Responsabilidade social: uma empresa saudável numa sociedade saudável

A administração tem interesses próprios numa sociedade saudável, mesmo que a causa da doença da sociedade nada tenha a ver com a administração

As responsabilidades sociais - sejam de empresas, de hospitais ou de universidades - podem surgir em duas áreas. Emergem dos impactos sociais da instituição ou surgem dos problemas da sociedade em si. Ambas as situações são do interesse da administração, pois as instituições administradas pelos gestores vivem das necessidades da sociedade e da comunidade. Mas, sob outros aspectos, as duas áreas são diferentes. A primeira trata do que as instituições fazem para a sociedade. A segunda se interessa pelo que as instituições podem fazer pela sociedade.

 

A organização moderna existe para prestar serviços à sociedade. Portanto, precisa estar na sociedade. Ela deve atuar na comunidade, ser um vizinho, realizar ser trabalho no contexto social. Mas também necessita empregar pessoas para fazer o seu trabalho no contexto social. Seus impactos sociais inevitavelmente vão além das contribuições específicas que são sua razão de ser.

 

O propósito de um hospital não é empregar paramédicos e cozinheiros. É atender aos clientes. mas, para realizar este propósito, os paramédicos e cozinheiros são indispensáveis. Em muito pouco tempo, eles formam uma comunidade de trabalho, com suas próprias tarefas comunitárias e seus próprios problemas comunitários.

 

O propósito de uma fábrica de ferroligas não é fazer barulho nem liberar efluentes nocivos. É produzir metais de alto desempenho que atendam às necessidades dos clientes. Mas, no processo de realizar seus objetivos, ela produz ruído, gera calor e desprende gases tóxicos.

 

Ninguém quer provocar engarrafamentos de trânsito. Mas, em grande parte, são subprodutos incontornáveis.

 

Os problemas sociais, em contraste, são disfunções da sociedade, em vez de impactos da organização e de suas atividades.

 

Evidentemente, a empresa siderúrgica analisada no capítulo anterior sem dúvida praticava discriminação racial. Mas a discriminação racial não era provocada por suas atividades; não era um impacto. Ao contrário, o problema racial do velho sul dos Estados Unidos havia muito eram considerados pelas empresas grandes obstáculos à industrialização e ao desenvolvimento econômico. Era uma condição externa com a qual devia conformar-se qualquer organização que operasse na sociedade sulista. Do mesmo modo, a Swift da Argentina - ou as empresas processadoras de carne na Argentina, como um todo - não foi a causa do declínio secular da indústria pecuária argentina e do consequente desemprego no Porto de Buenos Aires. Ao contrário, elas combateram as políticas governamentais responsáveis pela decadência.

 

Todavia, tanto a empresa siderúrgica que operava no sul dos Estados Unidos quanto a Swift da Argentina não podiam ignorar a situação. Esses problemas são as doenças degenerativas ou os resíduos tóxicos da sociedade e da comunidade em que a empresa opera. Uma vez que as organizações só podem existir em determinado contexto social, considerando que, realmente, são órgãos da sociedade, estes problemas sociais afetam as organizações. São de seu interesse, mesmo que, como no caso da empresa siderúrgica, a comunidade em si não reconheça o problema e resista a qualquer tentativa de solucioná-lo.

 

Uma empresa saudável, uma universidade saudável ou um hospital saudável não pode sair-se bem numa sociedade doente. A administração tem interesses próprios numa sociedade saudável, mesmo que a causa da doença da sociedade nada tenha a ver com a administração. Outras informações podem ser obtidas no livro Fator humano e desempenho, de autoria de Peter F. Drucker.

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