A explosão de uma guarita na madrugada de ontem voltou a detonar o medo no condomínio Poente da Vila, na zona sul de Porto Alegre. Eram 3h30min quando o abrigo do vigilante dos três prédios foi pelos ares. O teto voou, os vidros foram parar perto da rua e pelo menos um carro restou avariado. O estouro foi ouvido a centenas de metros do local, confirmaram moradores da vila que se espalha em frente aos edifícios. Alguns dos ocupantes dos 174 apartamentos acharam que tinha sido um acidente de trânsito na Avenida Guaíba, no bairro Vila Assunção. Eles se surpreenderam ao ver os destroços. – Não pensava que fosse algo tão grande. Eu caí dura – disse a síndica Dionice dos Reis. No que sobrou da estrutura havia frases escritas com caneta preta: 'Eu e tu. Tu sabe que é nós? É…'. Ninguém ficou ferido. O guarda fazia uma ronda naquele momento. A síndica não confirmou a existência de alguma desavença envolvendo o vigia. Lembrou, porém, que no dia 9 um motociclista quebrou o vidro da mesma guarita com seu capacete. Houve discussão com o vigilante e, a seguir, o homem fugiu. Há três anos, moradores do Poente da Vila decidiram se calar, com medo de ter problemas com traficantes da região. Naquela época, alguém telefonou para a polícia denunciando o comércio de drogas na região e houve ameaças por parte dos criminosos. Outros casos de conflitos também foram relatados. No entanto, nada parou nos registros da 6ª Delegacia da Polícia Civil (Tristeza), de acordo com o escrivão Hugo Gerson Engel: – Fizemos uma pesquisa aqui no sistema, e nada chegou até nós. O ataque à guarita foi exceção, pois virou ocorrência na 6ª DP. Enquanto as informações à polícia são racionadas, moradores dos prédios comentam que há dois pontos de tráfico na avenida. Um condômino que não quis se identificar desabafou: – Isso (tráfico) ocorre nessa calçada há muito tempo. Está ocorrendo debaixo do meu nariz. Até então não tinha havido nada assim, como essa bomba contra o condomínio. Na vila em frente aos edifícios, poucos comentaram o assunto. O delegado Walter Waigner da Silva, da 13ª DP (Cavalhada), que atualmente responde também pela 6ª DP, salientou a inexistência de antecedentes de violência no local e enumerou suspeitas: – Em princípio, seria um ato de vandalismo. Pode ser uma molecagem, mas será investigado. Provavelmente, o explosivo usado é sobra dos fogos de artifício do fim de ano. A equipe da Polícia Civil que esteve na tarde de ontem no local sugeriu a possibilidade de terem sido usados fogos de artifício conhecidos como batom 4. Segundo policiais, o artefato teria sido colocado dentro da guarita. – Poderiam ser essas bombas comuns. Um laudo técnico vai apurar a quantidade de explosivo – destacou o delegado.