Como as mulheres podem aprender com os erros no mundo corporativo?

Alguns hábitos não colaboram para que as mulheres cresçam nas empresas, porém é possível evitar cair na armadilha da estagnação

Luciana Carreteiro, Administradores.com,
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As mulheres vêm impulsionando um novo modelo social e conquistando, assim, novos patamares de liderança nas organizações. No entanto, ainda hoje o público feminino ocupa um espaço pequeno nos cargos mais altos. Uma pesquisa da Fortune 500, por exemplo, mostra que apenas 6%, ou seja, 32 dos 500 CEOs entrevistados eram mulheres em 2017. Já a previsão para 2025 é que 100 desses CEOs sejam mulheres. Esse é um aumento considerável, mas que ainda assim representa somente 20%.

Alguns hábitos não colaboram para que as mulheres cresçam nas empresas, porém é possível evitar cair na armadilha da estagnação. Com base na minha trajetória pessoal e como coach especializada em desenvolvimento de alta performance para liderança, indico algumas dicas que podem ajudar a transformar esse panorama: 

Construa uma referência de liderança

Quando iniciei minha carreira, acreditava que uma boa executiva deveria ser forte, baseada no imaginário masculino que eu tinha. Utilizando a referência austera da Dama de Ferro, tinha uma ideia de que a mulher deveria ser direta e sem emoção para obter eficiência e sucesso. No entanto, durante meus 17 anos de experiência corporativa, entendi que, ao contrário, ser líder - seja você homem ou mulher – é justamente saber lidar com suas emoções em cada ambiente que transita.

Por isso, diante dos desafios que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho, é importante escolher uma referência de liderança, tanto masculina quanto feminina e, a partir daí, agregar outras habilidades lendo livros, assistindo vídeos e palestras e convivendo com outros líderes. Cada interação é uma oportunidade de aprendizagem sobre uma nova forma de fazer algo. 

Evite fugir do foco principal

Nós mulheres, muitas vezes, queremos reforçar nosso ponto de vista, pois costumamos ter a necessidade de compartilhar nossos sentimentos sobre uma situação. Porém, abordar detalhes superficiais não ajuda e pode criar um ambiente hostil dentro da empresa, principalmente em um cenário dominado por homens. Por exemplo, vivi uma situação na qual uma colega estava se apresentando e sua comunicação era, de fato, prolixa. Ela sentiu a necessidade de explicar todo o contexto do projeto para justificar algumas escolhas. Contudo, ao fim da apresentação, outros colegas a criticaram e a apontaram com uma pessoa “sem objetividade”. 

Nesse contexto, aprendi uma lição que cabe para as duas situações, como ouvinte e como apresentadora, e que hoje também levo aos meus clientes. Quando apresentamos, se atentar aos fatos e reter esses pensamentos ligados a insegurança é importante para evitarmos cair em um monólogo, isto é, criar uma separação do lixo mental. Pensamentos destrutivos, ou seja, resíduos mentais perigosos, devem ser eliminados. Já resíduos mentais que podem agregar valor ao serem compartilhados, devem ser reciclados em pensamentos positivos de impacto sustentável. 

Pratique a mudança de comportamento

Um dos maiores desafios que enfrentei durante a minha carreira foi a importância que eu dava para a aceitação de outras mulheres e, aos poucos, dividindo esse pensamento com outras mulheres, percebi que muitas tinham o mesmo sentimento. Ao longo da história e ainda hoje, as mulheres sempre tiveram que lutar para conquistar seu espaço e, por isso, se acostumaram a competir. 

No entanto, em grande parte das vezes, essa competição não se dá com outras mulheres, mas sim de forma individual, é a necessidade de provar para nós mesmas que somos capazes. Para mudar essa rotina, é preciso buscar melhorar os comportamentos e habilidades a fim de obter melhores resultados, e não para provar ser melhor do que ninguém. Esteja aberta tanto para receber, quanto para dar feedback.

Aprenda a virar a página

Diante da sociedade patriarcal em que vivemos, as mulheres desenvolveram uma maior tendência a se sentirem mal por erros que cometem. Nós ficamos horas, dias ou até semanas nos martirizando, e criamos um longo diálogo interno: “Será que serei vista como incompetente?”; “E agora, ainda irão confiar em mim?”; “Será que serei demitida?”; “Não acredito que errei com algo assim!”. Fazemos uma análise minuciosa dos fatos, apuramos todas as possíveis consequências e discutimos horas com pessoas próximas o ocorrido, ou seja, diminuímos a nossa habilidade de virar a página e seguir em frente.

Esse comportamento suga a nossa energia e, na maioria das vezes, diminui ainda mais a autoconfiança. Acabamos focando no passado e perdendo um tempo precioso. Por isso, a minha dica é: não se sabote! Busque desenvolver a habilidade de transformar rapidamente a palavra “culpa” em “aprendizado”, construindo uma visão de futuro focada na solução. 

Luciana Carreteiro — Coach especialista em desenvolvimento de alta performance para liderança e fundadora da Kyma Coaching, empresa que apoia executivos e empresas a potencializarem suas competências.