Cuidado ao abrir

Por vezes parece que falar em carência é como colocar uma placa “cuidado ao abrir”, como se lá dentro tivesse algo vergonhoso, então estou mudando a placa para “entre e seja bem-vindo”.

Dia desses discuti com meu esposo, por algo que nem lembro mais. Algum tempo depois fiquei pensando no motivo e nesse processo reflexivo me perguntei “quais eram minhas carências?”.

Em uma época onde compartilhar fragilidades é “feio”, falar de carência é quase a falência do ser humano.

Me dei conta que existem diversos tipos de carências e não há problema algum em falar no assunto, aliás há sempre um limite saudável em fazer isso.

Falar sobre carência é aceitar que algo está faltando, momentaneamente, o que nos permite ir em busca de satisfazer essa necessidade ou simplesmente deixar passar.

Posso dizer que naquele dia estava carente de “reconhecimento”, passei dias sendo criticada em virtude da falta de terceiros, e mesmo com todo meu esforço minha semana estava vazia de reconhecimento, e qual o problema em compartilhar esse sentimento? Nenhum!!! Quanto mais me torno consciente do que acontece comigo, mais me conheço, evoluo e aprendo a lidar com situações agradáveis e desagradáveis.

Por vezes parece que falar em carência é como colocar uma placa “cuidado ao abrir”, como se lá dentro tivesse algo vergonhoso, então estou mudando a placa para “entre e seja bem-vindo”.

Começo por aqui e incentivo você a fazer por onde esteja, vamos falar de nossas “faltas”. Às vezes estou de carente de mãe, então peço para ela reservar aquele tempinho para nós, às vezes estou carente dos meus amigos, então mando mensagens para saber como estão, combino aquele happy, às vezes estou carente de reconhecimento, então olho para minha caminhada e reconheço a mim mesma pelas conquistas, às vezes estou carente de carinho/atenção, então corro para casa para ficar com meu esposo e nossa baby de quatro patas, às vezes fico carente de mim mesma, esse é o dia que me desligo de tudo, saio por aí com meus pensamentos e com minhas vontades, converso comigo, choro, dou risada, pareço uma doida, mas “tô nem aí”. Essa lista tem muitas opções e estão todas justificadas, porque somos perfeitos e imperfeitos e essa é a melhor dinâmica da vida.

Confesso que muitas vezes fico carente de estar certa, mas nem sempre estou, e esse é o caminho, curar nossas carências com praticas saudáveis do Viver e com a ampliação da consciência sobre nós mesmos e sobre o próximo.

Um dos momentos que gosto de estar nessa situação é quando sinto falta da natureza e posso curar essa ausência aproveitando cada instante, estando em contato com a grama, com o mar, com a terra, respirando ar puro, em dias de chuvas, de sol, com o colorido das plantas, acompanhada de quem amo.

E chega a hora em que meu “potinho” está cheio do que faltava e está repleto de amor, carinho, gratidão e então posso liberar a carência para dar uma volta pela vida e em algum momento nos reencontraremos no ciclo saudável de sentir falta e curá-la!!!

Entre e seja bem-vindo!!!!

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