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Uma reflexão que você deveria fazer em 2019

Todos escrevemos diariamente sem dar muita importância a esta forma de comunicação. E isto pode estar prejudicando sua carreira.

A linguagem escrita foi uma das principais conquistas da humanidade. Imagine por alguns instantes como seria o seu trabalho sem a possibilidade da comunicação escrita. Volte um pouco no tempo: como você teria aprendido tudo o que sabe sem ela?

Agora retorne ao presente e pense naqueles posts no Facebook que você precisa ler, reler e fazer um esforço criativo para entender o que a pessoa quer dizer.

Acredito que você compreendeu o meu ponto: escrever é importante. Mas tão importante quanto é se fazer entender. Em um país onde três em cada dez pessoas são analfabetas funcionais, este problema é muito mais sério do que pode parecer para quem leva sua vida sem se atentar muito para a comunicação escrita.

Você deve estar pensando: “Mas eu escrevo bem, todos me entendem”. Ótimo, parabéns! Acredito em você. Mas acredite em mim: muitas pessoas que “escrevem bem” cometem erros de português.

Vamos a alguns deles:

1. A versus Há

Confesso que este erro me incomoda DEMAIS. Não sei se é porque é o que mais vejo por aí, ou se reparo tanto justamente porque ele me incomoda. Não importa. O que importa é que, quando o sentido é de tempo passado, usa-se o há do verbo haver. “Trabalho aqui há cinco anos”, “Cheguei há pouco tempo”. Ele também é usado com o sentido de existir: “Há um banheiro no fim do corredor”.

O a é uma preposição simples. “Chegarei daqui a cinco minutos”. Você não chegou, você vai chegar. “Daqui a pouco” também é com a, porque não se trata de tempo passado.

2. A versus À

Então você sabe usar o verbo haver, porém se confunde com a crase. Relembre as aulas de português: à é a contração da preposição com o artigo feminino (a + a = à). “Vou à aula de yoga”, “Fui à praia”. Há também as locuções adverbiais: à esquerda, à direita.

Este erro é bem comum: “de segunda a sexta”. Escreve-se sem crase porque o artigo a é inexistente. Já em “das 8h às 17h” existe a crase, porque o das nos indica que a preposição está presente.

3. Mas versus Mais

Este também é tão, tão comum… e no entanto a regra é tão, tão simples. Mas é uma conjunção de adversidade, com o sentido de todavia, no entanto, contudo. “Ela se saiu bem no concurso, mas não passou”. Mais é o oposto de menos. “Ela viaja mais do que eu”.

4. Auto

Quantas vezes você ouviu alguém dizer que fulana não tem autoestima? Bem, todos temos autoestima. O auto tem o sentido de si próprio, e não de alto (elevado, grande). A pessoa que não se valoriza tem baixa autoestima.

5. Vírgula entre sujeito e predicado

“O Ministro da Educação informou que irá suspender o Enem”. Há uma ligação direta entre o sujeito e o verbo, e por isso a vírgula não deve ser utilizada. As vírgulas indicam pausas necessárias, porém neste caso elas apenas atrapalham o sentido da frase. Se houver algum elemento novo entre os dois - como vocativo ou predicado - este elemento fica entre vírgulas. “O Ministro da Educação, que acabou de assumir o cargo, informou que irá suspender o Enem”.

As explicações acima são simplificadas, porque a nossa língua culta é cheia de regras e exceções e porque o objetivo do artigo não é dar uma aula. É somente te levar a questionar se você tem dado atenção ao que escreve. Se você está buscando um emprego ou uma promoção, pode ter certeza que estão avaliando seu domínio do português. Não é diferente se você é um pequeno empresário. O sucesso profissional passa por uma comunicação eficiente - e isso inclui também a linguagem escrita.

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