Texto de Nelson S LimaCeo do INSTITUTO DA INTELIGÊNCIAwww.academiadofuturo.com www.infoinstitutodainteligencia.com UMA NOVA MATRIZ MENTAL Atuando num clima de instabilidade/complexidade/incerteza, os gestores são forçados a trabalhar num quadro mental diferente daquele que os estados de estabilidade, coerência e coesão requerem. No mundo actual, as empresas de excelência funcionam num estado de instabilidade dita limitada. Esta instabilidade é agora uma propriedade fundamental dos sistemas de negócios bem sucedidos. Ela é condição-chave para provocar a inovação, ou seja, a procura de ordem a partir do caos. Foi já em 1992 que o conhecido autor Ralph Stacey escreveu que a ciência da complexidade dos sistemas dinâmicos proporciona um modelo mental totalmente diferente para interpretar o comportamento de negócios e projectar acções de gestão inovadoras (in Managing Chaos). Com efeito, o mundo dos negócios é cada vez mais ditado por um feedback interactivo contínuo (semelhante ao dos jogos competitivos verdadeiros), com muitos aspectos instáveis. Neste tipo de cenários caóticos, os gestores não podem confundir êxito com simples estabilidade (esta é sempre temporária e pode ser enganadora). A gestão é feita cada vez mais à vista desarmada mas apoiada com o máximo de dados e informações provenientes de diversos lados. E, assim, “procurarão interagir criativamente com as outras pessoas que constituem a envolvente do seu negócio” (Stacey), isto é, colegas, trabalhadores da empresa, parceiros de negócio, clientes, fornecedores, consumidores finais, entidades públicas diversas, etc.). Assim, diz Stacey, “adoptar uma perspectiva de sistemas dinâmicos leva a uma resposta diferente (do equilíbrio estável próprio de épocas anteriores). (…) que reconhece a importância da contradição e da tensão criativa”. A aprendizagem torna-se então numa necessidade imperativa. Os gestores têm de abandonar velhas crenças, procedimentos e talvez modelos mentais já esgotados. A aprendizagem de um novo modelo mental é complexa, pode ser entendida como algo ameaçador, é geradora de ansiedade e toca, por vezes, em características pessoais profundas. OS FEITICEIROS DA ESPIRAL (1) Da formação de um líder devem hoje constar conhecimentos cruciais sobre os diferentes tipos de mentes com os quais trabalha. As pessoas possuem sistemas de ideias, crenças e valores que podem ser profundamente diferentes de indivíduo para indivíduo mesmo que mergulhados na mesma cultura e na mesma sociedade. A diferença encontra-se nos “estádios distintos de desenvolvimento da consciência” os quais fazem com que uma pessoa possa estar num patamar de desenvolvimento totalmente distinto até do da sua esposa fazendo com que subtilmente (ou de forma mais vigorosa) ocorram conflitos, incompreensões e desentendimentos, muitas vezes reclamados como “tu não entendes o que eu quero dizer”, na verdade significando que “tu não entendes a minha mente e o que eu PENSO sobre aquilo que, afinal, nos separa”! É algo mais profundo do que acontece com as vulgares “diferenças de opinião” ou “níveis de cultura e saber”. Tem a ver muito mais com a “consciência profunda” onde se alojam a visão do mundo, os sistemas particulares de valores, o nível de existência psicológica e as estruturas de ideias e formas de pensar proprias de cada sujeito. Segundo a teoria da “dinâmica da espiral” as pessoas, segundo o nível da sua consciência profunda, repartem-se por 8 diferentes estádios (e futuramente 9): Estádio arcaico-instintivo (estão neste estágio os bebés recém-nascidos, muitos idosos, pessoas com atrasos mentais, etc, da mesma forma que terão estado os hominídeos primitivos), representando actualmente 0,1% da população mundial; não detêm qualquer poder; Estádio mágico-animista (membros de gangs, tribos corporativas, claques, etc.), 10% da população e detendo 1% do poder; Estádio egocêntrico (crianças dos 2 aos 5 anos de idade, juventude rebelde, reinos feudais, líderes de gangs, mercenários, etc.), 20% da população, detendo 5% do poder; Estádio mítico (puritanos, ditadores, fundamentalistas religiosos, escuteiros, etc), 40% da população, detendo 30% do poder; estádio racional (classes médias emergentes), 30% da população, detendo 50% do poder); Estádio ecologista (ecologistas não fundamentalistas, voluntários de organizações humanitárias, etc.), 10% da população, 15% do poder; Estádio integrador (líderes espirituais, crianças índigo humanistas, etc.), 1% da população, 5% do poder; Estágio holístico (grandes líderes de carácter e filosofia humanista, líderes espirituais, etc.), 0,1% da população e 1% do poder. O 9º estádio, o estádio da consciência cósmica, representará um patamar que pouquíssima ou até mesmo nenhuma pessoa terá ainda chegado. Na vida adulta, a evolução de um estádio para outro é possível, ainda que custoso. Segundo o grande filósofo norte-americano Ken Wilber, a população humana reparte-se por estes diferentes estádios. Em seu entender, na chamada consciência de segunda camada (isto é, aquela que surge a partir do “estádio integrador”) estão poucas pessoas “porque constitui, no presente momento, a linha da frente da evolução humana colectiva”. São estes que estarão a mudar o mundo. Os novos líderes, a quem os investigadores Don E Beck e Christopher C Cowan chamam de Feiticeiros da Espiral, devem seguir 5 princípios: – reconhecer as forças mentais que existem “na cabeça” das pessoas que lideram; – incorporar um estilo universal de liderança C-A-A (cortesia, abertura mental e autocracia positiva); – exercer as opções de intervenção apropriada nas situações; – seguir as seis “Regras do Polegar” (oportunamento desenvolverei esta ideia); – activar o pensamento de segundo nível (estágio integrador e seguintes) para incidir na liderança. Actualmente e porque os líderes do velho sistema (a sociedade conotada com “2ª onda” de Alvin Tofler) ainda são a grande maioria, repartem-se por distintos estilos de liderança. São eles: o comunitário/tribal; o racional/económico; o moralista/prescritivo; e, o explorador/egocêntrico. Increva-se no Clube dos Executivoswww.clubedosexecutivos.ning.com …..