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O apoliticismo: a doença intrínseca à democracia

Seria o exercício da cidadania pelo abandono da perspectiva de que se possa equacionar questões de interesse público e do bem comum pela via das instâncias políticas, ou seja, pela instâncias da democracia representativa

CFA

O apoliticismo é uma doença intrínseca à democracia. A conquista da plenitude da democracia formal conduz inelutavelmente à apatia e ao descaso, ao desinteresse de participação política. A abstenção de participação no voto, a generalização na crítica ao político e à atividade política profissional decorrem da consequência inevitável do surgimento dessa doença intrínseca à democracia.

O apoliticismo seria o exercício da cidadania pelo abandono da perspectiva de que se possa equacionar questões de interesse público e do bem comum pela via das instâncias políticas, ou seja, pela instâncias da democracia representativa.

O remédio para o apoliticismo será sempre encontrado na própria democracia. Cura-se o apoliticismo com mais democracia, com instituições que funcionem e se aprimorem, com debate e transparência, com a contradição e escolha entre diferentes perspectivas, com a participação dos diferentes atores sociais.

Não há democracia sem contradição e sem resolução de conflitos pela via da negociação pacífica. A solução pela via da violência não é democrática. O preço que se deve pagar pelo empenho de poucos é frequentemente a indiferença de muitos. Nada ameaça mais a democracia do que o excesso de democracia. O excesso de participação pode ter como efeito a saciedade da política e o aumento da apatia eleitoral.

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