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Precisamos de mais empatia na vida pessoal e profissional

Violência, corrupção, preconceito de todos os tipos e em todos os lugares (na rua, na faculdade, no trabalho), desigualdade de todas as formas (de raça, classe, gênero), o que há de comum em tudo isso? Esses e muitos outros problemas poderiam ser amenizados/reduzidos se houvesse um maior grau de empatia, na sociedade como um todo.

Empatia não é somente se colocar no lugar do outro, na situação pela qual outra pessoa está passando, mas, como define o 'Dicio' (Dicionário Online de Português), é a "ação de se colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias. Aptidão para se identificar com o outro, sentindo o que ele sente, desejando o que ele deseja, aprendendo
da maneira como ele aprende etc".

Ou seja, não é simplesmente se imaginar vivenciando a situação pela qual outra pessoa está passando, mas sim buscar ver a situação como a outra pessoa vê, pois como todos são seres distintos, possuem princípios, emoções, comportamentos, conhecimentos e, principalmente, 'bagagens' acumuladas diferentes.

Com isso, quebramos uma forte premissa que se é propagada; não devemos fazer com os outros somente aquilo que gostaríamos que fizessem conosco. Isso ocorre justamente por conta de haver uma diversidade de preferências, e ao fazer com o outro, somente aquilo que gostaríamos que fizessem conosco, deixamos de ser empáticos, de pensar no 'outro', e passamos a pensar no 'Eu', naquilo que nos convém.

Ao contrário do que se pode pensar, que somos seres inteiramente egoístas, como escreve o filósofo e autor Roman Krznaric, em seu livro 'O Poder da Empatia', "biólogos evolucionistas mostraram que somos animais sociais que evoluímos naturalmente para ser empáticos e cooperativos, como nossos primos primatas. E psicólogos revelaram que até mesmo crianças de três anos são capazes de sair de si mesmas e ver a partir das perspectivas de outras pessoas".

Como destaca o site CPDEC (Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada), "Hoffman (1981) cita dois tipos de ativação empática que têm características de resposta comuns a toda espécie, sendo então possivelmente inatos. O primeiro tipo é a imitação de outras pessoas pelos observadores, com movimentos posturais e de expressão facial que, quando produzidos, criam no indivíduo indicadores internos que contribuem para compreender e sentir a emoção em si próprio. O segundo modo empático é feito por indicadores de dor ou prazer do outro, que fazem associações com sensações já experenciadas pelo observador, resultando numa reação afetiva empática, que é involuntária e praticamente automática".

Ter reações ao ver uma cena triste em um filme, por exemplo, está relacionado à empatia.

Alguns exemplos de atitudes empáticas, dados pela escritora Deise Aur:

*"Uma pessoa empática observa o que o outro expressa e sente;

*Ouve, olha e sente com o coração aberto, a cabeça livre, tem sensibilidade,
atenção e percepção à expressão e à reação do outro ser;

*Ajuda, se for possível, quando o outro precisa de auxílio, mesmo que, seja o
conforto da presença, do abraço ou de uma boa vibração para ele;

*Tem compaixão pelo sofrimento alheio;

*Age e se relaciona com o outro sem discriminação, críticas, julgamentos e condenações diante da fragilidade do outro".

Como destaca a especialista em neurociência e psicologia aplicada Tati Fukamati, devido à capacidade do nosso cérebro se moldar e se adaptar a qualquer estímulo que recebe, a empatia pode ser desenvolvida, assim como qualquer outra competência e habilidade, como a de falar um novo idioma. Isso ocorre também, pelo fato de a empatia ser uma competência, "uma das principais competências da liderança do futuro", como aponta a especialista Tati, que também é especialista em empatia, sustentabilidade e inovação social. Ela ainda mostra que a empatia nos ajuda a sermos mais inovadores, criativos e a aprimorar o pensamento sistêmico, pois nos possibilita olhar os problemas com outras 'lentes'.

Com isso, surgem novas formas de solucionar a maioria dos problemas que aparecem diariamente nas organizações, não somente com o RH, já que todos eles envolvem pessoas, seja no marketing, no financeiro, na logística, no TI ou na produção, enfim, todos lidam com algum ou alguns stakeholdes, como, clientes, fornecedores, governo ou sindicatos.

Resumindo, como disse o escritor e consultor Simon Sinek, "100% dos clientes são pessoas. 100% dos empregados são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios". Por isso, é essencial olhar com a visão do 'outro', para poder solucionar o 'problema' que o envolve (problema em sentido amplo, ou seja, em todas as questões, em todas decisões que envolvam direta ou indiretamente terceiros). Não é fácil, mas basta começar e desenvolver aos poucos, assim como qualquer outra competência. "Se você melhorar 1% a cada dia, ao final de 1 ano você será 365% melhor do que era quando iniciou".

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