Precisa mesmo? A primeira coisa a fazer é ter certeza de que sua empresa precisa e pode tomar um empréstimo. Essa resposta só virá se você possuir uma previsão de seu fluxo de caixa futuro (o oxigênio do artigo que escrevi – A Foto, o Filme e o Oxigênio que todo empresário deve ter). Quando falamos de caixa, é lógico que depósitos bancários e aplicações de liquidez imediata também se enquadram, nesse caso, como caixa. Fluxo de Caixa Projetado O fluxo de caixa tem a estrutura do canhoto do seu talão de cheque, se é que você ainda usa um, e tem o seguinte formato: Saldo de Caixa Anterior Semana 1 Sem 2 Sem 3 Sem 4 Sem 32… (+) Entradas Recebimentos provenientes de vendas Outras entradas (-) Saídas Pagto de Fornecedores Pagto de Impostos Pagto de Despesas Pagto de Investimentos Devolução de Empréstimos (=) Saldo Final Ao projetá-lo numa base semanal ou até diária, você vai saber exatamente o valor e o período que vai ficar com saldo final de caixa negativo ou positivo. Dá pra atenuar a falta de caixa ou até eliminá-la? Após elaborá-lo, você deve analisar o fluxo de caixa e buscar alternativas para tentar zerar as semanas/dias em que o caixa se mostra negativo e é lógico, aplicar os saldos positivos de caixa de forma que eles possam render alguma coisa. Como minimizar os saldos negativos? Aqui não tem milagre e você vai ter olhar cada uma das entradas e saídas e buscar alternativas para antecipar as entradas e postergar, ou até eliminar a necessidade de saídas. Entradas Para as entradas de vendas por exemplo, cabem as seguintes perguntas: · Essa entrada será proveniente de venda a vista ou a prazo? · Se for a vista, qual a período entre data do faturamento/entrega da mercadoria ou do serviço e a efetiva entrada/cobrança do dinheiro? · Dá para reduzir esse período? Existe atraso na cobrança e em caso positivo, por deficiência da Cobrança ou inadimplência do cliente? Podemos só liberar a mercadoria/serviço depois que recebermos? · Dá pra antecipar o faturamento para que o dinheiro entre antes? · Se a venda for a prazo, qual o prazo que estamos dando? Dá para renegociar e reduzir esse prazo, mesmo que para isso tenhamos que dar 'um desconto', desde que menor do que a taxa que o banco vai me cobrar pelo empréstimo? · Novamente, dá para antecipar o faturamento para que o dinheiro entre antes? · Como está a velocidade de nosso sistema de cobrança? É tudo eletrônico? Nossa conta bancária é imediatamente creditada assim que o cliente paga? · Com que rapidez resolvemos pendências no faturamento (devolução, diferenças de preço, etc)? Quanto mais rápido, mais rápido o dinheiro vai entrar. · Contas a receber vencidas e já em cobrança judiciária devem ser revistas e negociadas. Às vezes um bom desconto viabiliza um recebimento que de outra forma iria levar anos para tramitar em todas as instâncias, reduzindo a probabilidade de recebimento. Para outras entradas, é sempre bom revisar ativos (estoques e equipamentos) e verificar se não podemos transformá-los em dinheiro, é claro, se não estiverem sendo ou não forem ser utilizados no futuro. Saídas Para as saídas valem os mesmos questionamentos, porém de forma mais contundente, pois nesse lado a empresa é a compradora e sempre pode buscar fornecedores alternativos e que permitam prazos maiores e prorrogação. · Para os pagamentos de fornecedores, confirme que o prazo dado é o combinado, que a data da emissão da nota e a data da entrega da mercadoria ou do serviço correspondem ao prazo de entrega combinado e na melhor das hipóteses, combine com o fornecedor que o prazo de pagamento deverá contar a partir da data de entrega da mercadoria ou do serviço. · Para os pagamentos a fornecedores, ponha o pessoal de Compras para solicitar prorrogação por uma semana, ou dez dias, sem é claro, a cobrança de juros. Diga que é um descasamento momentâneo de caixa e eles vão entender. Para evitar juros, diga que no futuro o fornecedor poderá precisar de uma antecipação e aí poderíamos pagar na mesma moeda (prazo e sem juros). · Ainda em relação aos fornecedores de matéria prima, tente negociar uma consignação, isto é, ele te manda a mercadoria e só fatura no final do mês ou a medida que você utilizar. Isso na pratica aumenta o período entre utilização da matéria-prima e o pagamento. · Para as despesas, valem as mesmas ações listadas para os fornecedores, é claro, com exceção daquelas relacionadas a folha de pagamento e concessionárias de utilidade publica (água, telefone, energia, etc… ) . · Para os impostos, apesar de serem poucas as alternativas para postergação, além do cuidado para não pagamento em atraso (que gera multa e juros), existem algumas alternativas de postergação do fato gerador do imposto (elisão e não evasão tributária) que podem fazer uma diferença enorme no fluxo de caixa. Por exemplo, faturando-se no dia 1 de Maio ao invés do dia 30 de Abril, você receberá para uma venda a com prazo de 30 dias, apenas um dia depois do dia em que receberia caso faturasse no dia 30 de Abril, porém vai desembolsar ICMS, PIS/COFINS (se for tributado por eles) somente um mês depois, ganhando um mês no prazo de pagamento. · Para o pagamento de fornecedores de equipamentos e obras (os chamados investimentos), também valem as mesmas dicas descritas para os fornecedores, além do planejamento minucioso do inicio de operação do equipamento. De que adianta comprar a máquina e começar contar o prazo para pagamento, se por exemplo, as obras civis do local onde o equipamento vai operar não estiverem prontas? Fluxo de Caixa Projetado Revisado Após a análise anterior e principalmente as negociações e ações visando postergar pagamentos e antecipar recebimentos, você deverá elaborar um novo fluxo com os 'déficits' e superávits por semana ou diários e aí sim, caso ainda necessário, partir para a etapa de busca de um empréstimo. Mas isso é assunto para a parte 2 do artigo.