Qual é a hora certa de começar a internacionalizar minha startup?

O que significa internacionalizar sua startup? Quando devemos começar a pensar nessa questão? Vale a pena?

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Antes de responder a essa pergunta é interessante definir o conceito de internacionalização, que ao que parece é muito amplo.

Gosto do entendimento de que a internacionalização é uma estratégia que envolve o ato de comercializar um determinado produto ou serviço para fora do seu mercado nacional, desenvolvendo uma rede internacional e aumentando a capacidade de crescimento e conhecimento sobre seu mercado em diferentes cenários.

A compreensão de que o processo de internacionalização faz parte do ciclo de aprendizado sobre o seu produto é de importância vital para a valorização da prática e sua devida implementação.

Muitos empreendedores no Brasil terminam desistindo da inovação porque percebem que o mercado nacional não absorve tal solução, mas nem sequer cogitam a possibilidade de entender como seria o resultado em diferentes países. Outros tantos, quando vão mapear possíveis concorrentes, levam em consideração apenas o mercado nacional, deixando de lado todo contexto internacional e competitividade global.

Mas qual a hora certa de internacionalizar?

Defendo que toda startup deve nascer internacional, mesmo que inicialmente o empreendedor se concentre em resolver o problema localmente, e isso significa muito mais que apenas traduzir seu site para o inglês.

O processo de pensar sua solução num contexto global desde o início muda radicalmente a maneira de posicionar o produto inclusive no próprio país e tende a gerar uma proposta de valor mais profunda, consequentemente aumentado as chances de sucesso da sua startup principalmente no âmbito de investimento.

Na maioria dos casos, os empreendedores de inovação no Brasil focam apenas no mercado doméstico por uma decisão estratégica errada. No fundo esconde-se um medo de arriscar, além de um total distanciamento da realidade global, dificuldade com a língua e um complexo ufanismo nacional (se o Brasil é tão grande porque se arriscar lá fora?). O mais intrigante é a quantidade enorme de projetos com alta chance de sucesso internacional mas que os empreendedores terminam não investindo na oportunidade

Um das razões que incentivam esse comportamento é que nossos "especialistas" em internacionalização da inovação usam conceitos e regras da década de 90 onde ganhar o mundo era realmente um desafio para poucos. Vendem a ideia experimentar novos mercado como algo complexo, difícil e caro ou simplesmente apostam todas as fichas em apenas uma região do mundo — o Vale do Silício, sem entender o que implica ser um uma startup brasileira com poucos recursos e experiência internacional em uma das regiões mais competitivas do planeta.

Claro que existe desafios, principalmente se focar em mercados como EUA e Inglaterra. Mas tenha em mente que infelizmente nosso país é um dos piores locais do mundo para empreender, ocupamos o 81 lugar no ranking das economias mais competitivas do mundo segundo o Forum Econômico Mundial ou seja, para uma startup chegar a ter tração no Brasil é muito mais desafiador do que em inúmeros outros ecossistemas ao redor do mundo, por isso a importância de já nascer global.

Outro ponto que gostaria de chamar a atenção e que considero de suma importância é o desenvolvimento de uma vivência internacional por parte do empreendedor antes mesmo da internacionalização da sua startup. Na prática, é sempre muito complicado entender as oportunidades do mercado internacional por quem nunca rompeu a barreira do próprio país e vive envolto em mitos tal e qual os antigos navegadores que evitavam cruzar o Cabo da Boa Esperança por medo de monstros marinhos e sereias.

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