“Não deixe para amanhã aquilo que você pode fazer hoje”Ditado Popular Atuando ativamente nas redes sociais, vez por outra, alguns padrões de mensagens me chamam a atenção. Nos primeiros meses, me surpreendi em relação a quantidade de pessoas que odiavam a segunda-feira e amavam as sextas. Agora, a bola da vez é: “acaba logo ano”, “contando os dias para o final do ano”, “agora falta pouco para o ano acabar”. Pensando sobre o assunto e tentando entender o que motiva tantas pessoas a ansiarem pelo fim do ano, lembrei de um texto do Carlos Drummond de Andrade que transcrevo aqui: “Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”. Por mais que essa “justificativa” do Drummond seja brilhante, penso que muitos dos que manifestam esse seu desejo estão no fundo procrastinando. Muitas vezes, são os mesmos que esperam pela segunda-feira para começar a dieta. E com isso o tempo vai passando. E tempo, meus caros, é o nosso bem mais precioso: cada segundo que passa, simplesmente passa. E de segundo em segundo, de hora em hora, vamos desperdiçando, muitas vezes, um ano inteiro. Ou seja: não adianta torcer para que o ano acabe logo, as 24 horas do dia continuarão sendo 24h. Não devemos confundir esperança com esperar. Como dizia Paulo Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera”. Resumindo: cada dia de espera é um dia a menos. Se o desejo de mudança é legitimo por que não começar agora? Primeiro de janeiro de 2011 nada mais é que um dia depois do dia 31 de dezembro de 2010. A vida simplesmente continua (apesar da esperança se renovar, como escreveu Drummond). A ideia dessa provocação não é intimidar aqueles que escrevem ou alardeiam esse desejo. Longe disso. A intenção é apenas convidá-los para uma reflexão, pois aquilo que falamos (ou, nesse caso, escrevemos) é influenciado pelo nosso pensamento, ao mesmo tempo em que, tem poder sobre nosso comportamento. O que é a “tal força do pensamento” se não a materialização, conseqüente de ações coerentes e consistentes, daquilo que de fato desejamos? Às vezes dá um nó, mas vale à pena refletir sobre (e agir para promover as mudanças necessárias que vão gerar comportamentos que favorecem a realização dos tais sonhos). E você: está esperando o quê?