre o que foi vivido marca. E aprenda a transformá-lo em uma marca leve e saudosa, nunca em tristeza e rancor. 
 
Para quem ainda está à espera, muita LUZ!
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Tags: aprendizado desempregado desemprego mercado seguro desemprego trabalho

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