O mundo corporativo se encontra em permanente processo de mudança e a área de Recursos Humanos acompanha essas transformações do mercado. A década de 30 é o marco para o setor. Antes disso, a administração de pessoal, como ficou conhecida após 1930, tinha como funções básicas o recrutamento e seleção. Já nos anos 30 se define o início sistemático e regulado das práticas por documentos legais da Administração de Pessoal. Após 1930,passa a existir uma verdadeira legislação trabalhista, quando foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (hoje Ministério do Trabalho e Emprego), que se somava aos esforços trabalhistas. Na década seguinte tivemos assinado o decreto-lei nº 5.452 em 1º de maio de 1943, que resultou na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Neste período, os departamentos de pessoal cuidavam das rotinas trabalhistas, ou seja, a correta aplicação da legislação trabalhista, enquanto que o recrutamento, seleção, treinamento, admissão, demissão e folha de pagamento estavam direcionados às tarefas administrativas. O recrutamento era realizado via jornais de boa circulação e eventualmente anúncios de rádio. A seleção, por um longo período, era feita através de uma prova especifica.Em 1965, surgiu em Minas Gerais, a primeira empresa a oferecer o serviço de recrutamento e seleção de mão de obra para o mercado de trabalho – o Grupo Selpe Recursos Humanos. A profunda transformação no setor começou a ocorrer a partir dos anos 70. O padrão baseado no modelo da organização taylorista do processo de trabalho começou a entrar em crise. Isso aconteceu antes mesmo do início do processo de reestruturação produtiva do final da década de 70, em função do contexto de recessão econômica, do ressurgimento do movimento operário, onde os sindicatos começaram a pressionar as empresas no sentido de assegurar maiores benefícios os trabalhadores. Desde o começo do século passado até a década de oitenta, as alterações nas práticas de recursos humanos eram lentas porque o mercado era pouco exigente. Mas a nova realidade política, econômica e social do início dos anos 80 passou a exigir novas posturas por parte das empresas em relação às práticas de recursos humanos. Pode-se dizer que, a partir da década de 90, o ambiente empresarial ficou marcado pela busca incessante da competitividade com o objetivo de sobrevivência e crescimento em um ambiente caracterizado por grande desenvolvimento tecnológico e mudança econômica. As organizações foram resgatando seu papel humano e começaram a fazer das pessoas, peças-chave do processo de crescimento da empresa. Recentemente, a maneira de uma empresa gerenciar seus funcionários começou a ser considerada um elemento crítico da vantagem competitiva e sustentável das empresas. E foi assim que a área de Recursos Humanos ganhou novo perfil e uma nova forma de ajudar a organização a crescer. Até chegamos ao estágio atual, onde a gestão de pessoas surgiu com as soluções para as demandas de excelência organizacional. Hoje o RH é visto como parceiro estratégico do negócio das empresas. Selecionar e recrutar assertivamente faz parte do processo decisivo do sucesso do negócio, bem com fazer uma gestão de pessoas de forma adequada. A real vantagem competitiva no mercado não está somente representada no financeiro ou nos altos investimentos em tecnologia, mas sim nas pessoas que compõem a organização, que movimentam tudo isto no dia a dia. E é com esse cenário que as organizações devem ter a visão que o capital humano é e sempre será seu grande diferencial. Hegel Botinha é diretor do grupo Selpe Recursos Humanos