Polarização, Neutralidade e Mediação

Em época de debates polarizados, até a neutralidade pode ser atacada. Mas e se tivéssemos mais mediadores e menos opositores?

Polarização ideológica não trata-se – definitivamente - de uma pauta nova, mas tem tomado uma dimensão preocupante na área política nos últimos anos.

Para quem nasceu no Rio Grande do Sul, como eu, desde criança se vê obrigado a decidir entre dois polos: torcer para o Grêmio ou para o Internacional. Essa polarização futebolística inclusive ganhou um nome específico: a “Grenalização”.

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A polarização, em geral, está ligada à paixões, à extremos. Invariavelmente, debates polarizados carecem de racionalidade em determinados momentos de argumentação e defesa.

Particularmente, acredito que a polarização pode ser útil para muitas discussões e debates, apesar de também acreditar que a solução ótima está sempre na busca pela mediação de conflitos, na tentativa de alcançar o consenso em decisões intermediárias e nas práticas que equalizem interesses. Não trata-se de “não ter opinião”, mas de reconhecer "atributos positivos" na opinião contrária.

Nisso tudo acredito, mesmo que tenha dúvidas de como algumas pessoas conduzem esse processo de discussão polarizada, que costumeiramente tem por objetivo exclusivo a busca da mudança de posicionamento dos opositores ou dos indecisos (alheios a proposição de soluções conciliadoras).

No entanto, de um fato tenho convicção: a polarização torna-se nociva quando ataca o direito da neutralidade, ataca o direito de um indivíduo “sigilar” sua opinião, ou ainda, quando ataca pessoas favoráveis à mediação.

Neste contexto, é possível constatar equívocos persistentes em defensores de todos os polos em confronto. Existem aqueles que defendem a liberdade de expressão, mas esquecem que o silêncio é uma forma de expressão. Existem aqueles que atacam os regimes autocráticos, mas esquecem que respeitar a opinião contrária é um dos preceitos da democracia. Existem aqueles que defendem as minorias, mas utilizam a opinião de grupos influentes para manipular estas minorias. Existem ainda os intelectuais e falsos intelectuais que impõe verdades absolutas, mas nada fazem para aqueles que carecem de educação terem condições de construir suas próprias verdades. E por aí vamos...

O atual cenário social clama por mais mediadores, já que os postos de opositores parecem estar plenamente preenchidos. Opor é mais fácil que Mediar. Em sua origem, a mediação tem relação com a busca por justiça, felicidade, meio-termo e tolerância. Nesta reflexão, é relevante recorrer a Mahatma Gandhi, quando diz:

"A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos."

Certamente na educação e na cultura estão as respostas para o desenvolvimento de discussões mais sensatas, soluções mais eficientes e para uma sociedade mais pacífica. Nesse sentido, o caminho é longo e depende de pessoas que defendam a mediação, a sinergia, o respeito mútuo, a pactuação de interesses, etc. 

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Caso você tenha chegado ao final desse texto e tenha ficado incomodado politicamente com alguma afirmação aqui escrita, fique tranquilo, em todas essas reflexões estava apenas me referindo ao futebol! Ou não.

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Tags: contraditório cultura democracia educação futebol liberdade mediação neutralidade pacificação polarização política tolerância