Série - Tipos de Gestão Pública: 3º Capítulo - Gestão pela Inoperância

Neste terceiro capítulo, apresentaremos a Gestão pela Inoperância. Infelizmente, um fato corriqueiro na Gestão Pública. O que significa? O que caracteriza? Esta nomenclatura, muita utilizada, principalmente, no meio político, contudo, devia aparecer menos e “operar” mais...

Gestão pela Inoperância

Neste terceiro capítulo na nossa série TIPOS DE GESTÃO PÚBLICA, vamos abordar o que chamamos de Gestão pela Inoperância. Inoperância é uma derivação da palavra inoperante, que significa ineficaz, que não opera, sem efeito, entretanto no meio da gestão da pública, um predicado um tanto quanto usual, mais comum do que deveria.

Mas você pode me perguntar, como pode haver um profissional, um órgão, uma instituição, não somente pública, que pode gerir algo pela inoperância? Como já citei, infelizmente, isto é muito mais comum em Gestão Pública do que imaginamos. Vamos explanar este tema desde o princípio, focando na máquina pública.

Uma campanha eleitoral para determinado cargo legislativo, vários candidatos aparecem mencionando que irão atuar na Saúde, Educação, Segurança, Trabalho, entre outras áreas. O mesmo é eleito, toma posse e qual seu primeiro ato exercendo tal cargo? Buscar informações sobre seus benefícios como auxílio isso, auxílio aquilo, quantos assessores ele pode dispor, verba para isso, verba para tal, e assim por diante. Já começou sua inoperância. E os projetos e áreas que precisava trabalhar, que precisavam de mudanças? Não que o eleito já tenha que começar “tentar mudar o mundo”, é sabido que o mesmo precisa de assessores, estrutura para trabalhar, entretanto não seria mais EFICAZ que o mesmo já tivesse um projeto? A grande maioria simplesmente quer “uma boquinha” dentro da máquina pública que, neste Brasil, é mais que uma mãe. Muitas vezes, nem os cargos eletivos, prefeitos, governadores, presidentes, possuem um projeto bem estruturado, muitas vezes deixam a cargo de seus secretários e ministros para desempenharem esta tarefa, os quais, na grande esmagadora maioria, são nomeados não por sua capacidade, mas sim por vínculos partidários ou pior, por amizade ou indicação de “concorrentes” políticos, como no caso do recém empossado governador do estado de São Paulo, João Dória, que tanto criticou o governo do ex-presidente Michel Temer e nomeou 09 nomes da antiga gestão (Vinicius Lummertz para o Turismo, Alexandre Baldy para os Transportes Metropolitanos, Sérgio Sá Leitão na Cultura, Rossieli Soares na Educação, Gilberto Kassab-Casa Civil, que já foi substituído logo após sua posse devido ao fato de ser alvo de investigação da Polícia Federal, por Antonio Carlos Maluf, Aloysio Nunes Ferreira, que vai comandar a Investe SP, agência de promoção de investimentos, Nelson de Souza, que chefiará três estatais paulistas e por último, finalmente, ufa, Antonio Claret de Oliveira, que presidirá o Departamento Aeroviário de SP). Como cito em artigos anteriores e torno a repetir, não sou partidário, nem defendo ou incrimino A ou B, apenas estou exemplificando e ilustrando meus pontos de vista.

Tratando mais no detalhe, na gestão propriamente dita, apresentamos um case real apurado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) onde a inoperância, a falha de governança, a inabilidade e até inexperiência de alguns, levaram a Petrobrás, por parte de seu CA (Conselho de Administração), a um prejuízo, novamente, na ordem de mais R$ 43 bilhões (https://portal.tcu.gov.br/imprensa/noticias-antigo/gestao-antieconomica-de-refinarias-pode-ter-gerado-prejuizo-a-petrobras.htm). Agora, para compor um “Conselho Administrativo”, ainda mais da maior empresa estatal da América Latina, como podem cometer falhas apontadas pelo relatório do TCU como falta de planejamento e direcionamento estratégico? Outra vulnerabilidade apontada pela Corte de Contas foi referente ao rito de indicação da União para membros do CA, com falta de critérios objetivos, transparência e segregação de funções, entre outras, diz José Mucio Monteiro, ministro relator do TCU. Como mencionado neste mesmo texto, as famosas indicações. Quer maior ineficácia, maior inoperância do que isso na gestão pública?

Até o próximo e último capítulo da nossa série!

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