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Os riscos ambientais e a segurança do trabalho: de quem é a responsabilidade nas corporações?

Artigo discute sobre a responsabilidade estratégica dos riscos ambientais. Deve ser deixados com os especialistas ou os gestores e governança corporativa?

O desastre de Mariana e agora o de Brumadinho faz com que vários atores sociais se pronunciem dando as suas opiniões sobre como resolver o problema. Especialistas apontam erros na avaliação dos riscos existentes nesse tipo de empreendimento outros apontam decisões políticas erradas, corrupção do sistema entre outras possibilidades.
Quase sempre o que prevalece é o maior rigor nas regulamentações, para que se torne mais difícil a reincidência dos desastres. Porém, essa decisão pode incorrer em erros já apontados por especialistas nesse tipo de atividade, bem como em outras que envolvam riscos humanos e ambientais.
Outra questão que se apresenta é a responsabilidade pela proteção ambiental em função dos impactos das atividades de uma empresa. Será que deve ficar totalmente a cargo dos técnicos e da área jurídica ou da governança corporativa e seus executivos?
A resposta parece simples, mas não é. Se o foco da organização for exclusivamente técnico, a tendência dos profissionais da área é ficaram na caixinha, tentando sempre soluções dentro dos mesmos parâmetrosd tecnológicos, sem testar inovações ou mudanças. Por outro lado, se a organização tiver um foco fortemente jurídico, a sua tendência será manter-se fielmente dentro da legislação existente, pois pensa-se que cumprindo a lei em vigor, os problemas estarão resolvidos. Se há a necessidade legal de inspeções periódicas, elas devem ser feitas de forma rigorosa e dentro dos prazos. É assim que, em geral, as coisas funcionam.
Portanto, a solução para esse tipo de problema não deve ter foco apenas nos aspectos técnicos e jurídicos, mesmo sendo os dois importantes instrumentos de controle dos riscos ambientais. A gestão desses riscos deve ser um problema que deve estar na mesa do presidente e dos membros do conselho administrativo, pois trata-se de uma questão estratégica para empresas que operam com grau elevado de riscos. Ao se tomar a decisão estratégica de aumentar a participação no mercado, deve-se avaliar se o tripé da sustentabilidade está devidamente equilibrado (econômico, social e ambiental) e se não seria mais interessante a longo e médio prazo investir em tecnologias que não apenas possam reduzir os riscos, como também sejam capazes de garantir melhores soluções para os clientes e melhoria da qualidade dos produtos. A inovação tecnológica pode representar, no primeiro momento, custos mais elevados, mas no futuro poderá se tornar uma vantagem competitiva relevante, reduzindo custos e aumentando a eficiência do negócio.
Uma ferramenta de avaliação estratégica bastante útil é a análise SWOT (Forças, Fraquezas, Ameaças e Oportunidades). No caso da Vale seria fácil identificar sua fraqueza, no caso as barragens com tecnologia pouco segura. Ao mesmo tempo, essas barragens representam sérias ameaças ao negócio. Diante disso, bastaria perguntar para os acionistas se eles prefeririam continuar com lucros altos e com alto risco ou se seria melhor aumentar a segurança do negócio, garantindo a perpetuidade da empresa? Nenhum investidor de bom senso pensaria na primeira alternativa.


Enfim, os riscos ambientais em uma atividade econômica devem ser decididos pela diretoria executiva e governança corporativa e não ser responsabilidade isolada dos técnicos ou da área jurídica, pois quando o problema eclode, quem precisa se expor são os responsáveis pela empresa e de nada adianta jogar a culpa nos especialistas. Nestas alturas o valor econômico da empresa já ruiu e os lucros desabaram.

 

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