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Viver é deixar fluir

Sobre aceitação e deixar fluir. Entender que não temos o controle de tudo e tudo bem. O fluxo é perfeito.

Ah o fluxo...

Muitas vezes balbuciei palavras nem tão bonitas ou positivas sobre o fluxo das coisas, da vida, dos acontecimentos. Outras vezes me rebelei: Por que eu? Mas, tinha que ser com a minha família? Isso não é justo!

Passamos boa parte do tempo em busca de segurança, instinto de sobrevivência, conforto ou controle. E talvez, esses fatores dificultem a aceitação, o deixar fluir, o permitir ir e vir das coisas e das pessoas.

Aceitar que não temos bola de cristal e que ficar tentando prever o futuro além de não trazer informação ou certeza alguma, pode nos dar rasteiras de noite mal dormidas ou crises intermináveis de ansiedade.

Perceber que controle é ilusório e isso sobre qualquer aspecto. Na realidade não temos total controle sobre nosso filho de dois anos, nem sobre o comportamento dos outros, ações e reações, imprevistos, nem sobre nosso filho de quatro patas que tantas vezes nos surpreende.

Na maioria das situações, para não dizer em todas e deixar os ansiosos ou reticentes de plantão saltitando da cadeira, os fatos serão diferentes do sonhado, imaginado ou planejado.

Imaginem um rio que simplesmente flui e segue deixando suas águas correrem e percorrerem o caminho e de repente no meio deste rio tem duas pedras enormes. O que acontece com as águas? Elas desviam dessas pedras e mesmo que percam certa intensidade continuam o caminho. No flow.

Quantas vezes isso não acontece conosco? Imprevistos ou obstáculos que fazem com que as coisas não saiam como planejamos. Que vão desde as situações mais simples, as mais complexas. Nos programamos para chegar na reunião com antecedência, mas o pneu fura, o engarrafamento estava além do imaginado e nos atrasamos muito ou perdemos o compromisso. E como fica o nosso dia depois disso? Aí sim nós temos o controle e a opção de escolher como vai ser. Soltando cobras e lagartos pela boca ou respirando fundo, ligando para o cliente e remarcando e usando o restante do tempo para coisas úteis ou descontando na esposa e nos liderados?

Outro dia encontrei uma colega de trabalho que chegou muito irritada e desconcertada, por imprevistos no trânsito durante o seu trajeto para empresa. Estava com a fisionomia, andar, tudo alterado e dizendo que estava tudo péssimo. Eu mesma me encontrei em situações parecidas, inúmeras vezes e mandei o fluxo praquele lugar. Então eu falei para ela: daqui por diante você escolhe se vai ter um bom ou mal dia. Depende de você. O que vai ser? Ela parou, olhou para mim e voltou a si retomando a consciência e escolheu não deixar aquele fato estragar o restante do dia.

O fator tempo também costuma competir ou desafiar o fluxo. Quantas vezes o que queremos acontece dentro do tempo que gostaríamos? E quantas vezes escutaram um amigou ou parente dizendo: Tudo tem seu tempo. Paciência. Não era para ser. Na hora certa vai dar certo. Falta pouco. Pouco ou muito é relativo para cada pessoa, na mesma proporção do grau de paciência que nascemos, obtemos ou perdemos ao longo da vida. Neste aspecto de tempo já chutei o balde com o fluxo dentro várias vezes e depois fiquei pulando e segurando o pé machucado da topada.

Como aprendizado, noto que muitas vezes, aquilo que queríamos não era para ser ou pelo menos não naquele momento. Que foi melhor assim. Evitou coisa pior. E passei a comprovar que certas frases que antes eu considerava absurdas, agora fazem algum sentido. Mesmo que demoremos a perceber ou entender, tem coisas e pessoas que não são para nós. E podemos pensar só no que perdemos naquele momento, mas mais adiante entendemos o porquê e que ganhamos em outros aspectos ou até deixamos de perder mais.

Já tive experiências pessoais de agir por pura teimosia e cabeça dura, duríssima e forçar a barra e me dar muito mal. Sabe quando você vê que não está fluindo e insiste? Recebe inúmeros sinais de que não é para persistir e ignora? Pois é, forçar o fluxo na minha experiência deu muito errado. Num primeiro momento até consegui o que tanto queria, mas, deu muita dor de cabeça e stress e pouco ou nenhum benefício. A conta ficou cara. Mas, me serviu de aprendizado e hoje mesmo que eu fale mal do fluxo inicialmente, retomo a minha consciência mais rapidamente e caminho para chegar na aceitação.

Se não conseguimos isso, além de “perder” algo porque é essa a sensação inicial de perda e frustração, deixamos de obter novas coisas e deixar o caminho aberto para as oportunidades que brotarem. Quando não conseguimos aceitar ou respeitar o fluxo, ficamos presos a sentimentos ruins e bloqueamos a energia e os caminhos. Aproveitar a jornada. Fazer do limão uma limonada. O universo é perfeito. O fluxo é perfeito.

“Pedras no caminho, guardo todas, um dia vou construir um castelo.”

Na pior das hipóteses você aprendeu e deixou seu copo meio cheio. Estufe o peito, levante a cabeça, respire e reflita: Quem você escolhe ser? Como você escolhe agir e pensar?

“Tudo que vier é bem-vindo...Deixe que venha... Se for bom, deixe que fique. Se for ruim, deixe que vá...”

 

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