– Mestre, por quê precisamos pedir sua licença para pisar no dojô (tatame)? – Por que aqui é minha casa. Você já entrou na casa de alguém sem tocar a campainha? – Mestre, e para sair, por quê devemos também pedir licença? – Com que cara você ficaria se alguém saísse da sua casa sem agradecer a hospedagem e simplesmente abrisse a porta e fosse embora? Você se sentiria bem? Não se sentiria um idiota por tê-lo recebido com toda educação? – Mestre, onde mais devemos pedir licença? – Em qualquer lugar onde você precise entrar e ser bem recebido. Além do pedido de licença devemos também desejar, com um sorriso, um 'bom dia', 'boa tarde' ou 'boa noite'. Estas palavras 'mágicas' também abrem portas, até mesmo quando o dono da casa está de mau humor. – Mestre e ao sairmos? – Devemos agradecer a atenção e desejar um bom dia, além de oferecer um aperto de mãos. – Mestre, o que ganho com isso? – A mesma porta sempre estará aberta para você. – Mestre, quando deixarei de ser um discípulo e me tornarei um Mestre? – Se você for uma pessoa boa, sempre será um Mestre para os mais novos, mas nunca para os mais velhos. – E quando eu tiver sua idade, Mestre? – Certamente haverá alguém mais velho e você continuará aprendendo com eles, ou seja, continuará sendo um discípulo. Enquanto estiver vivo estará sendo um Mestre para os mais novos e um discípulo para os mais idosos. – Mestre, obedecer às ordens de uma pessoa mais velha não significa submissão? – Não, significa aprendizado. – Mestre, no Japão todos devem reverenciar ao Imperador, menos os professores, qual o motivo? – O imperador só se tornou capaz de comandar uma nação depois que aprendeu os ensinamentos dos professores, dos Mestres. É por isso, respeito! – Mestre, ceder um lugar no banco de um ônibus aos idosos e mulheres gestantes pode ser considerado, então, como um ato digno de um Imperador, de um Mestre? – Não, significa apenas que você recebeu educação dos seus pais e dos seus professores. – Mestre como deve fazer para ser respeitado como os idosos ou gestantes do ônibus? Ainda sou uma criança! – Para ser respeitado, independe da nossa idade e sim, das nossas primeiras atitudes. No início de nossa conversa falei sobre pedir licença para pisar no dojô ou entrar numa sala qualquer. Se demonstrar respeito primeiro, será respeitado. Recebemos em dobro tudo que damos para alguém. Se dermos respeito, recebemos em dobro. Se dermos agressão ou desrespeito também receberemos em dobro. Independente das idades de ambos. -Mestre, já falamos sobre cultura, educação… Como faço para escolher a profissão correta? –Bem, neste caso deve escutar seu coração. Pensar naquilo que sempre sentiu atração, vontade de fazer. Se gostar de desenhar poderá ser um desenhista de máquinas, um arquiteto um criador de desenhos em quadrinhos. Tenha cuidado com as ramificações! – E se eu escolher errado? Conseguirei fazer meu trabalho mesmo assim? – Se escolher errado sentirá que cada minuto trabalhado valerá por dois, será um fardo bem pesado de carregar, mas se escolher certo trabalhará todos os dias até depois do horário estipulado e terá a sensação de que nunca trabalhou em toda a sua vida. – Mestre, para finalizar, quando poderei dizer que já aprendi tudo, sobre tudo? – Jamais, enquanto estivermos vivos estaremos aprendendo e ensinando. – Então não há um limite? – Não, pois cultura não ocupa espaço. Ao contrário dos bens materiais que você compra e depois, quando perde o interesse, não doa a uma criança carente, entupindo seu armário fazendo-o transbordar. – Obrigado mestre! – Conte sempre comigo, discípulo! .