Como já citei anteriormente (em outro artigo) algumas empresas já compreenderam, há muito tempo, as necessidades da Geração Y. Porém, outras empresas ainda se perdem neste meandro das necessidades atuais da geração recém-formada na faculdade e que entrou no mercado de trabalho há poucos anos. É de conhecimento geral o antigo modelo da pirâmide hierárquica, cuja base era composta pelo nível operacional, sendo o caminho estreitado à medida em que os funcionários eram promovidos, subindo na pirâmide empresarial até o nível presidencial. Hoje em dia muitas empresas se perderam nos novos cargos que precisaram ser criados para atender à expectativa crescente do que Sigmund Freud define como “a necessidade de ser importante” – todos os seres humanos querem ser importantes. No mundo corporativo isso significa, na maioria das vezes, em ter status (como costumamos dizer no Brasil), ou seja, João sai da faculdade almejando um cargo de Gerente. Jamais passa pela cabeça de João sair da faculdade de Administração para ser um analista, afinal de contas, importante é de Gerente pra cima (ao menos na cabeça de muitos). Com isso, algumas empresas simplesmente alteraram o nome dos cargos. Hoje é muito comum ver que uma empresa X contrata Gerentes que devam ser “hands on”, ou seja, não é o gerente de antigamente, mas um Sargento que hoje é chamado de Tenente, mas que faz exatamente a mesma função de um antigo Sargento. Como podemos ver abaixo: O grande perigo reside na questão da média gerência. A média gerência hoje (às vezes, baixa gerência, se é que isso poderia existir) acompanha o andamento dos trabalhos do nível imediatamente abaixo, elabora relatórios, faz apresentações, e não toma nenhuma decisão. Conheço gerentes que simplesmente não possuem subordinados. Aí vem a pergunta que não quer calar: Gerente de que? Muitas empresas inflaram o nível intermediário da empresa. Hoje, em muitas empresas, temos mais profissionais nos níveis intermediários do que nos níveis operacionais. Qual é a consequência disso? Mais pessoas cobrando informações diariamente aos níveis operacionais, mais pessoas elaborando relatórios, agendando reuniões, marcando conference calls, dando opiniões (muitas vezes boas, outras vezes não), tomando café – sim, uma das especialidades da média gerência. Há ainda aquele Gerente que é o Capataz da empresa, como bem disse o nosso querido Waldez Ludwig – é aquele “gerente” que é o capataz da empresa, o intermediário que apenas leva e tras informações. Infelizmente, há um grande número de gerentes assim no mercado. Em quase todas as situações em que temos Gerentes-Capatazes, a empresa está nesta situação do Modelo do Pentágono Hierárquico. Pois, ao mesmo tempo em que gerentes apenas levam e trazem informações existem, ainda, outros gerentes que realmente são os gerentes à moda antiga, os que realmente gerenciam pessoas e tomam as decisões cabíveis ao seu nível. Podemos ver, neste modelo, que a base “operacional” é menor do que os níveis de Coordenadores e Gerentes, ou seja, temos mais gente “fiscalizando” do que fazendo. A rotatividade nas empresas aumentou sobremaneira nos dias atuais. E não é só por causa das novas gerações de profissionais, nem somente devido aos novos estilos das empresas. Pesquisas de grandes empresas de Recursos Humanos, entre elas grandes empresas de HeadHunter (recrutamento especializado), apontam que a maioria dos profissionais quando pedem demissão, não estão pedindo demissão da empresa – mas sim, do seu chefe. E neste modelo adotado por diversas empresas, o Pentágono Hierárquico aumenta, significativamente, esta possibilidade de profissionais pedirem demissão de seus chefes, até porque, possuem mais chefes do que operadores. É mais do que comum, hoje em dia, ouvirmos em uma empresa “aqui tem muito cacique para pouco índio”. E, geralmente, não damos a atenção devida a esta afirmativa. Meu avô costumava dizer que “cachorro que tem dois donos morre de fome”. Pois é… É preciso repensar os modelos hierárquicos das empresas. Muitos “chefes” significam ordens nem sempre congruentes. O mesmo funcionário pode receber duas ordens completamente diferentes e, quase sempre, com prioridade 0 – outro assunto que precisa ser rediscutido nas empresas – o termo “urgente”. Nunca vimos tantas coisas tão urgentes quanto hoje em dia. Como o urgente se tornou algo cotidiano, começamos a falar sobre prioridades – “tarefa X é prioridade Zero! Mas a tarefa Y é prioridade menos Um!”. Fantástico! Tendo três gerentes falando estas coisas para um mesmo funcionário no nível operacional, o nível de estresse deste último chega a nível altíssimos! Embora ele não pesque caranguejos no Alasca, ele se acha em um dos trabalhos mais perigosos do mundo! E talvez tenha razão. Uma das saídas para lhe dar com as situações acima, está na segunda figura deste artigo. As empresas podem se adaptar a esta necessidade de ser importante (e rapidamente) da nova geração, simplesmente alterando a nomenclatura de seus cargos. Infelizmente, é o que boa parte faz. Outra saída é realmente as empresas optarem por níveis gerenciais de qualidade, enxugar a máquina administrativa e a média gerência, ou apenas que estes “médios gerentes” não estejam diretamente acima de profissionais do nível operacional – eles podem ser pares dos demais gerentes, mas sem subordinados, pois prestariam serviços de informações gerenciais apenas para a Alta Administração. Seria algo parecido com o que demonstramos abaixo: Realmente, precisamos repensar nos níveis hierárquicos das nossas empresas. Não só por questões organizacionais, mas também: motivacionais, administrativas e financeiras.