E se o BitCoin tivesse um banco central?

O Grande legado do bitcoin foi o de mostrar o quanto uma criptomoeda global pode ser útil. Qual será então o próximo passo?

A definição básica de uma moeda é que esta é um Ativo financeiro utilizado como meio de trocas cujo preço é definido pela quantidade de bens e serviços que podem ser comprados com uma unidade deste padrão monetário.

A velocidade de circulação é outra variável importante de teoria monetária, pois define a velocidade com que uma unidade monetária e gasta num certo período de tempo e quanto maior a velocidade maior a renda gerada a partir dessa moeda e maior a sua importância no mercado.

O Dolar assume uma grande importância no mercado internacional porque lastreia todas as transações de comércio exterior do mundo. O Euro assume a posição de segunda moeda mais importante porque lastreia as transações comerciais domésticas da Europa e assim por diante.

Porque não é possível um grande volume de transações comerciais em BitCoin visto que é uma moeda global? Porque não usar o bitcoin para lastrear as transações de comércio exterior?

A resposta para essa pergunta é simples: Volatilidade

Imagine o seguinte cenário: Eu fecho um acordo com você de comprar um determinado produto por BTC 1.000,00 e te pagar em 15 dias.

A cotação do Bitcoin hoje é de USD 2.600,00 o que significa que ambas as partes assumiram um compromisso de USD 2.600.000,00.

Se uma grande variação acontecer nestes 15 dias e a cotação subir 100% significa que o comprador vai desembolsar o dobro pelo produto, o que pode tornar inviável os planos para esse produto no seu destino.

Por outro lado, se a cotação cair 50% nestes mesmos 15 dias, o vendedor receberá metade do acordo, o que pode lhe impor um grande prejuízo.

Uma das funções dos bancos centrais é oferecer estabilidade e confiança nas transações comerciais feitos utilizando a moeda sob seu domínio. Quando mais estabilidade e segurança mais transações comerciais são realizadas.

Porém, com o BitCoin ficou muito claro os benefícios de se ter uma criptomoeda não ligada a um país. Imagine então os benefícios de uma Criptomoeda com uma garantia mínima de que suas cotações não sofreriam variações bruscas.
O que seria possível fazer com essa moeda?

  • Substituir o Dolar nas transações de comércio exterior
  • Alavancar a economia de paises menos desenvolvidos
  • Ser o principal meio de transferência transnacional de recursos monetários
  • Ser a principal referência monetária do mundo
  • E muito mais.

Uma infinidade de oportunidade se abre para o comércio e para os investimentos.

De forma geral os custos relacionados às transações financeiras cairiam de forma brusca beneficiando não somente os bancos mas praticamente qualquer usuário que necessite operar com uma determinada moeda.

O fato de não possuir um banco central é o ponto positivo de uma criptomoeda, pois esta fica isenta de decisões política. Por sua vez, o ponto negativo é que ela sofre muito com a instabilidade e a falta de controle, o que inviabiliza sua utilização na maioria das transações comerciais.

Fica então a pergunta: Qual deverá ser o próximo passo na elaboração de uma criptomoeda estável?

O Próximo passo deverá ser tomado pelos grandes bancos globais, que deverão se unir na criação de uma ciptomoeda controlada por um banco central transnacional e sem influência de governos. Eles criariam uma moeda transnacional.

Mas, como funcionaria esse banco central transnacional e apolítico?

Mineração centralizada

O Primeiro ponto acerca dessa nova criptomoeda seriam os mineradores: Somente os bancos associados à criptomoeda estariam autorizados a minerar moedas.

A mineração centralizada nos bancos associados aumentaria em muito a confiabilidade e a segurança da criptomoeda, assim como aumentaria de forma significativa a capacidade de minerar a moeda, extrapolando alguns limites atualmente existentes nas criptomoedas.

Banco Central virtual

O Segundo ponto, e o mais importante, seria a criação de um banco central virtual: Esse banco central virtual controlaria a volatilidade da moeda e evitaria grandes flutuações.

Esse banco central virtual seria baseado em regras computacionais que seriam implementadas diretamente nos mineradores. Tais regras atuariam toda vez que a moeda sofresse grande volatilidade.

A gestão e a definição das regras deste banco central se daria por um comitê formado por representantes dos membros do consórcio gestor da moeda, que analisariam os dados das transações, identificariam variáveis potencialmente desestabilizadoras e criariam regras para mitigar seus efeitos.

Os primeiros passos

Os bancos são, pela sua própria natureza, conservadores e dificilmente veremos uma revolução imediata nesse processo. O Mais provável é que esse processo comece no mercado interbancário, que regula as transações financeiras entre bancos.

As trocas financeiras entre bancos são extremamente úteis para as instituições financeiras, mas se limitam ao país no qual se encontra. Uma moeda digital global pode permitir por exemplo que um banco na França tome emprestado recursos de um banco no Brasil para equilibrar sua tesouraria, o que poderia ser muito vantajoso para ambos.

Uma vez que o mercado interbancário esteja estabilizado e demonstre confiabilidade e segurança, esse recurso poderia ser disponibilizado para grandes corporações que utilizariam estes recursos para os mais variados fins, entre eles para equilibrar suas tesourarias, especialmente cobrir necessidades de curto prazo. E assim seguiria gradualmente para os mais variados segmentos até que chegasse ao mercado de “varejo”, onde qualquer pessoa poderia ter uma conta global em moeda virtual.

A evolução gradual serviria também para uma a validação dos conceitos e fundamentos adotados pelo Banco Central Virtual, dando segurança para que as instituições financeiras ampliassem a liberação da moeda para outros mercados sem medo de grandes variações nas cotações, como acontece no Bitcoin.

Consequências para o mercado

O principal benefício para o bancos que se associarem a um sistema global de criptomoedas é se livrar das amarras regulamentares dos bancos centrais, dando a estes mais liberdade para operar globalmente.

Outro benefício notório seria a liberdade de movimentação de capitais, visto que as grandes reservas estariam "na nuvem", sob controle do banco central virtual e somente se submeteriam ao controle de um banco central tradicional quando houvesse a necessidade de transações físicas no país.

Para o comércio global o principal benefício a ser considerado seria a desburocratização dos processos comerciais, onde os pagamentos seriam efetuados de forma simples e rápida, independente de origem e destino da transação.

A resposta das nações

Para as nações a perda de controle sobre a movimentação de capitais seria catastrófica. É justamente esse controle que garante as receitas necessárias para a sobrevivência do estado.

Neste cenário as nações iniciariam um processo de regulamentação com objetivo de controle da movimentação dos capitais e, para cada regulamentação haveria uma resposta dos agentes de mercado para burlar tal regulamentação. Uma verdadeira briga de gato e rato, só que dessa vez o rato é o estado.

Conclusão

Como foi dito anteriormente, a principal contribuição do BitCoin foi mostrar o quanto uma criptomoeda seria útil para as transações comerciais.

A grande questão agora é como resolver o problema da volatilidade e criar uma criptomoeda que ofereça a flexibilidade mostrada pelo BitCoin e a estabilidade de moedas tradicionais controladas pelo banco central.

Os maiores interessados nessa questão são os bancos, que se livraria das amarras governamentais impostas pelos bancos centrais e agiriam livremente em um mercado que não possui limites.

Um consórcio de grandes bancos para a criação de uma CritoMoeda que incorpore um sistema de controle de volatilidade seria o próximo passo na evolução dos sistema monetários.

Resolvido o problema da estabilidade da moeda e, naturalmente, o problema da desconfiança do mercado acerca dessa moeda. Com as barreiras transnacionais ao capital definitivamente derrubadas, estaríamos diante da mais impressionante revolução comercial e monetária jamais vista pelo ser humano.

Tão impressionante que é até impossível elucubrar sobre as consequências dessa revolução: Seriam boas ou ruins?

Avalie este artigo:
(0)
As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Tags: banco central Bitcoin Capitais capital comércio exterior criptomoeda moeda Moeda Transnacional Moeda Virtual Monetário transnacionais transnacional

Fique informado

Receba gratuitamente notícias sobre Administração