Do tempo perdido

Reflexão sobre o uso do tempo e suas consequências.

O tempo não se acumula, só passa, só diminui, só se esvai.

E como nós somos responsáveis pela nossa própria vida e o que acontece conosco, cada decisão que não tomamos é uma decisão inconsciente de procrastinar nossa própria existência; roubamos o tempo de nossa família, de nossos amigos, de nossa empresa, da sociedade.

Quantos caíram lentamente no preconceito, ditadura, nazismo, atrocidades, e violência, pela omissão, por serem preguiçosos demais para tomar as próprias decisões, para avaliar com maturidade seus valores e criarem seus próprios planos.

Pois quando falhamos em planejar nosso dia, nossa vida, autorizamos outros a planejarem por nós.
E se esse plano não for bom? E se for indigno de nossa vida? E se for perverso?

Cada vez que perdemos tempo, assassinamos lentamente nossa própria vida; roubamos o tempo daqueles que nos amam com nossas desculpas esfarrapadas de fazer o que é urgente, negligenciando o que é verdadeiramente importante, o que tantas vezes está ali disponível, de graça, até que se canse e vá embora sem olhar para trás.

Toda pessoa diante da morte se choca com seu próprio desperdício de tempo e energia.

Letargia e inquietação por viver antecipadamente o próximo momento que antecipa o fim ao invés de viver o único momento real, que é, o momento presente.
Quando vamos nos entregar ao agora?
Talvez a maior riqueza humana se encontra no cemitério. Fantasmas das possibilidades, do potencial jamais desenvolvido pelo pânico de errar.

Por que esse medo quando se sabe que as três únicas coisas que temos certeza como seres humanos são que tudo muda, vamos errar e vamos morrer?

Então do que se vale se agarrar a uma vida controlada, previsível, morna, egoísta e sem contribuição?

Para que serve uma vida mesquinha autocentrada quando existe riqueza para todos e a mais bela das satisfações quando podemos ajudar e erguer os demais?

A maldita necessidade de aprovação nos torna invisíveis ao mundo, mesquinhos, como se fossemos seres perfeitos, irretocáveis, quando na verdade somos tantas vezes capachos do conformismo, sedentos por elogios e popularidade.

O medo de errar nos transforma em plenos covardes.
E a velocidade do tempo moderno continua nos matando a verdadeira habilidade de aperfeiçoar, de refinar nosso caráter, de desenvolver nosso potencial, o que só acontece com planejamento, dedicação e no seu tempo.

Quando dizemos que "não conseguimos" estamos admitindo nas entrelinhas que somos preguiçosos demais para colocar o esforço necessário, arrogantes demais de assumir nossa fraqueza e limitação de que precisamos aprender e melhorar, temerosos demais de falhar, estamos escondidos no nosso ego de querer estar certo sempre, de querer acertar sempre, de sermos desmascarados da nossa preguiça, baixa autoestima e covardia.

Mas fomos criados como criadores; somos transformadores por natureza. Somos como deuses que dominam a natureza, tecnologia e se quisermos, o tempo.
Somos capazes de construir um destino próspero, abundante não só para nós e nossa família, mas para todos.

Pois o verdadeiro crescimento se manifesta na contribuição, pois o único que ficará será o legado para os outros já que o que é nosso não será levado daqui, após nossa passagem.

E quando chegar a hora derradeira como vamos responder: minha vida valeu a pena? Amei o que podia? Eu fiz a diferença na vida das pessoas? Poderia ter feito mais, vivido mais, amado mais?

E a questão de agora, deste momento é: como vamos responder, daqui até os últimos de nossos dias, ao presente diário de 24hs? Com nossa preguiça, procrastinação, medo, desorganização, necessidade de aprovação? Ou com o passo certo, decisivo, disciplinado, humilde, para construir uma vida de verdade, digna, da forma que queremos que seja.

Esta é nossa escolha agora.

Que possamos escolher com sabedoria e honrar a nossa decisão.

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Carlos Hoyos é empresário, especialista em elevação de performance executiva e empresarial. Ajuda empresários e influenciadores a desenvolverem suas empresas, negócios e carreiras. Já liderou equipes e projetos multidisciplinares, multi-sites e multi-culturais na IBM Estados Unidos e Motorola Brasil.

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