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Mãe: agente de desenvolvimento dos potenciais humanos

A psicologia positiva vem demonstrando que todos temos uma gama de talentos em potencial aguardando condições para serem desenvolvidos. As mães já sabem disso faz tempo!

Sem qualquer menosprezo aos papais, há muito tempo me encanta observar as delicadas manifestações de afeto entre as mamães e seus filhos e refletir sobre o quanto nós ainda estamos distantes de valorizar o papel das mulheres na formação do caráter e no desenvolvimento dos potenciais humanos dos membros da nossa sociedade. Um trabalho gigantesco, de alta complexidade, materialmente não remunerado e às vezes tratado como algo menor.

Da intimidade visceral durante a gestação, passando pelo aleitamento, pelos cuidados diários com a higiene, a saúde e a alimentação, pela comunhão afetiva na primeira infância e para além da vida adulta, esta troca intensa de ser humano para ser humano é algo que beira o maravilhoso e uma grande responsabilidade também.

Na rua, no shopping, no parque, na porta da escola, na sala de espera do pediatra, no cinema, no café da manhã, na hora da janta, nas festas familiares, nas apresentações artísticas, na beira da cama, aconchegados no sofá da sala – não importa, as mães se tornam nosso porto seguro, nosso ninho, nosso anjo, nossa maior e mais significativa referência.

Mesmo sem saber, impulsionadas por um amor incomparável, aplicando instinto, inteligência e intuição, as mães são as primeiras mentoras do processo de desenvolvimento de nossos potenciais.

Acolhendo-nos, elas nos transmitem segurança psicológica. Sua presença é de tal natureza que se fará sentir até quando não estiverem por perto e mesmo depois da sua partida. Quase sempre se tornam nossa mais recorrente saudade.

Ao cuidarem de nós, acariciando nossos cabelos, beijando nossas faces, trocando nossas roupinhas, medindo nossa febre, alimentando-nos, e tantas outras manifestações físicas de amor, elas colaboram para a integração do nosso Eu. E assim vamos nos percebendo como indivíduos independentes e únicos.

No início nós nos vemos pelos olhos delas. O amor com que nos olham nos faz sentirmo-nos dignos de receber amor. E esta condição influenciará fortemente o nível da nossa autoestima no futuro.

São elas, as mamães, que nos apresentam o mundo. Inicialmente, nós o enxergaremos através das lentes e dos modelos mentais delas. Converse com uma criança e você logo terá uma noção de como sua mãe encara a vida. Mais uma vez, esta será uma influência que impactará a vida da criança e do futuro adulto em múltiplos aspectos.

É interessante pensar como boa parte do trabalho das mães para que não nos sintamos sós é justamente para nos oferecer um ambiente afetivamente favorável, que nos torne aptos a estarmos sós no futuro, ou seja, para que conquistemos pouco a pouco a nossa autonomia.

Mães realmente presentes são as primeiras a enxergar nossos talentos, a reconhecer nossas tendências, a se encantar com nossas múltiplas inteligências, a conhecer nosso perfil psicológico, a ler o livro da nossa alma, incentivando o desenvolvimento de nossas potencialidades e enxergando em nós não apenas o que somos, mas muito do que podemos ser.

Como um trabalho de tal magnitude pode ser tão pouco valorizado por nossa sociedade? Se o Dia das Mães não fosse a segunda data mais significativa para o comércio de produtos e serviços, perdendo apenas para o Natal, será que teria tanto destaque na mídia a cada mês de maio?

Mães biológicas, mães adotivas, pais que se tornaram mães, avós, madrinhas, cuidadores, educadores que se fazem um pouco mães também – vocês todos fazem uma revolução silenciosa.

Por isso e por tudo o que eu não soube dizer, muito obrigado!

(publicado originalmente em www.cesartucci.com.br)

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Tags: desenvolvimento humano dia das mães maternidade