Perdidos no século XXI

A corrida de ratos baseada na sobrevivência e na manutenção das conquistas pessoais tem feito a sociedade perder a noção do preço pago pelos antepassados quanto às conquistas maiores, como os ajustes na segurança pública, a liberdade de expressão, a estrutura de ensino gratuito de qualidade para formação de cidadãos sóbrios, a liberdade de ir e vir.

A rotina acelerada levou, ao longo dos anos, à perda de conquistas sociais; políticos mal-intencionados criam medidas provisórias para limitar ou eliminar tais conquistas. Porém, de alguma forma, eles conseguem se beneficiar financeiramente ou com favorecimentos que conduzem à sua permanência nas ramificações do poder político.  Dessa forma, o Estado também se perde com a corrupção instalada em suas bases. A Lava-Jato mostrou apenas um pouco do mecanismo de corrupção, mas não há questionamentos sobre os valores de impostos arrecadados e onde foram aplicados. Segundo o site IMPOSTOMETRO.COM.BR, do ano de 2015 a 2017, foram arrecadados mais de seis trilhões de reais. Perguntas que nunca foram respondidas adequadamente pelos políticos ou pela mídia: Como é feita a aplicação desse dinheiro? As licitações são confiáveis? As prestadoras de serviços que trabalham com o Governo são confiáveis? Há auditorias privadas (nacionais) que analisam entrada e saída dessas quantias? Se há desestruturação pública, quem são os culpados e por que ainda não foram severamente punidos?

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Imagem 1 – Valor arrecadado no Brasil de 01 janeiro de 2015 a 31 de dezembro de 2017.

 

O descaso político, além de benéfico para os políticos, é um planejamento orquestrado para funcionar sempre dessa forma. Assim ocorre com as empresas públicas que faturam muito e são privatizadas devido ao “monopólio” ou pela má administração. A mídia vende a ideia de que a privatização é benéfica, porém a sociedade não compreende que ter empresas públicas em setores estratégicos beneficiaria a evolução da nação em melhorias contínuas em infraestrutura básica, ainda tão precárias. O Estado reduz o tamanho vendendo tudo o que possuí ou realizando concessões, principalmente de estradas, mas aumenta a carga tributária que jamais foram bem aplicadas.

O Governo sempre se mostrou contra ao próprio povo que administra e demonstra que continuará agindo assim. O sistema de ensino público, de saúde e de segurança sempre apresenta cortes de investimento. O ensino público estimula os jovens negativamente, não conseguindo fazê-los caminhar na vida adulta com qualificação, preparados para os desafios da própria vida em sociedade. A política de saúde está defasada e permite a aceleração das mortandades, assim como a falta de investimentos no sistema público de segurança, leva à morte de policiais por bandidos; o crime aumenta e a impunidade dos criminosos também cresce. O caos já instalado alastra-se por novas raízes profundas das estruturas sociais. A exemplo, temos os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, assim como o Norte e o Nordeste do país. Graças aos desiquilíbrios mental e emocional, à pressão instalada por todos os mecanismos sociais, a nação acelera a própria destruição!

O jornalista investigativo Daniel Estulin, em suas diversas publicações de vídeos e livros, assim como os filmes de José Padilha, Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, apontam: o inimigo agora é outro. E informam que existem alianças feitas entre governo e facções criminosas, além do envolvimento de empresários (nas citações de Daniel Estulin) para que haja mais poder/dinheiro entre as partes envolvidas, ocasionando falta de punição e perpetuação do caos civil, manifestando-se por meio de assaltos, roubos diversos, furtos, explosões de caixas-eletrônicos e carros fortes, alimentos adulterados para aumento dos lucros...

As armadilhas do discurso político e a campanha de Hugo Chávez para adentrar na política, assim como as FARC na Colômbia como partido político, são apenas uma parte do que o Brasil já tem vivido - e viverá no futuro - devido aos partidos políticos, em geral, estarem em ambos os lados da mesma moeda, sócios do Governo.

Em 1977, numa sessão do Church Committee, no Senado dos EUA, saltaram à luz certas atividades criminosas levadas a cabo pela Agência Central de Inteligência. Entre as revelações mais reprováveis, encontrava-se de que a CIA já há 25 anos experimentava em segredo drogas que afectam a mente, a manipulação psicológica das massas, a lavagem cerebral e as técnicas de tortura ao estilo da Coreia do Norte, com a assinatura da operação MK-ULTRA e outros programas. O New York Times publicou um artigo a esse respeito em primeiro plano e assinalou que um dos principais destrutores da mente envolvido no MK-ULTRA era o DR. West. O Times obteve um relatório escrito pelo próprio West, em que defendia o uso de LSD para o controlo social. Nesse relatório, segundo dizia o periódico, afirmava o seguinte:<<Este método, já previsto por Aldous Huxley, na obra Admirável Mundo Novo (1932), tem como objecto o uso selectivo de drogas para manipular de diversas maneiras os governados. De facto, é possível que seja mais cómodo e até mais barato manter crescente número de “utilizadores crónicos de drogas” (sobretudo as alucinogénias) bastante isolados e também fora do mercado de trabalho, com os milhões de desempregados. Para a sociedade, os habitantes das comunidades e as drogas alucinogénias são provavelmente menos incómodos – e menos caros – separados, do que se os deixarem expressar sua alienação por meio de protestos e dissensões políticas activas, organizadas e enérgicas.>> (Daniel Estulin, O instituto Tavistok, as forças ocultas que nos controlam, Publicações Europa-América, Novembro de 2012, página 59).

E a sociedade?

Não há equilíbrio social, e as pessoas estão desestruturadas por causa de ondas de mudanças de hábitos, como se cada homem perdesse o chão e passasse a caminhar esmurrando qualquer coisa que via pela frente, devido a mentes que abrem caminho para ódio, raiva, ganância, excesso de prazer... Todos recebem impulsos e obedecem sem medirem as consequências das ações. As estruturas de família, do certo e do errado, de bem e mal, sobre bom e mau caráter, de bom nome e mau exemplo de vida, transmitidas de geração a geração, estão em desuso, pois há uma nova ética sendo implantada e aceita sem truculências; afinal, não há tempo para pensar, meditar, refletir. E, quando há, de onde se extraem as bases de contestação, se leitura e estudos sobre vida, mente, economia, política, história, sociedade são ignorados em toda a fase adulta da nação, e o período estudantil fica no esquecimento por ser praticamente inútil?

“...e o amor de muitos esfriar-se-á por causa do crescente distanciamento da Torah.” Mattityahu [Mateus] 24.12

Conclusão

Fomos treinados a termos líderes e um pensamento coletivo para ações complexas. A vida é complexa e, para sobreviver ao caos, é necessário ser líder de si mesmo (treino de habilidades, aquisição de conhecimento e prática, tendo a maturidade e a sabedoria como consequências). Esse líder, em nossa época, perdeu-se na multidão de conselhos, de podas das habilidades para viver sob os padrões do sistema econômico hipnótico, que requer a aprovação alheia para que a pessoa sinta-se bem e prossiga com algum plano de vida. Em geral, por sermos rodeados de pessoas superficiais e sem liderança de si, a maioria se iguala aos demais, pois a mente, de tanto se deparar com os mesmos cenários, sem confrontação sadia (por que deve ser assim? aonde isso pode me levar? quais alternativas existem? O que não percebi?), acredita no mito social do salvador (pessoas iluminadas e competentes para conduzi-las, algum deus intervir). Todavia, elas deveriam agir! E finalizam suas vidas com a máxima popular: "Deus quis assim; é a vontade d’Ele.".

Os ensinos dos israelitas já diziam que sem conhecimento/estudos, planejamento e execução, sabedoria, modéstia, respeito e justiça, a vida humana perde-se, assim como a nação. (Provérbios 11.14, 19.27, 20.28, 25.5, 28.15, 29.4)

 

Referências:

Estulin: "El Gobierno de EE.UU. mueve más droga que los narcos latinoamericanos" publicado em 30 de abril de 2013.  Disponível em Youtube, <https://www.youtube.com/watch?v=0OzkQRStBgU>. Acessado em 20 jul 2018.

Desde la sombras ½. publicado em 24 de fevereiro de 2013. Disponível em Youtube, <https://youtu.be/2iu0rg_eIFk>. Acessado em 20 jul 2018.

Desde la sombras 2/2, publicado em 24 de abril de 2013. Disponível em Youtube, <https://youtu.be/hTklD5BjbC0> . Acessado em 20 jul 2018.  Junho / Julho 2018.

 

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